Romário protocola pedido de abertura da CPI da CBF

Em prazo recorde, deputado consegue número mínimo de assinaturas e protocola pedido na Câmara. Mas abertura do colegiado pode demorar devido à fila de pedidos

O deputado Romário (PSB-RJ) protocolou, no início da noite desta quarta-feira (5), requerimento para instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar suspeitas de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Na semana passada, o deputado adiantou ao Congresso em Foco sua intenção de colher assinaturas esta semana para criar a CPI. A CPI pretente investigar questões como contratos fantasmas feitos com auxílio de laranjas, enriquecimento ilícito de dirigentes na CBF, pagamentos ao atual presidente e convocações consideradas estranhas.

Romário começa a colher adesões para a CPI da CBF

Para Romário, a confederação é uma "caixa-preta" que esconde informações que deveriam ser de amplo conhecimento público. "A gente não sabe o que acontece lá, a gente não sabe por que presidente se dá aumento, não sabemos por que ela tinha um contrato com uma empresa árabe cujo contrato caiu de valor, ninguém sabe de nada", afirmou. "Só existe sacanagem, falcatrua e muitas outras coisas."

Romário: "Chega de sacanagem no mundo da bola"

Em pouco mais de um dia, Romário conseguiu o apoio de 188 deputados que assinaram o documento. Mas a instalação da CPI ainda precisa percorrer um longo caminho para, de fato, começar a trabalhar. Isso porque, pelo regimento da Câmara, a Mesa Diretora deverá conferir as assinaturas e verificar se há um fato determinado para a abertura da comissão de inquérito. Depois, o pedido entra em uma lista, que já conta com outros nove requerimentos. Mas só cinco CPIs  podem funcionar simultaneamente. Por isso, seria necessário aprovar um projeto de resolução no plenário para conseguir a instalação de uma sexta comissão de inquérito, como a da CBF.

No entanto, Romário acredita que a CPI começa a funcionar no início do próximo ano. "Se eu fosse presidente da Casa, eu colocaria essa CPI como uma das primeiras, logo na abertura do próximo ano. Resolvendo o que está aqui, aquelas pessoas que fazem mal para o futebol, que são corruptas e hoje denigrem a imagem do futebol brasileiro, com certeza em 2014 não estarão presentes", afirmou.

Prioridade

Por causa da fila de comissões de inquérito à espera de instalação, o deputado disse que algumas investigações devem ter priorizadas.  "Não que essa seja mais importante, mas existem CPIs que têm mais prioridade que outras", afirmou Romário. Ele defendeu "atenção especial" à comissão de inquérito contra a CBF.  "É abrir definitivamente a caixa-preta do Congresso e saber o que está acontecendo e saber se as pessoas que estão lá prestam ou não", disse.

Romário disse que ainda não conversou com nenhum candidato à presidência da Câmara para fazer algum acordo. "Apenas pedi assinatura para  meus colegas e apenas dez disseram não, mas de uma forma muito educada. Alegaram que ainda não tinham conversado com suas lideranças", explicou.

O deputado disse que a imagem a imagem do Brasil, em evidência por causa da Copa do Mundo, está muito prejudicada. Para Romário, o ex-presidente da confederação Ricardo Teixeira é o grande responsável por tal prejuízo. "Acredito que a CPI tem a grande possibilidade de limpar o que foi sujo e daqui para a frente deixá-la limpa."

Transparência

O ex-jogador de futebol defendeu ainda que as regras assinaladas pela Lei de Acesso a Informações Públicas para todos os órgãos públicos também deveriam ser adotadas pela CBF. "A CBF não recebe dinheiro federal mas é isenta de impostos. Eu sou bastante favorável que ela abra um portal de transparência para que todos saibam. Mas, como só existe sacanagem, falcatrua e muitas outras coisas, não tem como. Senão, serão presos antes mesmo que a gente abra a CPI", finalizou Romário.

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