Revistas: o novo sistema de segurança do Planalto

Câmeras que monitoram os quatro pisos do Planalto apresentam imagens "brancas, com reflexo e fora de foco, mal posicionadas, sem sinal e resolução". além disso, a má qualidade dos equipamentos está contribuindo para "falhas humanas"

Istoé

Dilma mais protegida

Um recente relatório do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República trouxe dados alarmantes. O Palácio do Planalto, local de trabalho da presidenta Dilma Rousseff, é um edifício vulnerável. Segundo documento ao qual ISTOÉ teve acesso, as câmeras que monitoram os quatro pisos do edifício apresentam imagens "brancas, com reflexo e fora de foco, mal posicionadas, sem sinal e resolução". Ainda de acordo com o documento, a má qualidade dos equipamentos está contribuindo para "falhas humanas". As deficiências de segurança tornam-se potencialmente mais perigosas em um período marcado por protestos violentos – em junho, vândalos tentaram até invadir o Palácio do Planalto. Para deixar o edifício mais seguro, a presidenta Dilma autorizou um investimento de R$ 13,6 milhões na aquisição de novos aparatos tecnológicos. O sistema, que deve começar a funcionar no ano que vem, vai monitorar, em tempo real, toda a movimentação de pessoas e documentos no edifício.

Como o ministério público protegeu tucanos

Apareceu um escândalo dentro do escândalo de corrupção em contratos de energia e transporte sobre trilhos de São Paulo que atinge em cheio os governos do PSDB. ISTOÉ descobriu que o procurador Rodrigo de Grandis engavetou desde 2010 não apenas um, como se divulgou inicialmente, mas oito ofícios do Ministério da Justiça com seguidos pedidos de cooperação feitos por autoridades suíças interessadas na apuração do caso Siemens-Alstom. Ao longo de três anos, De Grandis também foi contatado por e-mail, teve longas conversas telefônicas com autoridades em Brasília e solicitou remessas de documentos. Na semana passada, soube-se que, devido à falta de cooperação brasileira, o Ministério Público suíço decidiu arquivar a investigação contra três dos acusados de distribuir propina a políticos tucanos e funcionários públicos. Em sua única manifestação sobre o caso, De Grandis alegou que sempre cooperou e só teria deixado de responder a um pedido feito em 2011, que teria sido arquivado numa “pasta errada”. Mas sua versão parece difícil de ser sustentada em fatos.

Uma prova de R$ 4 milhões

O advogado João Graça é apresentado pela cúpula do PDT como uma espécie de faz-tudo. Especializado em causas eleitorais e auxiliar durante anos do presidente da legenda, Carlos Lupi, o atual assessor especial do ministro do Trabalho, Manoel Dias, inegavelmente teve uma trajetória ascendente, que lhe deu direito a desfrutar de imenso prestígio nos bastidores do ministério, longe de holofotes e sem maiores tropeços. O anonimato, porém, acabou. Na semana passada, denúncia publicada por ISTOÉ revelou que Graça é sócio da AGX Log, uma transportadora de Betim, em Minas Gerais. Conforme investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, a empresa pode estar sendo usada para esquentar parte dos R$ 500 milhões desviados nos últimos anos do Ministério do Trabalho. Embora negasse, Graça foi sócio da AGX até agosto deste ano e suas relações com a família de Ana Cristina Aquino, uma emergente que oficialmente comanda a transportadora, vão além do que ele costuma admitir. Documentos da Junta Comercial e da Receita Federal mostram que o advogado não apenas se associou ao filho de Ana Aquino, Ednaldo da Silva, como também adquiriu quotas da empresa no valor de R$ 4 milhões.

Época

Nunca o consumidor teve tanto poder quanto na era digital

Quer brincar de arqueólogo? Basta ler artigos sobre reclamações de consumidores ao longo das últimas décadas. Embora a publicidade paga tenha nascido no século XIX e o marketing no início do século XX, só a partir dos anos 1960 as empresas passaram a tentar aplicar alguma ciência ao tratamento individual de cada freguês. Elas passaram a estudar o tema por causa da onda anticonsumismo que percorreu os Estados Unidos, no embalo do movimento hippie. Naquela época, o cliente que quisesse falar com a empresa tinha de obedecer a regras criadas por ela. À medida que ganhavam força os embates por direitos de mulheres, negros, gays e outros grupos organizados, consumidores passaram a querer outro tipo de tratamento. O cidadão desejava que as empresas o ajudassem a ter “água pura, ar puro, proteção ao consumidor, produtos seguros e controle ambiental” e rejeitava a “entediante mesmice” dos produtos, nas palavras de Margaret Graham, professora de administração na Universidade McGill, nos Estados Unidos, e uma das autoras de A origem das corporações.

À medida que nos embrenhamos na caverna escura da pré-história do direito do consumidor, encontramos alguns sinais das mudanças que estavam por vir. Aproxime sua lanterna e leia algumas delas. Em 1970, alguns manuais de gestão ensinavam que um perigo para a empresa era não aprender nada com reclamações, já que o cliente insatisfeito poderia sofrer em silêncio por um tempo e, subitamente, trocar a empresa por uma concorrente. Em 1981, receber poucas reclamações era visto como um sinal ambíguo: podia mostrar que o produto satisfaz. Ou o contrário: que os clientes estão tão irritados que nem se incomodam em se expressar para tentar melhorar a empresa. Na década seguinte, surgiam pequenos sinais de mudança: consumidores insatisfeitos eram encorajados a comunicar suas reclamações aos representantes da companhia por telefone. Os consumidores ganhavam voz, e as empresas começavam a se aproveitar das sugestões para aprimorar seus serviços. Mesmo com a difusão dos computadores pessoais e da internet naquele período, os homens das cavernas no mundo do atendimento ao cliente não percebiam o asteroide que vinha em sua direção.

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