Rodrigo Maia elege unificação da base e pautas econômicas como prioridades de sua gestão

Novo presidente da Câmara vai buscar ainda o apoio da bancada evangélica, que queria Rogério Rosso no lugar de Eduardo Cunha. Planalto diz que a Casa está em boas mãos e espera aprovar matérias de recuperação da economia

O novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tão logo foi eleito a já se encontrou com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o presidente interino Michel Temer. Buscando unificar a base do governo, Maia prometeu ao chefe do Executivo priorizar as matérias de recuperação da economia e aprovar ainda neste ano a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos – que é uma das prioridades do governo interino.

Apesar de ter derrotado no segundo turno da eleição para a presidência Rogério Rosso (PSD-DF) – candidato também do grupo governista – Rodrigo Maia diz que não há disputa interna e que pretende manter o diálogo tanto com a situação, quanto com a oposição. O presidente interino Michel Temer comemorou a vitória de Maia e disse que o "Brasil está se distensionando".

Na primeira agenda como presidente, nesta quinta-feira (14), Rodrigo Maia também esteve com o senador Aécio Neves, presidente do PSDB. "Temos que fazer um pacto com os partidos para enfrentar, além da pauta econômica, a pauta política", afirmou o senador. Para Maia, o apoio dos tucanos foi essencial para sua vitória.

Um dos desafios internos de Rodrigo Maia é quanto a bancada evangélica. Os religiosos, que apoiaram em peso Rogério Rosso, não são simpáticos ao novo presidente da Casa e possuem grande relevância no quadro interno, com cerca de 200 parlamentares. O grupo é contra Maia porque ele foi o autor do requerimento para votação em regime de urgência do projeto de lei que criminaliza a homofobia – aprovado pela Câmara em 2006 e parado no Senado

Cunha

Ex-aliado de Cunha, Rodrigo Maia sinalizou que deve colocar em pauta a cassação do ex-presidente da Casa em agosto – na volta do recesso parlamentar. "Se depender da minha vontade, (a cassação) será votada assim que os trabalhos e a Casa tiver quórum", disse o novo presidente.

Maia diz que não se arrepende de ter apoiado Cunha em certo momento e que o peemdebista "foi um grande presidente da Câmara". Afirmou ainda que não vê a derrota de Rogério Rosso como uma derrota de Eduardo Cunha na corrida pela presidência da Câmara. Porém, acredita que Rosso ficou marcado como aliado de Cunha, o que pode tê-lo atrapalhado na reta final da disputa.

Quanto ao "centrão", grupo de apoio criado por Cunha, que apoiava Rogério Rosso, o novo presidente disse que não haverá problemas. "O resultado da eleição prova que os deputados não estão satisfeitos com essa pecha de centrão. O PR me apoiou, é uma sinalização forte de que está na hora de acabar, não com o centrão, mas com essa divisão na própria base", avaliou.

Rodrigo Maia conquistou o apoio tanto de opositores, quanto de governistas, e fica no cargo até fevereiro de 2017, quando a Casa fará nova eleição para a Mesa Diretora. Pautas polêmicas como a reforma política e a reforma da previdência não estão no radar de votações do democrata pelo menos nos primeiros meses de mandato. O Congresso entra em recesso parlamentar e só retoma os trabalhos no dia 2 de agosto.

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