Revistas: a sonegação do Pastor Marcos Feliciano

Declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral pelo deputado Pastor Marcos Feliciano em 2010 omite, por exemplo, que ele é proprietário da GMF Consórcios, que vende imóveis para os próprios fiéis, revela revista

ISTOÉ

A sonegação de Feliciano
"Realize, em nome de Jesus, o sonho da casa própria. Com apenas R$ 300 por mês você adquire um consórcio que dará uma carta de crédito de R$ 30 mil.” Era com essa frase que o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) encerrava, até bem pouco tempo atrás, seu programa de pregações na tevê. Na tela, o sermão teatral era substituído pelo apelo comercial, enquanto números de telefones em seis capitais, inclusive Brasília, surgiam no canto da tevê com o logotipo da empresa GMF Consórcios. Quando foi questionado por estar se utilizando da fé alheia para acumular lucros, Feliciano saiu com a desculpa de que fazia apenas a propaganda de um patrocinador de seu programa televisivo. Agora se sabe que ele não falou a verdade. A GMF pertence ao próprio pastor. Foi criada em 2007 com mais três pastores. A atividade econômica era “comércio de programas de computador e serviços de internet”, mas mudou para “administração e representação comercial de consórcios de bens e direitos”. No contrato social, obtido por ISTOÉ, os sócios foram substituídos por Edileusa Feliciano, sua mulher.

Leia aqui no Congresso em Foco tudo sobre o caso do Pastor Marcos Feliciano

Poderia ser uma questão meramente ética ou ideológica. Uma discussão sobre a mercantilização da fé, de um pastor que se notabiliza por arrancar senhas de cartões de crédito e somas em dinheiro de milhares de fiéis. Afinal, o que esperar de um líder religioso que prega a intolerância sexual e o preconceito racial? Nada disso o impediu de assumir, após uma costura partidária atrapalhada, a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Trata-se da maior aberração política dos tempos recentes. E Feliciano ainda cometeu desvios graves de conduta, incompatíveis com o exercício do mandato parlamentar. Na declaração de bens que apresentou à Justiça Eleitoral em 2010, por exemplo, ele omitiu ser proprietário da GMF Consórcios. Outra empresa também ficou fora da declaração de renda de Feliciano: a Cinese – Centro de Inteligência Espiritual, um curso preparatório para concursos cujas atividades foram encerradas no fim de 2009 e deveriam constar na declaração de Imposto de Renda do ano seguinte. Entre os R$ 634,8 mil em bens declarados oficialmente pelo pastor-deputado constam apenas as empresas Kakeka Comércio de Brinquedos e Vestuário, Marco Feliciano Empreendimentos Culturais e Eventos, e Tempo de Avivamento Empreendimentos, além de cinco veículos e oito imóveis. Informações registradas em base de dados de crédito, porém, indicam ao menos outros seis endereços em seu nome. Os imóveis ficam localizados nas cidades paulistas de Orlândia, Ribeirão Preto e São Paulo.

Os negócios tocados por Marco Feliciano e sua mulher, Edileusa, obedecem a um “modus operandi”. Primeiro, as empresas são criadas em nome de pastores que trabalham para a dupla. Em seguida, eles repassam suas cotas para Feliciano. Alguns desses ex-sócios hoje têm seus salários pagos com verba da Câmara. É o caso do pastor André Luis de Oliveira, que recebe até R$ 7 mil do gabinete de Feliciano, mas nem sequer bate ponto lá. Oliveira, na verdade, comanda o templo da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento em São Joaquim da Barra (SP). O pastor foi um dos fundadores da GMF Consórcios, ao lado de Joelson Heber Tenório, outro assessor fantasma cujos vencimentos somam R$ 6 mil. Tenório dirige a filial da igreja de Feliciano em Ribeirão Preto. O mesmo acontece com Rafael Octavio, pastor da igreja em Franca, funcionário do gabinete com salário de até R$ 7 mil e ex-sócio na Grata Music, empresa registrada em nome da mulher de Feliciano. Além de agraciar com dinheiro público pastores amigos, eles ainda eram sócios de Feliciano quando este já era deputado, o que pode complicar ainda mais a sua situação.

Estádios sem 4G?
A Fifa exige que as sedes da Copa das Confederações, que acontece em seis capitais brasileiras entre 15 e 30 de junho, tenham banda larga de última geração (4G), 100 vezes mais veloz do que a 3G e com maior capacidade de transmissão de dados. Como essa tecnologia opera em frequência mais alta do que a 3G, é preciso três vezes mais antenas para reforçar seu sinal. Isso exige a instalação de uma infraestrutura de cobertura indoor (dentro de ambiente fechado). É nessa questão que reside um grande problema. As operadoras de telefonia dizem que não tiveram tempo hábil para instalar os aparelhos necessários.

Até a quarta-feira 13, nenhum milímetro de cabo de fibra ótica para cobertura indoor tinha sido instalado nas arenas do Rio de Janeiro, da Bahia, de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e do Recife, sendo que as negociações para colocação só foram recentemente concluídas com sucesso nas três últimas cidades. Como as operadoras levam em média 120 dias para instalar os aparelhos, a situação é preocupante. “O celular dentro do estádio pode travar, ficar lento ou nem receber sinal”, adverte o engenheiro Marcos Wrobel, diretor da RFS do Brasil, fabricante de soluções para comunicação sem fio. “O foco, agora, é ter cobertura mínima razoável, suprindo as áreas da Fifa, dos convidados vip e da imprensa”, diz o engenheiro.

A voz do pastor militante
Em um dos protestos na Praça de Maio, em dezembro de 2001, o então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, avistava da janela de seu apartamento, localizado no prédio da Cúria ao lado da Catedral, os manifestantes gritando palavras de ordem contra o então presidente Fernando de la Rúa, que acabou renunciando. No principal palco dos grandes dramas argentinos, os gases lacrimogêneos chegavam até seu quarto, no segundo andar do edifício. Ao perceber que uma senhora apanhava de policiais, decidiu telefonar para o ministro do Interior. Foi atendido por um assessor a quem pediu que as forças de segurança não agissem com violência contra a população.

Na democracia, o papa Francisco sempre se mostrou um cidadão ativo politicamente. Que vai para as ruas acudir os necessitados. Que sai em marcha com os pais que perderam filhos na tragédia da boate Cromanon, na qual morreram 194 pessoas em 2004. Na ditadura em que a Argentina esteve mergulhada entre 1976 e 1983 seu papel é mais obscuro. É acusado de colaborar com os agentes da repressão, o que ele nega e classifica de calúnia.

Nos últimos anos como arcebispo, ele falava em seus sermões de justiça social, da destruição do trabalho digno, criticava a corrupção e a falta de transparência do poder público. Também mencionava em suas homilias o sentido da pátria e das instituições. Por suas declarações, converteu-se em um adversário do casal Kirchner. O ex-presidente Néstor chegou a chamá-lo de “chefe da oposição”. Com a presidenta Cristina conseguiu manter uma relação mais cordial. O maior embate entre os dois ocorreu em 2010, quando a Argentina se tornou o primeiro país latino-americano a aceitar o casamento homossexual. Ortodoxo em temas morais como união gay – que classificou como “plano do diabo” – e aborto, o papa Francisco bateu duro na presidente. A saudação fria e formal da Casa Rosada à sua eleição é um indicativo da distância que os separa. Enquanto a população foi às ruas comemorar, o governo soltou uma nota oficial na qual congratulava burocraticamente a chegada do primeiro pontífice argentino ao trono de Pedro. Cristina, no entanto, anunciou que irá assistir à posse em Roma, na terça-feira 19.

A rebelião dos governadores
Reunidos na quarta-feira 13 no Congresso Nacional, 18 governadores voltaram suas baterias contra o governo federal. Reclamaram do tratamento dispensado e questionaram a postura centralizadora da União na distribuição de recursos. A redistribuição das verbas repassadas ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) está prevista para entrar na pauta na próxima semana. Os governadores reivindicam a revisão do indexador usado para pagamento de juros das dívidas e a inclusão do repasse para os Estados de 13% da verba arrecadada com a Cofins e com a CSLL, como forma de compensar a perda de arrecadação decorrente das desonerações de IPI. Além de terem como aliados os presidentes da Câmara e do Senado, as propostas contam com o apoio do senador Aécio Neves (PSDB) e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE). O debate promete esquentar. Das reivindicações feitas pelos governadores, três dependem de acerto com a União, e não estão na pauta de temas considerados negociáveis pelo Planalto.

MP de Minas se recusa a investigar Lula e manda o caso para Brasília
A Procuradoria da República em Minas Gerais descartou investigar as acusações de Marcos Valério sobre a suposta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão. Agora, o depoimento prestado por Valério em setembro de 2012 será remetido ao Ministério Público Federal em Brasília. O procurador federal em Minas Gerais Leonardo Augusto Santos Melo afirmou não ter competência para investigar as acusações, já que a maior parte dos episódios relatados não teria ocorrido em território do Estado.

CARTACAPITAL

O etanol no limbo
Marcelo faria percorre 150 quilômetros por dia. É uma fase crucial de seu trabalho, tenta me explicar, enquanto descreve as diferenças entre as variedades de plantas em um imenso canavial de fronteiras inalcançáveis pelos olhos. Para um urbanoide, é impossível enxergar qualquer peculiaridade naquele mar de folhas retorcidas que tentam se proteger do sol abrasador. Faria, ao contrário, as vê como bebês, ou crianças, com todas as suas potencialidades e deficiências. Seu trabalho é extrair o máximo de cada caule quando a colheita começar, daqui a um mês, no coração de Mato Grosso do Sul. “A safra vai ser boa”, afirma, ao lado de um pé de cana de 2,5 metros de altura.

Aos 30 anos, Faria é um trabalhador experiente. Começou a frequentar canaviais no interior de São Paulo aos 12 anos, em companhia do pai. Nessas quase duas décadas, o gerente agrícola assistiu a uma mudança sem precedentes no setor. Na nova fronteira da cana no Centro-Oeste, não há espaço para os migrantes temporários, os boias-frias. Com eles desapareceram as condições desumanas de trabalho e a exploração ao estilo escravocrata. Os facões imprecisos e as queimadas criminosas foram substituídos por colheitadeiras guiadas por satélite. Até novembro, as máquinas ficarão ligadas 24 horas por dia, sete dias da semana. Um pouco mais de 500 trabalhadores bastam para entregar à usina 4,6 milhões de toneladas de cana que serão convertidos em 350 milhões de litros de etanol e 300 mil megawatts/hora de energia elétrica, o suficiente para abastecer 100 mil residências.

Amizade de resultados
Espaço privado travestido de público, o Facebook acaba de redesenhar a sua estratégia de marketing – e muitos usuários talvez não apreciem as novidades nascidas da intenção, legítima, de faturar mais. Com 10,4 milhões de amigos, o escritor Paulo Coelho não curtiu o novo modus operandi, parou de atualizar a sua página e tuitou as razões do desconforto: “Por que o Facebook pede que eu pague 10 mil dólares para que você me veja?”

Ao contrário do que muitos supõem, não é possível saber exatamente quantos “amigos” enxergam o que é publicado na rede. Um programa chamado EdgeRank filtra o material de forma a levar ao usuário o “mais relevante”, a partir de variáveis como a afinidade e o momento da postagem (as mais novas sobrepõem-se às antigas). Estudos recentes sugerem um índice de visibilidade de 30%, em média, ou de 16% para quem tem de mil a 5 mil fãs. No caso de um Paulo Coelho, cai a até 5%. Os milhares de dólares serviriam para elevar o alcance a 80%.

A nova forma de negócio correu o mundo após um colunista do New York Times, Nick Bilton, perceber que os seus posts não faziam o mesmo barulho de outros tempos, a despeito de sua base de amigos ter crescido. Assim que investiu 7 dólares, segundo o jornalista, quintuplicou o número de indivíduos que visualizaram o post, de acordo com o próprio site. “Parece que o FB não está apenas promovendo meus links quando pago por eles, mas, possivelmente, suprime aqueles pelos quais não paguei.”

Um Wojtyla na América do Sul?
Aos fiéis que se atiram a celebrar a perspectiva de uma “nova” igreja recomenda-se cautela. Cabe a pergunta: em que a eleição inesperada do papa Francisco teria condições de garantir a modernização da Santa Romana Igreja? Quem estiver atento aos humores dos ainda maiorais do mundo habilita-se à percepção de que a escolha de Jorge Mario Bergoglio esconde sutilmente razões precisas e nada alvissareiras. Preferiu-se um argentino (e só faltava esta para os brasileiros prontos a celebrar Odilo Scherer como primeiro papa nativo) na visão de uma América Latina pronta a elevar Chávez à glória dos altares da independência.

Estamos no subcontinente de Correa e Morales, de José Mujica e Cristina Kirchner, de Lula e Dilma Rousseff, todo um pessoal empenhado em tomar rota própria, e a contar com vento de popa na economia.  Seria Francisco I o discípulo da geopolítica de Wojtyla aplicada em uma América rebelde? A dúvida é pertinente. Não vale iludir-se com outra ideia, de que Bergoglio é o primeiro oriundo das Américas, ou de qualquer país extraeuropeu.

As expectativas, é verdade, giravam em torno do retorno a um romacentrismo (consagrado com a eleição do polonês João Paulo II, em 1978) caso vencesse um dos favoritos, o arcebispo italiano de Milão, Angelo Scola. Por outro lado, a vitória de Odilo Scherer representaria um atraso, segundo Leonardo Boff, “dado o contexto global, seja ecológico, financeiro ou interno da igreja.

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