Rodrigo Maia se diz realista sobre reforma da Previdência: “Sem o PSDB, não vamos a lugar algum”

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ter passado de "pessimista" para "realista" na análise sobre as chances de aprovação do novo texto da reforma da Previdência, cuja votação está prevista para a próxima terça-feira (12). Mencionando a possibilidade de que o governo obtenha até 330 votos, quando são necessários 308 para aprovar a proposta de emenda à Constituição, o deputado voltou a mencionar a importância do PSDB, que está em vias de desembarque do governo Michel Temer, para o êxito governista.

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"Sem o PSDB, não vamos a lugar algum. Mas o importante é que a gente trate da Previdência e deixe as eleições para 2018", disse o deputado, em alusão às futuras alianças eleitorais e ao próprio contexto da corrida presidencial que tem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como um dos protagonistas da disputa.

As declarações foram feitas por Rodrigo Maia depois de um evento em São Paulo, ao ser questionado por jornalistas sobre a implicação do ano eleitoral de 2018 nos planos do governo. Como pano de fundo, o anunciado fim da aliança dos tucanos com o governo que, segundo Temer, será "elegante", embora metade da bancada parlamentar faça críticas ferrenhas à gestão peemedebista e as acusações de corrupção que envolvem até o presidente da República.

Apontado na ocasião como possível candidato a vice-presidente da República em uma chapa com o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em 2018, Maia se esquivou e se disse postulante, ao menos por ora, a um novo mandato na Câmara. "Não quero tratar de eleição. Não estou preocupado com eleição! Porque eu acho que, se não fizermos as reformas, principalmente a previdenciária, nós vamos ter um 2018 muito ruim, um 2018 como a Dilma teve no início de 2015", declarou o deputado, lembrando que a ex-presidente petista prometeu reformas naquele ano e não as executou, tendo como consequência a recessão econômica.

Um dos principais apoiadores da pauta reformista de Temer – e, nessa condição, peça central na rodada de reuniões com Temer e parlamentares aliados neste fim de semana, inclusive do PSDB –, o deputado afirmou que até o último sábado (2) estava pessimista, estado de espírito alterado depois de almoços e jantares servidos na residência oficial da Câmara e outros palácios do poder em Brasília. Para o parlamentar, caso a reforma não seja promovida rapidamente, o país se assemelhará à situação fiscal da Espanha e de Portugal, abalados com severa recessão econômica nos últimos anos e submetidos a providências, com intervenção judicial, como revisão de direitos adquiridos.

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Politiquês

O deputado reconheceu que o tema, por ser polêmico, deveria ter sido apresentado de maneira simplificada à sociedade. Para o parlamentar, o conteúdo a ser levado a público são as questões da idade mínima para aposentadoria, que a partir do próximo ano seria de 53 anos para mulheres e 55 para homem; a regra de transição, em 20 anos, para 65 anos de idade para ambos os gêneros; e a versão de que o trabalhador mais pobre, que recebe até dois salários mínimo, "está 100% garantido", nas palavras do próprio Rodrigo Maia.

O deputado disse que o assunto está "contaminado há muitos anos". "Se nós não fizermos a reforma, nós vamos continuar tendo o maior programa de distribuição de renda do mundo. E de forma incrível: o único país do mundo onde as pessoas que ganham menos financiam as pessoas que ganham mais", declarou o deputado, acrescentando que há "muita distorção" no debate sobre o assunto e por isso, há tanta dificuldade em aprovar a matéria.

"Vai dar uns 330 [votos de deputados). Alguns foram excluídos da nossa conta porque estão com posição contrária. Então, a princípio a gente tem, dentro dos partidos que apoiam a reforma, 325 votos. E tem mais 45 ou 50 deputados, de outros partidos, que não estão na oposição, mas também não estão na base [de sustentação ao governo]", vislumbrou.

Rodrigo Maia disse ainda que, aprovada a reforma, os indicadores macroeconômicos seria rapidamente alterados, com taxa de desemprego caindo a 8% e crescimento do Produto Interno Bruto anual situado "entre 3% e 4%" já a partir do próximo ano. O parlamentar fluminense disse ainda que o novo texto não tem qualquer interferência em 70% dos contribuintes brasileiros. "Não estamos tirando um real de ninguém", arrematou.

 

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