Sarney dá “cartão branco da paz” aos críticos

Fábio Góis

Em reposta ao cartão vermelho recebido ontem em plenário – obra do petista Eduardo Suplicy (SP) –, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), “levantou” hoje (quarta, 26) um “cartão da paz” às críticas que tem recebido, e não só de oposicionistas, à insistência em permanecer no comando da Casa, mesmo na condição de protagonista da crise institucional instalada há meses.


“O meu cartão é o branco, o cartão da paz”, declarou Sarney, em resposta ao pronunciamento feito pelo senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Referindo-se à uma entrevista em que Sarney atribui à oposição, em especial ao PSDB, a responsabilidade pela crise, o tucano pediu à palavra e, dirigindo-se ao peemedebista, defendeu o partido.  


“Primeiro, o PSDB jamais governou o Senado Federal, nem administrador deste Senado. Segundo, não foi o PSDB que levantou acusações e críticas à atual gestão do Senado, ou anteriores. Essas críticas foram levantadas na imprensa. Terceiro: não foi o PSDB o primeiro partido a solicitar o afastamento do senador José Sarney. Quarto: o PSDB sempre reconheceu o direito ao contraditório e não prejulgou ninguém”, enumerou Sérgio Guerra, dizendo que o PT, capitaneado pelo presidente Lula, “é a principal vítima da crise que se desenvolveu aqui”.

Depois das colocações do tucano, Sarney alegou que sua resposta na ocasião da entrevista mencionada, "mal interpretada", pode ter sido provocada pelo jornalista que o entrevistava – Carlos Monforte, da Globonews. "O PSDB não teve nenhuma responsabilidade na origem desta crise. Se naquela hora fui induzido pelo repórter a dizer isso, peço desculpas", contemporizou Sarney.

Em seu discurso, Sérgio Guerra alfinetou a conduta de senadores que, na esteira da crise, aproveitam para demonstrar honestidade. "Nesta semana começou, aqui no Senado, a escolha do homem mais honesto do Brasil, uma concorrência para saber quem é mais honesto do que os outros, quem foi mais combativo do que os outros, quem mais defende o povo, quem é mais íntegro", ironizou o tucano, desmerecendo a suposta postura. "Nós sabemos quantos aliados nós tivemos nessa luta que nós perdemos, aritmeticamente, aqui no Senado. Foram muito poucos."

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