Revistas: Tuma Jr. diz que descobriu conta do mensalão no Caribe

“O governo e a Polícia Federal não quiseram investigar”, afirma ex-secretário Nacional de Justiça a Veja. Em Istoé, documentos mostram que máfia dos trens superfaturou contratos em quase R$ 1 bi na gestão Serra

VEJA

O guerreiro da paz

Nelson Mandela 1918-2013

Em vez de se assumir como um mito, ele expunha os próprios erros. Não era pacifista, mas buscava a paz. Abominava o regime de segregação, mas não guardou rancor de seus representantes. Ascendeu à Presidência nos braços da maioria, mas não se aproveitou dela para se eternizar no poder. Entenda por que o líder sul-africano, morto na semana passada aos 95 anos, deixou uma marca indelével na História.

O livro-bomba

Tuma Jr. Conta o que viu no governo Lula: é de estarrecer.

A Secretaria Nacional de Justiça é um posto estratégico no organograma de poder em Brasília. Os arquivos do órgão guardam informações confidenciais de outros países, listas de contas bancárias de investigados e documentos protegidos por rigorosos acordos internacionais. Cercado por poderosos interesses, esse universo de informações confere ao seu controlador acesso aos mais restritos gabinetes de ministros e a responsabilidade sobre assuntos caros ao próprio presidente da República. Durante três anos, o delegado de polícia Romeu Tuma Junior conviveu diariamente com as pressões de comandar essa estrutura, cuja mais delicada tarefa era coordenar as equipes para rastrear e recuperar no exterior dinheiro desviado por políticos e empresários corruptos. Pela natureza de suas atividades, Tuma ouviu confidências e teve contato com alguns dos segredos mais bem guardados do país, mas também experimentou um outro lado do poder — um lado sem escrúpulos, sem lei, no qual o governo é usado para proteger os amigos e triturar aqueles que são considerados inimigos. Entre 2007 e 2010, período em que comandou a secretaria, o delegado testemunhou o funcionamento desse aparelho clandestino que usava as engrenagens oficiais do Estado para fustigar os adversários.

As revelações de Tuma sobre esse lado escuro do governo estão reunidas no livro Assassinato de Reputações — Um Crime de Estado (Topbooks; 557 páginas; 69,90 reais), que chega às livrarias nesta semana. Idealizado inicialmente para desconstruir a campanha de difamação de que o autor foi vítima (Tuma foi demitido do governo sob a acusação de manter relações com contrabandistas), o livro, escrito em parceria com o jornalista Claudio Tognolli, professor de duas universidades em São Paulo, pescou mais fundo das memórias do autor: “Entrevistei Tuma Junior seis dias por semana durante dois anos. Ele queria uma obra baseada na revelação de fatos, queria que a publicação do livro o levasse ao Congresso para depor nas comissões, onde ele poderia mostrar documentos que não tiveram lugar no livro na sua inteireza”. Fica a sugestão.

O senhor diz no livro que descobriu a conta do mensalão no exterior.

Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar. Quando entrei no DRCI, encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a VEJA tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo.

Polícia

A prisão das cafetinas de Brasília

Justiça

O STF decreta a prisão de mais quatro mensaleiros

Especial Copa

Um guia completo para conhecer os caminhos do Brasil até a sonhada final

 

ISTOÉ

O último herói

Com a morte do extraordinário líder sul-africano que implodiu o apartheid, desaparece também um personagem cada vez mais raro em nosso tempo: alguém capaz de mudar o mundo ao lutar por uma ideia, mesmo que as circunstâncias conspirem contra ela

E agora, Serra?

O ex-governador José Serra nega irregularidades, mas novos documentos obtidos por ISTOÉ mostram que a máfia dos trens, incentivada por agentes públicos, superfaturou contratos em quase R$ 1 bilhão durante sua gestão.

A primeira reação da maioria dos políticos que se tornam alvo de denúncias de corrupção é negar enfaticamente sua ligação com os malfeitos. A partir do surgimento de novas evidências, em geral as justificativas vão sendo readaptadas. Quase todos agem assim. O ex-governador de São Paulo, José Serra, cumpriu o primeiro passo da má liturgia política, mas não o segundo. Mesmo com o escândalo do Metrô de São Paulo chegando cada vez mais próximo dele, Serra mantém as alegações iniciais. O ex-governador tucano diz que durante sua gestão não tomou conhecimento de qualquer cartel montado por empresas de transportes sobre trilhos. Muito menos que teria incentivado o conluio, pois sempre atuava, segundo ele, a favor do menor preço. Mas Serra não poderá mais entoar por muito tempo esse discurso, sob o risco de ser desmoralizado pelas investigações do Ministério Público. Novos documentos obtidos por ISTOÉ mostram que a máfia que superfaturou contratos com o Metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não só agiu durante o governo Serra como foi incentivada por agentes públicos a montar um cartel.

Conforme a documentação em poder do MP, as irregularidades ocorreram entre 2008 e2011. No período em que a maior parte dos contratos irregulares foi assinada, Serra era governador (entre 2007 e 2010). Os superfaturamentos estão relacionados a um controverso projeto de modernização de 98 trens das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô. A reforma dos veículos, com cerca de quatro décadas de operação e considerados “sucata” pelas autoridades que investigam o caso, custam ao erário paulista R$ 2,87 bilhões em valores não corrigidos, um prejuízo de quase R$ 1 bilhão. Para se ter uma ideia, os valores se assemelham aos desembolsados pelo Metrô de Nova York na aquisição de trens novos. E quem vendeu os trens ao Metrô nova-iorquino foi justamente uma das companhias responsáveis pela modernização em São Paulo.

Além do flagrante superfaturamento, o promotor Marcelo Milani, do Patrimônio Público, já confirma a prática de cartel. O conluio, segundo ele, foi incentivado por agentes públicos em pelo menos um dos dez contratos relacionados à modernização. Trata-se do contrato do sistema de sinalização, o CBTC. Em depoimento ao MP, o engenheiro Nelson Branco Marchetti, ex-diretor técnico da divisão de transportes da Siemens, relatou que representantes da multinacional alemã e da concorrente Alstom foram chamados para uma reunião por dirigentes do Metrô e da Secretaria de Transportes Metropolitanos. Na época, o órgão era comandado por José Luiz Portella, conhecido como Portelinha, braço direito de Serra. Durante o encontro, as companhias foram incentivadas a montar cartel para vencer a disputa pelo contrato do sistema de sinalização dos trens das linhas 1, 2 e 3 do Metrô. Os executivos das empresas ainda sugeriram que o governo licitasse a sinalização linha por linha, o que triplicaria a concorrência. Mas o governo foi enfático ao dizer que gostaria que um consórcio formado por duas empresas vencesse os três certames. A Alstom acabou vencendo sozinha o contrato para o fornecimento do CBTC para as três linhas do Metrô. Em outro depoimento prestado à Polícia Federal, Marchetti já havia relatado que as pressões do governo paulista eram constantes. “No edital havia a exigência de um capital social integralizado que a CAF (empresa espanhola) não possuía. Mesmo assim, o então governador do Estado (José Serra) e seus secretários fizeram de tudo para defender a CAF”, declarou ele sobre o contrato para fornecimento de vagões pela CPTM em que o ex-governador e Portella teriam sugerido que Siemens e CAF se aliassem para vencer a licitação. A prática narrada acima acrescenta novos elementos ao escândalo na área de transporte, que Serra, apesar das constantes negativas, não tem mais como refutar.

Passageiro é vítima da corrupção

Usuário do Metrô em São Paulo paga um preço alto pelas fraudes. Não bastassem os serviços precários, ainda há o risco de acidentes.

À espera do cárcere

ISTOÉ acompanhou o cotidiano do delator do mensalão, Roberto Jefferson, em sua casa no interior do Rio, enquanto aguarda decisão do STF sobre sua prisão.

Prestes a iniciar o cumprimento de sua pena de 7 anos e 14 dias, em regime semiaberto ou em casa, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) escolheu como refúgio temporário o pacato município fluminense de Comendador Levy Gasparian, com menos de 10 mil habitantes, a 140 quilômetros da capital do Rio de Janeiro. “Quem vive aqui é feliz”, alardeia a prefeitura em placas pela cidade. Nos últimos dias, Jefferson tentou cumprir à risca o slogan municipal, enquanto aguarda decisão do presidente do STF, Joaquim Barbosa, sobre seu pedido de prisão domiciliar.

De condenado a senhorio da União

O ex-senador Luiz Estevão paga sua dívida pela condenação no escândalo dos desvios do TRT de São Paulo alugando imóveis para a União por meio de laranjas.

Não é todo dia que um político condenado concorda em devolver o que roubou com juros e multa. Por isso, o acordo celebrado em 2012 entre a Advocacia Geral da União (AGU) e o Grupo Ok, do ex-senador Luiz Estevão, surpreendeu a todos. Condenado pelo desvio de R$ 169 milhões na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, Estevão aceitou devolver à União R$ 468 milhões. Do total, R$ 80 milhões à vista e R$ 388 milhões em 96 vezes de R$ 4,1 milhões atualizados pela taxa Selic. Ocorre que esse é justamente o valor que o político e empresário obtém hoje com o aluguel mensal de dez imóveis ocupados por ministérios, autarquias e por uma secretaria do governo do Distrito Federal. Por meio de reajustes de até 60% e da assinatura de novos contratos com empresas laranjas, Estevão multiplicou sua renda extra de R$ 2,6 milhões para R$ 4,3 milhões. Com isso, não precisa desembolsar um centavo para quitar sua dívida. Quem paga é a própria União e, em última análise, o cidadão. Ou seja, Luiz Estevão continua aprontando das suas para obter vantagens, reeditando o comportamento que o notabilizou durante toda a sua trajetória política e empresarial. Só que agora sua jogada é mais do que inacreditável: ele repara os danos que ele mesmo causou ao erário com dinheiro da própria União.

A AGU já identificou que as empresas que alugam para a União são de laranjas de Luiz Estevão. Umas delas, inclusive, é gerida por uma filha do ex-senador. Mesmo assim, para a AGU, não há conflito ético em Estevão quitar sua dívida com dinheiro do próprio erário, nem vê problemas no fato de o governo federal ter como senhorio um ex-senador cassado, que responde por diferentes crimes e que já foi condenado no Superior Tribunal de Justiça a 31 anos de prisão por crimes como corrupção ativa, estelionato e formação de quadrilha. “A União precisa de imóveis para abrigar suas repartições. Não dá para ficar escolhendo”, argumenta o procurador-geral da União, Paulo Khun. Para ele, trocar os aluguéis pela dívida foi a melhor solução. “Os processos poderiam se arrastar indefinidamente e nunca recuperaríamos o que foi desviado”, diz. A AGU chegou a tentar tomar os imóveis, mas Estevão conseguiu embargar a medida judicialmente. Khum ressalta que o Grupo Ok também retirou todos os recursos judiciais que impediam o andamento do processo.

 

ÉPOCA

O que Mandela tem a ensinar a todos nós

O legado inestimável do homem que sepultou o ódio, abraçou a paz – e construiu uma nação

Os 100 mais influentes de 2013

Bill Clinton: “Governos precisam ser mais transparentes”

William Jefferson Clinton é corajoso. Após ocupar por oito anos a cadeira mais poderosa do mundo, como 42º presidente dos Estados Unidos (1993-2001), aos 67 anos ele se dedica a lutas tão nobres quanto difíceis – como a busca por alternativas econômicas e a melhoria no atendimento de saúde em algumas das regiões mais carentes do planeta. Entre este domingo, dia 8, e o dia 10 de dezembro, Bill Clinton comandará, no Rio de Janeiro, uma versão latino-americana do encontro de sua Clinton Global Initiative (CGI), parte da Fundação Clinton dedicada a projetos de desenvolvimento. Sua mensagem pede mais cooperação entre setores e países. “Ninguém tem nada a ganhar escondendo.”

Época – Na América Latina, costumamos nos referir a nós mesmos como a “região esquecida” – não tão pobre quanto a África nem tão politicamente importante quanto o Oriente Médio. O senhor esteve recentemente em países como Peru e Bolívia, acompanhando projetos de sua fundação. Agora traz o encontro da Clinton Global Initiative (CGI) ao Rio de Janeiro. Por que esse novo foco na América Latina?

Bill Clinton – É uma coisa permanente. Quando era presidente, ajudei o Brasil duas vezes, em 1994 e 1998. Ajudei o México a sobreviver à sua crise da dívida. Desde que deixei o cargo, continuei a trabalhar na Colômbia e no Peru. Temos também no México projetos sobre o clima, na Guiana, por todo o Caribe. Tenho me envolvido consistentemente na América Latina por 20 anos, porque acho que é o único caminho que faz sentido para os Estados Unidos – somos vizinhos, amigos, aliados. Deveríamos construir um mundo onde trabalharíamos para o melhor resultado possível,  um mundo mais unido, com mais oportunidades, menos desigualdade e mais cooperação por todo o globo. Se tudo der errado, podemos nos sair muito bem aqui em nossa vizinhança, se o Canadá e os Estados Unidos trabalharem com todos os países.

Época – O que o senhor espera desse encontro? Algum resultado específico relativo ao Brasil?

Clinton – Espero, primeiro, aproximar países das Américas, para que eles possam aprender mais e mais uns com os outros e com seus desafios comuns. Segundo, fazer o que sempre fazemos nos encontros da CGI: compromissos específicos que unam empresas, a sociedade civil e governos, para que trabalhem juntos para resolver esses desafios. O que funciona em qualquer lugar do mundo hoje é criar cooperação. O que funciona na política é o conflito constante, mas isso nunca resulta em crescimento econômico, redução de desigualdade ou melhores oportunidades. O que tentamos fazer é construir essa ideia de envolvimento da sociedade civil e do setor privado na solução de problemas públicos, de uma forma que possibilite a todos os países aprender mais um com o outro. Estou empolgado com isso.

Dono do Saint Peter usou “laranja” para fraudar licitações no governo

O antigo contador do empresário Paulo Abreu contou a ÉPOCA que seu nome foi usado pelo ex-chefe para abrir uma rádio na tentativa obter concessões do Ministério das Comunicações

O contador Roberto Simões Rangel, de 41 anos, leva uma vida modesta. Mantém um pequeno escritório de contabilidade num bairro da periferia de Brasília. Passa os dias na rua, visitando clientes. Rangel, contudo, já viveu dias bem mais agitados. Era contador do Hotel Saint Peter quando, em 2009, recebeu do seu ex-chefe, o empresário Paulo Abreu – o mesmo que ofereceu ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu um salário de R$ 20 mil para exercer o cargo de gerente administrativo do Saint Peter – uma proposta que poderia mudar sua vida. Uma proposta típica do submundo de Brasília, conforme o contador revelou à reportagem de ÉPOCA.

Paulo Abreu pediu a Rangel que fosse seu laranja numa emissora de rádio. E que, uma vez preparados os papéis da rádio, participasse de licitações promovidas pelo Ministério das Comunicações, nas quais o governo oferece concessões. No caso, em cidades do interior de Goiás. Em troca, o empresário Paulo Abreu prometera ao contador uma contribuição mensal de R$ 10 mil, além de investimentos na rádio, caso conseguissem vencer as tais licitações.

Por que Paulo Abreu, dono de mais de 30 concessões de rádio e TV no país, queria que o contador fosse seu laranja? A resposta está nas normas do setor de telecomunicações do país, que proíbem o mesmo empresário de concorrer numa licitação com mais de uma proposta. Abreu, portanto, pretendia competir nas licitações com mais de uma empresa e, assim, aumentar suas chances de êxito. O contador Roberto Rangel topou ser laranja na criação da rádio Brasil FM, aberta em nome dele e de outro sócio.

Assoberbado com o trabalho no Saint Peter e com as demandas da nova rádio, Rangel afirmou a ÉPOCA não ter conseguido preparar toda a papelada a tempo de participar das licitações nos municípios de Alexânia e Aparecida de Goiânia. Paulo Abreu, segundo Rangel, não gostou do desfecho da história e resolveu tornar-se sócio de Rangel na rádio Brasil FM para assumir a gestão da empresa. “Como não sabia o que ele (Paulo Abreu) estava fazendo em nome da empresa, decidi sair da empresa”, afirmou Rangel. Após esse desentendimento, Rangel diz ter deixado o cargo que ocupava no hotel também.

Copa do Mundo

A tabela dos jogos e uma análise matemática das chances do Brasil

 

 

 

CARTA CAPITAL

A economia no purgatório

O governo admite erros, dá uma guinada ortodoxa e destrava os leilões de infraestrutura, mas o setor privado continua desconfiado.

O helicóptero do pó

Os pontos nebulosos nos 450 de cocaína na aeronave dos Perrela

A nova aposta do PSOL

O presidenciável Randolfe Rodrigues promete um programa alternativo

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!