Saiba o que dizem denunciados e investigados no golpe da creche

“Estamos pedindo um novo laudo em cima desta única assinatura no universo de 84”, disse o deputado Sandro Mabel em nota

Sandro Mabel, deputado (PMDB-GO), investigado no inquérito 3421 do STF

O deputado tem afirmado ser vítima de Franzé. Apresenta em sua defesa um laudo da Polícia Federal que analisou 84 assinaturas suas em documentos de nomeação e variação salarial de fantasmas. A perícia comprovou que 83 firmas eram falsificadas e só uma realmente pertencia ao deputado. Na semana passada, seu gabinete não prestou novos esclarecimentos ao Congresso em Foco. Em nota há dois anos, ele disse que questionará a única firma considerada verdadeira: “Estamos pedindo um novo laudo em cima desta única assinatura no universo de 84”, disse. Veja a nota

Raymundo Veloso, ex-deputado (PMDB-BA), denunciado pelo MPF à 10ª Vara Federal

“Quando esse processo chegar ao fim, às vezes eu até já morri. Em 2013 e 2014, foi só doença, internação…”, afirmou Veloso na sexta-feira (7). Aos 77 anos, ele disse que é inocente, que foi mal assessorado e que tudo aconteceu porque “confia em todo mundo”. Ele preferiu não apontar se Abigail ou outras ex-funcionárias suas seriam culpadas. Veloso disse crer que o dinheiro dos salários do sertanejo ficou com “alguém que não gosta de mim” ou com “outra pessoa” ligada a “eles”, ou seja pessoas que trabalhavam em seu gabinete. Veja a reportagem

Franzé (investigado no inquérito 3421 e denunciado na 10ª Vara) e Abigail (denunciada na 10ª Vara)

Desde 2009, o site pede esclarecimentos ao casal, apontado pela Polícia Legislativa da Câmara como líder do esquema. Mas, mesmo após contatos por telefone, familiares, colegas de gabinete, advogados e recados deixados em sua residência, nunca nenhuma entrevista foi concedida. Na semana passada, o site tentou falar com o casal, mas não os localizou em seus telefones.

Maria Solange Lima, denunciada pelo MPF à 10ª Vara Federal

A chefe de gabinete de Mabel também nunca retornou os pedidos de esclarecimento do site, mas tem sido defendida pelo deputado. Ao mesmo tempo, a Procuradoria da República no Distrito Federal acusou-a de peculato e também pediu à 10ª Vara Federal que lhe estenda os benefícios da delação premiada, porque ela colaborou com as investigações. Se a Justiça aceitar o pedido, ela pode ter sua pena reduzida ou mesmo ser absolvida ao final do processo.

Severino Lourenço, pasteleiro, investigado no inquérito 3421 do STF

O pasteleiro afirma que foi enganado por Franzé. Disse que passou seus documentos a ele para receber um Bolsa Família para suas filhas – e não transformar-se em servidor fantasma da Câmara. A Procuradoria da República no Distrito Federal considerou que ele não sabia do crime e não poderia ser acusado de peculato. Por isso, ele foi excluído da denúncia na 10ª Vara, mas ainda responde a inquérito no Supremo junto com o deputado Sandro Mabel e Franzé. Veja a entrevista

Clébia Pereira, denunciada pelo MPF à 10ª Vara Federal

A irmã de Abigail não retornou os contatos feitos pelo site nos telefones em seu nome. Há quatro anos, a reportagem tentou contato com ela por meio de sua mãe, mas também não houve retorno.

Cauí (Cláudio Sidney) e Eliane Lourenço, denunciados pelo MPF à 10ª Vara Federal

Em entrevista ao site na sexta-feira (7), Cauí negou que ele e sua esposa, Eliane, fossem servidores da Câmara, como sustenta o Ministério Público. Disse que o casal não sabia que Franzé iria fazer uma fraude com os documentos do pasteleiro Severino. “Não tem nada que envolva dinheiro porque eu não recebi”, disse Cauí.

Ele afirmou que a única coisa que fez foi “dar uma carona” para Severino porque ele não sabia como chegar até a Câmara dos Deputados e se encontrar com Franzé. “Até hoje, não consegui entender isso. Não tem prova nenhuma contra mim. O Franzé nunca me deu dinheiro.”

Eurípedes Cardoso, funcionário da Câmara, denunciados pelo MPF à 10ª Vara Federal

Em entrevista ao site na sexta-feira (7), Eurípedes disse que nada foi feito de forma “intencional”. Ele disse que também foi acusado de fraudar o vale-transporte, mas já pediu guias de pagamento para devolver o valor recebido a mais. “Eu tinha direito a um vale de R$ 200 e recebia R$ 300”, contou Eurípedes.

O servidor disse que, ao contrário do que sustenta o Ministério Público, não ajudou a contratar o fantasma Wellington Luís Silva. “Ele não ficou nem um mês lá”, disse Eurípedes. “Eu não tenho nada a ver com essa história”, afirmou.

Jaqueline Medeiros, ex-funcionária de escola, denunciada pelo MPF à 10ª Vara Federal

Na sexta-feira (7), disse que poderia conversar com a reportagem. Ao ser apresentada ao assunto da entrevista, disse que estava ocupada no momento. Depois, afirmou que não comentaria o caso. “Não tenho nada a declarar, tá bom, querido?”

Eveline Quaresma, denunciada pelo MPF à 10ª Vara Federal

A reportagem procurou Eveline na sexta-feira (7), mas ela disse que não poderia conversar com o site. “Isso é só com meu advogado.” Entretanto, Eveline afirmou que não poderia repassar os contatos de seus defensores.

Igor, ou Zenon Vaz da Silva, cantor sertanejo, denunciado pelo MPF à 10ª Vara Federal

Procurado na semana passada, Igor não foi localizado pela reportagem em seus telefones para explicar sua participação no golpe. Há quatro anos, porém, quando o Congresso em Foco revelou o caso pela primeira vez, ele preferiu não dar entrevistas. Primeiro, disse ao site que conversaria só aos o feriado de carnaval pois iria fazer shows em Minas Gerais. Na data combinada, porém, quem atendia seu celular era uma pessoa identificada como Breno, seu parceiro na dupla, que afirmou que ele estava na casa de parentes em Minas. E nunca mais houve retorno aos contatos do site.

Rafael Reis Gonçalves, denunciado pelo MPF à 10ª Vara Federal

O cunhado de Abigail Pereira não retornou os contatos feitos na semana passada nos telefones em seu nome.Há quatro anos, o site o procurou por meio de sua sogra, mas também não houve retorno ao site.

Todos os personagens foram procurados pelo Congresso em Foco na semana passada, mas alguns não retornaram as ligações nos telefones em seus nomes, para os quais, sempre que possível, foram enviadas mensagens. O site não localizou Patrícia Cordeiro, Rosângela Rocha e Rosa Maria Alves.

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