Sarney engaveta a CPI dos Transportes

Presidente do Senado diz que requerimento de instalação não preenche requisitos previstos no regimento interno; oposição diz que vai insistir na busca de adesões

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), leu na tarde desta quarta-feira (3) em plenário a anulação do protocolo de instalação da CPI dos Transportes, que ontem (terça, 2) havia obtido o número mínimo de adesões (27 senadores) com a coleta de assinaturas promovida pelo líder do PSDB, Alvaro Dias (PR). Mas, de ontem para hoje, duas assinaturas foram excluídas do requerimento. Sem o número mínimo de assinaturas, Sarney arquivou o pedido de CPI.

A comissão de inquérito seria usada pela oposição como palco para as investigações sobre o suposto esquema de corrupção capitaneado pelo PR junto ao Ministério dos Transportes, como a imprensa tem noticiado há semanas. Mas, segundo Sarney, o requerimento “não tem os requisitos regimentais necessários à sua tramitação”, ou seja, o “número legal” de 27 adesões. “Nesse sentido, nos termos do parágrafo único do art. 244 do Regimento Interno do Senado, a Presidência devolve o requerimento ao seu signatário”, acrescentou o peemedebista, referindo-se a Alvaro Dias, que protestou imediatamente.

Dizendo entender a exigência regimental, o tucano lamentou “a operação empreendida, na calada da noite, para a retirada de assinaturas”. “Uma pressão indisfarçável e perfeitamente dispensável num momento como esse. Lamento, profundamente, porque desnuda o governo, revela a existência de uma farsa. Quando se propala que há, da parte da Presidência da República, a iniciativa de se promover uma limpeza no governo – e, quem sabe, mudar o modelo – faz-se um jogo de cena”, fustigou o senador paranaense, avisando que dará prosseguimento à tentativa de reunir assinaturas, “em que pese todas as dificuldades”.

“Fica explícito que não há o desejo do governo de promover mudança no modelo de promiscuidade que compromete a eficiência administrativa e, sobretudo, facilita as ações de corrupção”, acrescentou.

Suplente de senador, Ataídes Oliveira (PSDB-TO) chegou a cogitar a retirada da assinatura (leia), mas recuou da decisão a despeito do apelo do “amigo” João Ribeiro (TO), titular do mandato. Os senadores João Durval (PDT-BA) e Reditário Cassol (PP-RO) foram os desistentes do apoio à abertura da CPI (leia mais).

Confira quem manteve o apoio à CPI dos Transportes:

PSDB

Aécio Neves (MG)
Aloysio Nunes Ferreira (SP)
Alvaro Dias (PR)
Ataídes Oliveira (TO)
Cícero Lucena (PB)
Cyro Miranda (GO)
Flexa Ribeiro (PA)
Lúcia Vânia (GO)
Mário Couto (PA)
Paulo Bauer (SC)

DEM

Demóstenes Torres (GO)
Jayme Campos (MT)
José Agripino (RN)
Maria do Carmo Alves (SE)

PMDB

Pedro Simon (RS)
Roberto Requião (PR)
Jarbas Vasconcelos (PE)
Ricardo Ferraço (ES)

PP

Ana Amélia (RS)

PDT

Pedro Taques (MT)
Zeze Perrella (MG)

PSOL

Marinor Brito (PA)
Randolfe Rodrigues (AP)

PMN

Sérgio Petecão (AC)

SEM PARTIDO (futuro PSD)

Kátia Abreu (TO)

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