Denunciante “vai pagar caro” por acusações “levianas” na saúde, diz Rollemberg

Citado pela presidente do SindSaúde como comandante de esquema de propina na Secretaria de Saúde, governador diz que vai enquadrá-la na Justiça e que “nenhuma prova ou fato concreto” foram apresentados

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, afirmou que as denúncias feitas pela sindicalista Marli Rodrigues, em depoimento nesta quinta-feira (22) à CPI da Saúde, são “um absurdo”. Segundo a presidente do SindSaúde, o sindicato dos servidores do setor no DF, Rollemberg seria o comandante, ao lado da primeira-dama Márcia Rollemberg, do esquema de corrupção na Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O governador informou, ainda, que vai usar a Justiça para dialogar com a sindicalista que, segundo ele, faz acusações “levianas”.

“É um absurdo que uma presidente de um sindicato, de forma leviana, sem apresentar qualquer prova, sem apresentar qualquer fato concreto, faça acusações contra pessoas que têm vida honrada. Pessoas assim, nós vamos dialogar na Justiça. Tenho certeza de que ela vai pagar muito caro pelas informações difamatórias e caluniosas que fez hoje à CPI”, ameaçou o governador.

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Rollemberg afirmou que as denúncias são feitas sem apresentação de “nenhuma prova ou fato concreto”. Disse que ele está sendo alvo de retaliações por apoiar as organizações sociais na gestão dos hospitais da cidade. “Estamos enfrentando interesses poderosos e milionários na saúde”, afirmou o governador. "Estamos realizando licitações que há mais de dez anos não havia. Isso contraria interesses”, concluiu.

Na mesma linha se posicionou o secretário da Casa Civil do GDF, Sérgio Sampaio. Em coletiva de imprensa, ele disse que as denúncias são “vazias e infundadas” e que isso ficou comprovado na CPI, já que Marli sequer apresentou as provas que “diz ter”. Ele classificou como uma “cortina de fumaça” que tem o objetivo de atrapalhar a implementação das organizações sociais no Sistema Único de Saúde do DF, entidades que se dedicarão a gerir parte da saúde pública no DF. De acordo com ele, a Casa Civil também vai interpelar a denunciante na Justiça.

“É uma coincidência que essas denúncias venham à tona no momento que o governo lança na Câmara o modelo de OSS [organizações sociais de saúde]. Se fosse descabido, não estaria em lei federal e funcionando em outros estados”, declarou Sampaio, defendendo prisão para quem faz acusações sem provas.

“Não há nada de concreto. Cadê os nomes de quem pratica corrupção? Não venha com essa cortina de fumaça falando que o Ministério Público não permitiu falar – quem pratica corrupção tem que ser preso, como também deve ser preso quem vai a uma CPI e falta com a verdade”, acrescentou o secretário, mencionando o fato de que Marli, ao não apresentar provas, justificou se tratar de estratégia para não atrapalhar as investigações.

Kit antidengue

Em nota detalhada (leia íntegra abaixo), a Secretaria de Saúde negou todas as acusações de fraude e corrupção feitos por Marli. Para a instituição, tampouco é verdade que kits antidengue, uma das denúncias feitas por Marli, foram adquiridos pelo dobro do preço de mercado a partir da gestão de Rollemberg, iniciada em 2015.

“Não é verdade que houve, na gestão iniciada em 2015, aquisição de kits de dengue no valor unitário de R$ 55. Desde o início deste governo foram feitas duas compras de teste rápido de dengue, ao custo de R$ 9,30 a unidade. Em um primeiro momento foram adquiridos 6 mil kits, que totalizaram R$ 55,8 mil e, posteriormente, 6,5 mil unidades, que totalizaram R$ 60,4 mil. Neste momento, tramita na pasta um novo processo para a compra de mais 40 mil testes a R$ 8,48 a unidade”, diz trecho da nota.

Leia a íntegra:

“Em relação aos fatos apresentados nesta quinta-feira (21), na Câmara Legislativa, a Secretaria de Saúde esclarece:

- Não é verdade que haja qualquer preferência na ordem dos pagamentos realizados pela secretaria. Alguns são priorizados em função do interesse público na manutenção da prestação dos serviços contratado, devidamente justificado em todos os processos. Exemplos são a alimentação dos pacientes nos hospitais, pagamentos de UTI e a aquisição de medicamentos.

- Não é verdade que houve, na gestão iniciada em 2015, aquisição de kits de dengue no valor unitário de R$ 55. Desde o início deste governo foram feitas duas compras de teste rápido de dengue, ao custo de R$ 9,30 a unidade. Em um primeiro momento foram adquiridos 6 mil kits, que totalizaram R$ 55,8 mil e, posteriormente, 6,5 mil unidades, que totalizaram R$ 60,4 mil. Neste momento, tramita na pasta um novo processo para a compra de mais 40 mil testes a R$ 8,48 a unidade.

- Não é verdade que a rede está desabastecida de marca-passos. Houve uma aquisição, em 2015, de 200 aparelhos, que foram entregues à pasta em fevereiro. Ao todo, foram investidos R$ 841,5 mil, valor que engloba os marca-passos, geradores, eletrodos e conjunto de introdutor para eletrodos.

- Que a portaria 276, de 2 de dezembro de 2015, está em vigor e delega novas atribuições ao diretor executivo do Fundo de Saúde do Distrito Federal. Esta norma faz parte da reestruturação da Secretaria de Saúde que alterou a estrutura administrativa. Assim, o Fundo de Saúde tornou-se responsável pelas despesas e a Subsecretaria de Administração Geral (Suag) passou a ter como atribuição, dentre outras coisas, a administração, tramitação de processos licitatórios e contratações. Tal medida foi tomada para garantir a segregação de funções, o que é recomendado por todos os órgãos de controle.

- Não é verdade que a Secretaria de Saúde dispõe de um contrato, no valor de R$ 12 milhões anuais, para fazer a manutenção de 1,7 mil veículos. Este serviço é prestado por meio de um contrato corporativo do governo de Brasília por meio da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão com a Ticket Car. Trata-se de ata de registros de preços, cujo valor anual máximo é R$ 11.897.987,58. O gasto mensal máximo pode chegar a R$ 991.498,97. O governo de Brasília nunca chegou perto de atingir esses limites anual ou mensal. Na verdade, até o presente momento, tem gerado economia ao governo.

- Que Marcello Nóbrega é economista, tem qualificação e experiência para o cargo que ocupa e nunca foi motorista da senhora Márcia Rollemberg.

- Ao contrário do que foi alardeado e prometido durante a última semana, a sindicalista não apresentou nenhuma prova das denúncias que fez.”

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