Romário: “povão” só vai ver a Copa pela TV

Deputado diz que alto preço de ingressos vai restringir acesso aos estádios às classes A e B e cobra preços compatíveis com a realidade brasileira. Para ele, Copa não será lembrada como uma das melhores já realizadas

Em 1994, nos Estados Unidos, o atacante Romário infernizou as zagas adversárias, marcou cinco gols, conquistou o troféu de melhor jogador do mundial e foi decisivo para que a seleção brasileira voltasse a ganhar uma Copa do Mundo após duas décadas. Um espetáculo que pouquíssimos brasileiros tiveram a oportunidade de ver nos estádios norte-americanos. A três anos da próxima Copa, o agora deputado Romário (PSB-RJ) acredita que o “povão” terá de se contentar mais uma vez, em 2014, a ver os jogos pela TV, mesmo a competição sendo realizada no Brasil.

Em entrevista exclusiva à TV Congresso em Foco, o ex-craque da seleção diz que apenas as classes A e B terão condições financeiras de comprar os ingressos para assistir às partidas nas 12 sedes. Oficialmente, os valores das entradas ainda não foram divulgados. Mas, segundo ele, serão um "absurdo".

“Aqueles que vêm de fora vão sair daqui com a melhor impressão possível. Mas infelizmente o povo brasileiro, principalmente das classes C, D e E, acredito que não terá nem a oportunidade de ver os jogos. Pelo que tenho visto, os preços dos ingressos serão um absurdo. Totalmente fora da realidade do brasileiro, o povão que gosta e curte futebol. Para mim, era hora de retribuir e colocar os ingressos dos jogos com valor compatível com o bolso de cada um”, declarou.

Veja a entrevista:


Romário avalia a organização da Copa

Crítico da forma com que o mundial está sendo organizado, Romário afirma não ter dúvida de que o evento será mesmo realizado no país, descartando a possibilidade de uma eventual substituição de última hora. Mas avisa: os organizadores farão uma “maquiagem” para encobrir as falhas que estão cometendo. O atraso nas obras dos estádios, dos aeroportos e de infraestrutura nas cidades preocupa o parlamentar. “Passar vergonha não é o termo correto, mas a gente estará longe de apresentar uma das melhores Copas de todos os tempos”, afirmou o “baixinho”.

Em seu primeiro ano como parlamentar, Romário conseguiu uma façanha que apenas outros dois novatos na política – Jean Wyllys (Psol-RJ) e Delegado Protógenes (PCdoB-SP) – repetiram na Câmara este ano: ser indicado como um dos finalistas do Prêmio Congresso em Foco. Quando concedeu a entrevista, no jantar de lançamento da premiação, Romário ainda não tinha recebido os 31 votos dos jornalistas que fizeram dele o décimo mais votado na Câmara, entre os 25 finalistas na categoria de melhor deputado. A classificação final será definida pelos internautas até o dia 9 de outubro.

Em outra entrevista ao Congresso em Foco, Romário atribuiu o reconhecimento dos jornalistas à sua atuação fora do plenário: nas comissões permanentes, nas frentes parlamentares e na fiscalização dos preparativos para a Copa do Mundo.

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