Roriz ‘esqueceu’ R$ 4,12 milhões em gado

Edson Sardinha


O ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC), candidato a governador que lidera as pesquisas eleitorais, esqueceu de declarar à Justiça eleitoral 6.717 cabeças de gado, avaliadas em R$ 4.129.611,60. O esquecimento da boiada foi retificado na nova declaração de bens entregue pelo candidato ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Com a correção, o patrimônio declarado pelo ex-governador cresceu 370%, passando de R$ 1.111.541, valor que constava da primeira versão, para R$ 5.241.152,60. Desse total, R$ 160 mil são guardados em espécie, segundo a declaração. Os novos dados estão disponíveis na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Veja aqui a declaração de bens de Joaquim Roriz


Em 2006, quando se candidatou ao Senado, Roriz declarou ter R$ 4,4 milhões em bens. Aplicando-se a inflação acumulada de lá pra cá, cerca de 20% - segundo o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) -, o novo patrimônio informado pelo ex-governador praticamente não se alterou nos últimos quatro anos.


A divulgação da primeira declaração entregue por Roriz causou estranheza entre seus adversários pelo “empobrecimento” do ex-peemedebista. A assessoria dele admitiu, logo em seguida, que houve um “desencontro de informações” na entrega da relação de bens do candidato e informou que seria feita uma retificação com o acréscimo do rebanho. Ainda segundo a assessoria, os dados estavam no meio do processo, mas não haviam sido identificados pela Justiça eleitoral.


Ainda assim, chama a atenção o valor declarado por Roriz para a sua fazenda. O ex-governador é um dos maiores produtores de leite da região Centro-Oeste. Segundo sua declaração, a fazenda, onde estão suas cabeças de gado, vale somente R$ 100 mil.


Bezerra e impugnação


Em 2007, no auge da crise que o levou à renúncia, Roriz disse que era dono de 6.227 cabeças de gado. Ele renunciou ao mandato naquele ano após a divulgação de um grampo em que ele aparecia combinando a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura. Os recursos, segundo ele, seriam para a compra de uma bezerra e para ajudar um primo. A partilha, de acordo com a acusação, seria feita no escritório do empresário Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol.


As gravações foram feitas na Operação Aquarela, que desbaratou um esquema de desvio de dinheiro do BRB. Roriz renunciou ao mandato para escapar da cassação. Por causa da renúncia, ele está na mira da Lei da Ficha Limpa, que pune os políticos que abriram mão do mandato nos últimos anos para fugir da abertura do processo de cassação. O Ministério Público Eleitoral do DF entrou hoje com um pedido de impugnação da candidatura de Roriz. Ontem o Psol havia tomado a mesma iniciativa.
 
Veja aqui a declaração de bens de Joaquim Roriz

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