Romário: “Não me vejo como político de carreira”

Entrevista do ex-craque, agora deputado, marca a estreia da Rádio Congresso em Foco

Acostumado a brilhar nos campos de futebol, o deputado Romário (PSB-RJ) agora mostra desenvoltura nos gramados do Salão Verde da Câmara. Na última quinta-feira (6), antes de entrar para a lista de políticos enquadrados na Lei Seca, Romário apresentou emenda à Medida Provisória 529/2011, que, aprovada por consenso em plenário, beneficia milhares de pessoas com deficiência. A partir da aprovação, esses cidadãos podem continuar a receber o Benefício da Prestação Continuada, destinado a idosos e pessoas incapacitadas para a vida independente.

Romário estava radiante. Depois da sessão plenária deliberativa, o deputado foi à liderança do partido para confraternizar e agradecer o empenho de assessores em relação à matéria, sempre cercado de jornalistas. Foi quando concedeu a seguinte entrevista ao Congresso em Foco.

Ouça a entrevista na Rádio Congresso em Foco:

O senhor avalia como satisfatórios seus primeiros meses de mandato?
É muito bom saber que, dentre os novatos, eu esteja tendo uma participação muito positiva na opinião das pessoas. Vou te falar a verdade: nos primeiros dez, 15 dias em que cheguei nesta Casa, estávamos ainda em plenário, porque ainda não haviam sido decididas as comissões, nenhuma frente parlamentar tinha sida aberta ainda, naquele plenário, no cantinho, eu cheguei a pensar: “O que é que eu estou fazendo aqui nesta Casa?. Num habitat 100% diferente do meu, onde eu tenho conhecimento de praticamente quase nada relacionado à política”. Mas nada como o tempo, né? O tempo é o tempo.

O que mudou?
Hoje, se passaram quase cinco meses, eu posso te falar que, dentro da minha profissão no futebol, o momento em que eu fui mais feliz foi em 1994, quando ganhei a Copa do Mundo. Então, depois do futebol, hoje com certeza foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Isso independe até dessa MP 529, que passou. Hoje, eu cheguei à conclusão de que eu poderia ter chegado a esta Casa antes, porque as pessoas, realmente, me têm aqui como celebridade, como ídolo, mas o mais importante é que conquistei aqui nestes cinco meses, a credibilidade, a confiança das pessoas em mim. E elas sabem que eu tenho meus objetivos, e eu sempre vou brigar muito por eles. E, graças a Deus, um deles eu já consegui hoje.

Sua atuação mais convincente tem se verificado no plenário ou nas comissões?
Não vou dizer mais convincente, mas onde eu mais atuo é, com certeza, nas comissões, principalmente na Comissão de Desporto e Turismo – comissão essa que é responsável por fazer visitas às cidades-sede da Copa do Mundo. E, depois dessa comissão, eu tenho participado também das frentes. Eu faço parte da Frente Parlamentar em Defesa dos Deficientes, da Frente Parlamentar em Defesa da Educação Física. E assinei também documentos da Frente Parlamentar da Juventude. Não sou parte da diretoria, mas sempre que posso, participo. E da Frente Parlamentar contra o Crack – ou seja, são várias coisas, e todos esses temas têm tudo a ver com as minhas plataformas, com os meus objetivos na política, que são direcionados à criança, aos jovens, e ao esporte em geral, principalmente o futebol, que sempre foi a minha praia. Acredito que não tenha nenhuma outra ferramenta hoje no mundo, principalmente no Brasil, que possa fazer a inclusão social desses jovens que hoje estão envolvidos no tráfico, nas drogas. Essas frentes parlamentares que estão relacionadas às pessoas com deficiência têm me ajudado muito. Dali, saem grandes ideias, e uma delas foi essa em que tive grande sucesso hoje. Fico feliz em poder dar uma contribuição, em tão pouco tempo, com certeza para milhões de brasileiros. Não só às pessoas com deficiências, mas para seus familiares, parentes mais próximos.

Existe um setor da imprensa que prefere enfatizar o que considera deslizes no exercício do mandato, numa abordagem sensacionalista – caso da notícia de que o senhor foi jogar futevôlei na primeira semana de mandato, em uma tarde de quinta-feira em que era escolhido o nome do novo presidente da Câmara. Como o senhor lida com isso?
Você já deve conhecer um pouco o meu histórico em relação à minha vida na imprensa. Eu tive e terei sempre problemas com esse tipo de imprensa. Você colocar uma notícia negativa que seja verdadeira, eu sou a favor. Eu nunca vou chegar para um jornalista – pode ser meu melhor amigo, e eu tenho amigos jornalistas – e pedir para não colocar [uma notícia], porque eu seria desonesto com ele. Agora, você colocar uma notícia negativa mentirosa, isso já faz parte da minha vida. Então, já estou acostumado com isso. Se você vir hoje o site do governo [Romário, na verdade, faz referência ao site da Câmara], eu, Romário de Souza Faria, sou o único deputado que tem 100% de presença entre todos, tanto no plenário como nas comissões e nas frentes parlamentares. Então, se colocaram, no meu terceiro dia como deputado, “Romário falta à sessão”, está mais do que comprovado que isso é mentira. Mas, como te falei, eu já estou acostumado com isso.

É um preço caro demais para exercer mandato de deputado federal?
Eu vou te falar com muita verdade: isso que aconteceu hoje foi um ganho muito interessante, muito grande para as famílias. Só por se tratar de o Romário ter sido o autor desta [emenda à] MP, eu acredito que muitos veículos talvez não dêem a importância que tem de ser dada a isso. Eles preferem publicar que eu jogo futevôlei, que eu tenho em meu gabinete uma dentista e uma psicóloga que são bonitas e não podem trabalhar na política... Enfim, resumindo a tua pergunta, eu já estou acostumado com isso, e a única coisa que eu posso dizer a eles é que eles vão acompanhar a minha atuação. E que, por mais que a torcida possa vir a ser negativa, eu vou ter sucesso aqui como eu tive na minha de jogador de futebol. E já comecei a partir de hoje.

E se esse sucesso implicar para seus correligionários a vontade de que o senhor tente um segundo mandato, retorne à Câmara?
Eu vim para Brasília para lutar, para fazer nesses quatro anos alguma diferença em relação a esses objetivos, a essa plataforma de que te falei. Hoje, eu ainda não consigo me ver como um político de carreira, ou seja, em mais um mandato. É por isso que eu tenho comigo que eu vou ter de lutar muito para conseguir o máximo de coisas positivas para essas crianças, para esses jovens, para essas pessoas com deficiência. Esse é o meu pensamento, e é isso que fazer com que eu realmente me foque, como eu estou focado na política hoje.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!