Sarney acredita em consenso para líder do PMDB

Presidente do Senado até amanhã, peemedebista não espera por uma disputa no voto entre Eunício Oliveira e Romero Jucá. Reunião da bancada amanhã define os nomes do partido para a Mesa Diretora

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acredita que a disputa interna pela liderança do partido na Casa chegará ao fim sem a necessidade de votação.  “Não, não vamos ter problemas. Vai ser no consenso”, afirmou, na tarde desta quarta-feira (30) após inaugurar uma exposição em homenagem aos 25 anos da Constituição. Ele evitou, no entanto, dizer se prefere Eunício Oliveira (CE) ou Romero Jucá (RR), os dois peemedebistas que disputam o cargo.

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Sarney confirmou sua presença amanhã, às 17h, na reunião da bancada do PMDB que escolherá o novo líder da legenda e deverá confirmar a candidatura de Renan Calheiros (AL) para presidir a Casa nos próximos dois anos. O senador não quis detalhar ao site como está a definição desse e de outros cargos na Mesa Diretora. “Isso vai ser feito pelos partidos políticos. Isso é com os partidos”, desconversou.

Desde segunda-feira, Renan está em Brasília articulando apoio político para sustentar sua candidatura ao cargo mais importante do Senado. Depois de o Congresso em Foco revelar que ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por uso de notas frias para comprovar seus rendimentos, o sinal amarelo na campanha foi aceso. Antes recluso a qualquer denúncia, Renan determinou que sua assessoria chamasse a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de peça sob “suspeição” e com “natureza nitidamente política”, por ter sido feita às vésperas da eleição da Mesa. A nota acabou por lançar sua candidatura, antes não confirmada oficialmente.

Nesta semana, Renan procurou telefonar para cada um dos senadores. Mandou uma nota explicativa sobre as denúncias feitas por Gurgel. Segundo sua assessoria informou ao site hoje, a candidatura do senador está em pé e não será retirada.

O Inquérito 2593 foi aberto em 2007 a pedido do próprio Renan, que forneceu sigilos bancário e fiscal para o Ministério Público a fim de provar sua inocência em meio a uma série de denúncias que enfrentou naquele ano. A assessoria do senador disse que, se Gurgel usou os documentos entregues pelo parlamentar para considerá-lo culpado de algum crime, não haverá problemas. “Se a denúncia é baseada nas notas, não procede”, argumentaram.

Dívida

Na inauguração da exposição sobre os 25 anos da Constituinte, Sarney lembrou que ela foi feita logo após um período político conturbado. Ele teve de assumir a Presidência da República em 1985 por causa da morte de Tancredo Neves, que falecera às vésperas da posse. Sarney disse que desconhecia o corpo de ministros e não conhecia os planos do governo de Tancredo, que seria o primeiro presidente após o fim do regime militar no Brasil.

“O Brasil me deve muito ao meu temperamento”, afirmou Sarney. Ele se referia à paciência para enfrentar o momento político conturbado.  O presidente do Senado disse que o próprio Tancredo havia lhe dado a fórmula das dez virtudes de um político. “As sete primeiras são paciência, e as outras três você completa, Sarney”, teria dito Tancredo.

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