Roriz alia-se ao PT na eleição em sua cidade natal

Para apoiar primo em Luziânia, candidato pelo PSD, Joaquim Roriz (PSC) une-se a seus inimigos históricos do PT

LUZIÂNIA (GOIÁS) – Nas quatro vezes em que foi governador do Distrito Federal, o ex-governador Joaquim Roriz teve nos políticos e eleitores do PT os seus maiores inimigos. Brasília dividia-se entre os azuis, que apoiavam Roriz, e os vermelhos, os petistas. Não foram raras as vezes em que os embates entre azuis e vermelhos terminaram em violência. O tempo passou e Roriz mudou. Ou mudou o PT. Ou mudaram ambos. Na cidade de Luziânia, no entorno de Brasília, Roriz e o PT estão unidos, subindo juntos nos palanques em apoio à candidatura de Cristovão Vaz Tormin (ex-PTB e hoje no PSD). O candidato a vice de Cristovão, Didi Viana, é do PT.

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As imagens de amizade entre Roriz e Didi Viana estão longe de fazer supor que, há apenas dois anos, Roriz era o principal adversário do hoje governador do DF, Agnelo Queiroz, do PT, nas eleições em Brasília. Roriz só não foi até o fim na disputa com os petistas por causa da Lei da Ficha Limpa. Temendo seus efeitos – Roriz renunciou ao mandato de senador para não ser cassado por conta de uma denúncia de corrupção –, ele desistiu da candidatura.

Curioso ainda é que, além da afinidade política inusitada, há relações de parentesco envolvendo Roriz e o PT em Luiziânia. Cristóvão, que lidera as pesquisas de intenção de voto na cidade, é primo de Roriz. O petista Didi, vice na chapa, é marido da vereadora Cassiana Vaz Tormin (PT), que é prima de Cristóvão.

Nesta campanha, Didi e Roriz estiveram juntos em uma ocasião pedindo votos para Cristovão. Foi num evento num salão de festas da Luziânia. Enquanto Roriz falava, o petista batia palmas. De acordo com a deputada distrital de Brasília Liliane Roriz (PSD), filha do ex-governador, Weslian Roriz também estava no evento. Mulher de Roriz, ela assumiu a candidatura ao GDF em 2010 depois que seu marido desistiu.

Petistas e rorizistas protagonizaram outros momentos de união em Luiziânia. No lançamento da candidatura de Cristóvão, estavam no mesmo palanque o presidente da Câmara Legislativa de Brasília, Cabo Patrício (PT), e suas ferrenhas adversárias em Brasília, Liliane Roriz e a deputada distrital Celina Leão (PSD), ex-chefe de gabinete de outra filha de Roriz, a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), aquela que foi flagrada em vídeo recebendo dinheiro do mensalão do DEM do ex-governador José Roberto Arruda e escapou da cassação de seu mandato.

Não apoia o PT

Liliane Roriz afirmou ao Congresso em Foco que seu pai não mudou a relação com o PT: “Ele é contra o PT”. “O PT está apoiando o Cristóvão; não é o Roriz que apoia o PT”, disse. Ela afirmou que, no salão de festas, Roriz deu um cumprimento “frio” a Didi Viana. Apesar da atual inimizade, Roriz já foi petista: ele foi um dos fundadores do partido em Goiás.

Pessoas próximas ao governador dizem que o governador se sentiu incomodado de apoiar Cristóvão Tormin justamente por haver um petista na chapa. Mas por fim acabou ao lado do primo. Recebeu-o em sua fazenda no dia do seu aniversário, em agosto, praticamente formalizando o apoio ao candidato do PSD. Gravou para o programa eleitoral do candidato na TV, fez reuniões. Mas evita maiores aparições públicas ao lado de petistas, como a que ocorreu no salão de festas.

Tormin disse ao Congresso em Foco que Roriz está com ele porque entende que ele tem as melhores propostas. Destacou que também tem o apoio de senadores como Cristóvam Buarque (PDT-DF), outro que até tempos atrás não falava com Roriz, e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Está com Tormin até a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), do partido do seu oponente, Gastão Leite, e do atual prefeito da cidade, Célio Silveira.

Sem “negociata”

Cristóvão Tormin afirmou ao Congresso em Foco que o apoio de Roriz e de políticos de várias matizes ideológicas é bem vindo. “Tudo que vier para somar, pelo interesse maior, vamos aceitar, desde que não haja barganha, negociata”, disse ele na sexta-feira (5) à tarde, durante uma caminhada no bairro Parque Estrela Dalva 4, onde há dois anos foram assassinados adolescentes pelo chamado “monstro de Luziânia”. Ele garantiu não ter negociado nenhuma secretaria de seu governo com os partidos da coligação. “O principal fenômeno é agregar tantos partidos sem negociar nenhuma secretaria, sem estar amarrado”, disse Tormin.

O candidato afirmou que, ao contrário de Brasília, em Luziânia não há problema em reunir gente de pensamentos diferentes. “Aqui em Luziânia não tem disso. A gente olha os interesses da cidade”, desconversou. Ele nega que Roriz tenha pedido para ficar nos bastidores, numa postura mais discreta para evitar constrangimentos. “Ele nunca tocou em questão de PT. Não tocou em pessoas, em partidos”, garantiu Tormin.

Liliane Roriz vai na mesma linha do primo. Afirmou que o PT da cidade natal do pai “não tem tradição de esquerda”. “Sem postura radical e raivosa de perseguir pessoas”, explicou a deputada distrital.

Em Luziânia, disputam as eleições contra Cristóvão o tucano Gastão Leite, o Professor Augustinho (PSOL) e o policial militar Geraldão Silva (DEM).

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