Rollemberg reage e vai ao Conselho de Ética e à Justiça contra Laerte Bessa

Deputado federal chamou governador do Distrito Federal de "maconheiro", "cagão" e "safado" no Plenário da Câmara. Se condenado, ele pode perder o mandato e ser processado por difamação e danos morais

 

Chamado de "maconheiro", "cagão", "safado" e "frouxo" pelo deputado federal Laerte Bessa (PR-DF), o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, promete reagir e tomar medidas políticas e judiciais contra o parlamentar. Ao Congresso em Foco, o governador afirmou que pediu à liderança de seu partido, o PSB, na Câmara dos Deputados, para entrar com uma representação contra Bessa no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Já na esfera judicial, Rollemberg afirmou que vai processar o deputado por danos morais.

"Quem desrespeita com palavras de baixo calão o governador de uma unidade da Federação está desrespeitando a própria população que elegeu aquele governador", afirmou Rodrigo Rollemberg, para quem "palavras de baixo calão, como as proferidas pelo deputado, não cabem na boca de um parlamentar, tampouco respeitam o decoro parlamentar".

A bancada do PSB na Câmara dos Deputados decidiu por unanimidade entrar com uma representação no Conselho de Ética pedindo a cassação do mandato de Laerte Bessa por quebra de decoro. O vice-líder do partido na Casa, deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), afirmou ao Congresso em Foco que "um partido com a história do PSB não poderia ficar passivo após as agressões proferidas pelo deputado".

Segundo Alencar, as palavras sequer remetem a fatos políticos, mas "são pura e simplesmente agressões". O documento deve ser protocolado no colegiado ainda nesta semana.

Já na esfera judicial, o governador afirmou que vai processar Bessa por difamação e danos morais. Caso condenado, as penas para os crimes vão de multa a detenção de três meses a dois anos.

O caso

Revoltado por não ter sido atendido pelo governador ontem (segunda, 17) no Palácio do Buriti (sede do governo local), Laerte Bessa se revoltou e foi ao plenário da Câmara criticar Rollemberg. "Ele disse que atenderia todo mundo, menos eu. Porque tenho dito verdades nos meios de comunicação", afirmou.

Subindo o tom dos ataques, Bessa disse que "Brasília está abandonada" porque Rollemberg "é vagabundo" e "não trabalha". Veja no vídeo abaixo:

 

O deputado federal queria participar de uma reunião entre o governador, deputados distritais e representantes dos sindicatos da Polícia Civil do Distrito Federal que negociam reajustes salariais - já negados pelo Executivo Local, que afirma não ter dinheiro para bancar os aumentos. O encontro, que terminou por volta das 18h40, aconteceu no mesmo dia em que a Polícia parou as atividades por 24h. Na ocasião, os sindicalistas ainda informaram ao governador que vão parar novamente na quinta-feira (20).

Rixa antiga

No último dia 10, Bessa foi à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Rollemberg. Na ação, o deputado afirma que houve uma suposta interferência do governador na CPI da Saúde, na Câmara Legislativa. Segundo Bessa, o presidente da CPI, deputado Wellington Luiz (PMDB) foi intimidado pelo Rollemberg, que teria dito ao parlamentar que "a guerra estava declarada".

Na Câmara Federal já corre um processo contra Bessa no Conselho de Ética protocolado pelo PT. Segundo o partido, o deputado proferiu em discurso no Plenário da Câmara ofensas não apenas contra o PT, mas também contra os ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula, além dos cidadãos filiados do partido. Para relatar o caso de Laerte Bessa, o presidente do Conselho de Ética terá que escolher entre os deputados Sérgio Moraes (PTB-RS), Professor Vitorio Galli (PSC-MT) e Mauro Lopes (PMDB-MG).

Procurado para comentar o assunto, Laerte Bessa não respondeu aos contatos deste site até o fechamento da reportagem. Sua assessoria de imprensa diz, no entanto, que o parlamentar por enquanto não vai se manifestar.

 

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