Romero Jucá não é mais o líder do governo

Dilma não aceitou a chantagem feita pelo grupo de Sarney e Renan no Senado, e tirou de Romero Jucá a liderança do governo. Em seu lugar, entra o amazonense Eduardo Braga

A tática de pressionar a presidenta Dilma Rousseff, que o grupo peemedebista liderado pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL)  vinha fazendo não deu resultado. Dilma acaba de retirar da liderança do governo o principal aliado da dupla Sarney/Renan: o senador Romero Jucá (RR). No lugar de Jucá, assume o cargo o senador Eduardo Braga (PMDB-AM).

A semana começou quente no Congresso, como adiantou o Congresso em Foco, relacionando a pauta legislativa e o descontentamento da base aliada. Depois do veto, no Senado, à indicação de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e diante da ameaça de novas derrotas em votações importantes, a presidenta Dilma Rousseff resolveu promover a troca de comando – mas manteve o posto no PMDB, legenda que iniciou uma rebelião contra o “tratamento desigual” dispensado pelo Executivo aos partidos da base de sustentação, em tese beneficiando o PT.

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Depois de reunião da coordenação política no Palácio do Planalto, realizada na tarde de hoje  (12), o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) e o próprio Jucá (PMDB-RR) foram informados da decisão de Dilma, que pode promover a troca a qualquer instante, sem qualquer restrição formal. Trata-se da primeira mudança na coordenação política depois da derrota governista na semana passada, com o veto à indicação para a ANTT, abrindo espaço para o protagonismo do chamado “grupo dos oito” do PMDB – grupo de senadores “independentes” em relação ao comando de Sarney, Renan e o próprio Jucá.

Eduardo Braga evitou comentar a indicação ao deixar o Senado nesta segunda-feira, em respeito ao colega de partido. Confrontado com a confirmação da liderança do PMDB, ele disse que, se for mesmo indicado para o posto, ficará satisfeito em poder contribuir “com o governo e com o povo brasileiro”.

Ex-governador do Amazonas, Eduardo Braga foi o escolhido para a função sob a condição de que resgate, segundo orientações de Dilma, a harmonia dentro do partido. Com trânsito no Palácio do Planalto e internamente, entre alas divergentes do PMDB, o senador recebe da presidenta a missão de reunificação da legenda em um momento em que, na Casa vizinha, deputados divulgaram recentemente um manifesto – avalizado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, presidente licenciado do partido – com reclamações de perda de espaço no governo e da falta de diálogo com o Executivo.

E há a possibilidade de que a troca de comando na liderança do governo seja feita também na Câmara, com a saída de Cândido Vacarezza (PT-SP) – neste caso, no entanto, informações extra-oficiais dão conta de que ainda não existe um nome petista para substituí-lo. No caso daquela Casa, no entanto, uma eventual troca na liderança do governo seria interpretada como um rodízio natural no comando partidário, sem vir a causar questionamentos ou descontentamento interno. A versão palaciana para a substituição de Jucá é a mesma, mas em um contexto de insatisfação deflagrada entre os peemedebistas – com o elemento extra de reclamações internas, por parte do “grupo dos oito”, de concentração de poder nas mãos do grupo do senador.

Líder de governos

Ex-governador de Roraima, Romero Jucá exerceu o posto de líder do governo no Senado por 12 anos – abarcou as gestões Fernando Henrique Cardoso (a partir do segundo mandato), Lula e, até hoje, Dilma. Coincidentemente, a sua substituição ocorre na véspera de uma visita de Dilma ao Senado, para receber o Prêmio Bertha Lutz, que homenageia personalidades femininas – tapetes vermelhos já estão devidamente instalados no Salão Azul do Senado para a chegada da presidenta.

Vale lembrar que, na semana passada, ainda na esteira do Dia Internacional da Mulher (8 de março), Jucá evitou que o Projeto de Lei 130/2011 seguisse para a sanção presidencial – a matéria pune com multa empresas que pratiquem a discriminação salarial das mulheres (leia mais). Aprovado em caráter terminativo (sem precisar de votação em plenário) na Comissão de Direitos Humanos, em 6 de março, a matéria deveria ter sido enviada para Dilma sancioná-la, mas Jucá conseguiu as nove assinaturas necessárias para aprovar requerimento de votação em plenário.

Em nota, a assessoria de Romero Jucá disse que o senador só vai se pronunciar sobre a troca depois que ela for oficializada pela Presidência da República. E que, até então, ele ainda é o líder do governo no Senado.

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