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Risco no Executivo é maior, alerta cientista político

População cobra mais dos prefeitos do que dos parlamentares, o que aumenta os riscos de insucesso dos políticos mais jovens, diz professor da UnB

Instado por este site a comentar o cenário de renovação e do grande número de candidatos de pouca idade no país, assunto de reportagem publicada na manhã de hoje (domingo, 9), o cientista político Octaciano Nogueira disse acreditar que o processo eleitoral em nível municipal serve para lapidar os postulantes novatos ou com pouca experiência em mandatos eletivos. Professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), ele acredita que os políticos jovens ficam mais expostos quando assumem cargos no Executivo em relação àqueles que estão no Legislativo.

Candidatos jovens tentam vencer desconfiança

“É claro que um candidato experiente é melhor que um inexperiente. Agora, o que se presume é que, na eleição municipal, como há uma interação muito grande entre o candidato e o eleitor, eles têm condições, mesmo que não tenham experiência, de adquiri-la”, observa Octaciano, para quem gestores e parlamentares municipais, em razão da proximidade física, são mais cobrados do que congressistas.

“Uma vez eleito, o prefeito, bem como o vereador, será muito mais fiscalizado do que um senador, do que um deputado federal, porque o eleitor está muito próximo dele”, acrescenta o especialista, para quem as eleições municipais são interessantes justamente por promover a “cultura cívica” do cidadão. À medida que o eleitor percebe que pode contribuir com o voto, diz Octaciano, tal relação tende a ser intensificada.

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Para o professor, ainda há muito espaço no Brasil para a política em família, em que a herança também se dá em nível político-partidário. Lembrando que o Brasil é o segundo maior eleitorado do mundo ocidental, como ele mesmo registra no artigo “A revolução e o voto no Brasil”, publicado em julho, Octaciano diz que o universo de 138 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar, distribuídos por todos os níveis de formação, é um dos fatores que asseguram as velhas práticas assistencialistas.

“Evidentemente, havemos de convir que tem muito parentesco, não é?”, brinca o professor, lembrando que a formação dos currais eleitorais ainda é baseada na proximidade entre eleitor e eleito, em uma relação direta de troca de favores. “Ainda mais em uma eleição municipal, em que as coisas são mais fáceis, os candidatos estão mais próximos do eleitor. Tudo isso facilita.”

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