Em plenário, Sarney pede votos para ex-secretária do Senado

Diante de um plenário com apenas três suplentes de senador, Sarney teceu loas à ex-secretária-geral da Mesa, que pela primeira vez tenta um mandato eletivo

Ex-presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) usou a tribuna do plenário nesta terça-feira (26) para cobrir de elogios a ex-secretária-geral da Mesa da Casa, Cláudia Lyra. Seria mais uma sessão de gentilezas em plenário à servidora, que tem 30 anos de serviços prestados ao Senado, não fosse um detalhe: Cláudia é candidata a deputada federal pelo PMDB, partido de Sarney.

Diante de um plenário com apenas três segundo suplentes de senador e na presença da homenageada, Sarney teceu loas à servidora, que pela primeira vez tenta um mandato eletivo. Prestigiaram a sessão não deliberativa dedicada à Cláudia Lyra, com os devidos apartes, os senadores Antônio Aureliano (PSDB-MG), segundo suplente de Eliseu Resende (DEM-MG), morto em 2011; Fleury (DEM-GO), segundo suplente de Demóstenes Torres, cassado em 2012; e Kaká Andrade (PDT-SE), segundo suplente de Eduardo Amorim (PSDC-SE).

Mas nem os apartes dos suplentes de senador, com elogios estendidos ao próprio Sarney, desviaram-no do propósito principal do discurso. E ele fez questão de ressaltar isso. “Não quero que diminuam essas digressões sobre o núcleo do meu discurso, que é dizer que o Distrito Federal terá uma grande deputada, uma grande contribuição na pessoa de Cláudia Lyra. Pois eu vejo a Cláudia Lyra, depois de 30 anos aqui, uma funcionária ativa e competente, agora movida por essa paixão de fazer pelo Distrito Federal – e a gente tem a impressão de que ela pensa também em mudar o mundo mudando o Distrito Federal”, disse Sarney, no Senado desde 1971, dirigindo-se a Fleury.

Em Casa

A legislação em vigor proíbe o uso de estrutura de comunicação de qualquer instituição pública como palanque eleitoral. Mas, segundo o artigo 11, parágrafo 6 das instruções do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições deste ano, “nas dependências do poder Legislativo, a veiculação de propaganda eleitoral ficará a critério da Mesa Diretora”. Assim, nada haveria de impedimento para Sarney em sua iniciativa de festejar a ex-titular do órgão.

“É essa a finalidade da minha presença nesta tribuna: cumprir um dever de consciência e, ao mesmo tempo, tentar ajudar o Distrito Federal – porque, se ele eleger uma moça da capacidade da Cláudia Lyra, sei que ela vai ajudar muito o Distrito Federal”, discursou o experiente cabo eleitoral de Cláudia Lyra, enumerando algumas “realizações” dela na Casa, como o programa “Senado Jovem”. Como o senador peemedebista também lembrou, a servidora faz parte de “toda uma família” que se dedicou por toda a vida ao concurso público do Senado.

“Sua mãe foi, durante muitos anos, diretora da taquigrafia e suas irmãs também trabalham em cargos destacados de diretoras do Senado, sendo que uma delas, a Márcia, já se aposentou. Quando eu fui presidente [do Senado], minha chefe de gabinete também era irmã da Cláudia Lyra”, rememorou Sarney. Em tempo: sorridente e atenta à homenagem, Cláudia foi algumas vezes enquadrada em closes da TV Senado, como costuma acontecer com autoridades que visitam o plenário.

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