Revistas: depoimentos revelam que Serra pressionou para beneficiar cartel dos trens

Istoé mostra investigações do Ministério Público que apontam o envolvimento do ex-governador tucano com a máfia dos trilhos em São Paulo

ISTOÉ

Tudo é possível aos 50 anos

Eles mudam de profissão, começam outra faculdade, se divorciam, casam novamente... Conheça a nova geração de cinquentões que, em ótima forma, é protagonista de uma das maiores mudanças de comportamento do nosso tempo

Por que Serra está na mira do MP

Conheça as investigações do Ministério Público que apontam o envolvimento do ex-governador tucano com a máfia dos trilhos em São Paulo. Depoimentos revelam que José Serra fez pressão para beneficiar empresas do cartel.

Apesar das evidências do envolvimento do ex-governador José Serra (PSDB) com o cartel de trens e o propinoduto em São Paulo, desde o surgimento das primeiras denúncias em junho do ano passado o tucano tem procurado se desvincular do escândalo. Com verdadeiras ginásticas verbais, Serra tenta explicar o inexplicável. “Qualquer manual anticartel nos daria razão. Ganharíamos a medalha anticartel”, declarou Serra na última semana, sem levar em conta que foram as próprias empresas integrantes do cartel que confessaram a prática criminosa e lesiva aos cofres públicos paulistas durante os governos do PSDB, apontando inclusive a participação de políticos e agentes públicos no esquema. Agora, sobre a mesa do procurador-geral de São Paulo, Álvaro Augusto Fonseca, há dois procedimentos investigatórios sobre o envolvimento do tucano com a máfia dos trilhos. O primeiro refere-se à pressão exercida por Serra para que a empresa espanhola CAF vencesse uma licitação de fornecimento de trens para a CPTM durante sua gestão como governador (2007 e 2010). O outro apura a omissão do tucano diante das fraudes cometidas pelo cartel, já que ele, também na condição de governador, recebeu uma série de alertas do Tribunal de Contas, Ministério Público e até do Banco Mundial. Em paralelo, as autoridades ainda investigam contratos celebrados durante a administração de Serra que foram considerados lesivos ao erário. Entre eles, a bilionária modernização de trens do Metrô e a implementação do sistema CBTC. A obra encontra-se até hoje incompleta.

Em ofício, o promotor Marcelo Milani diz haver indícios da ligação de Serra em licitações investigadas por fraudes na CPTM. “Segundo os delatores (executivos da Siemens), era realizada toda sorte de falcatruas e combinações para a conquista de contratos”, escreveu Milani. “Ficou claro que todas as licitações de determinado período (que compreende o governo Serra) foram baseadas em atos ilícitos”, complementou. Ao apurar o pagamento de propina e outras irregularidades em um acordo firmado entre a Alstom e a CPTM para manutenção de trens da série 7000, o MP chegou a um depoimento revelador dado à Polícia Federal. Nele, Nelson Branco Marchetti, ex-dirigente da Siemens, diz ter sido pressionado pelo próprio governador José Serra a desistir de medidas judiciais para anular a vitória da espanhola CAF, em um certame para o fornecimento de 320 vagões. A CAF não atendia a exigência mínima de capital social pedida no edital de licitação, em que a Siemens ficou na segunda colocação. Mesmo assim, Serra insistiu para que a Siemens não recorresse e, assim, beneficiasse a CAF. “Releva notar que o delator diz ter participado de tratativas, na Holanda, com agentes do governo do Estado de São Paulo. Especialmente o então governador José Serra”, diz o promotor. Ainda chamou a atenção das autoridades a proposta nada republicana oferecida pela cúpula do governo Serra para pôr fim ao imbróglio: que as empresas se acertassem entre si e a Siemens fosse subcontratada para tocar um terço do projeto. Para Milani, ao agir dessa maneira, o Estado, durante o governo Serra, acabou por incentivar a formação do cartel. Ao final, a sugestão não foi acatada e a CAF forneceu sozinha os trens, ou seja, aconteceu o que Serra almejava desde o início.

Em outro depoimento, desta vez ao Ministério Público, Marchetti narrou um insólito caso que demonstra a inequívoca ligação de Serra com as empresas do cartel de trens em São Paulo. Segundo Marchetti, durante o governo do tucano, tanto ele como executivos da Alstom foram convidados a um encontro por dirigentes do Metrô e da secretaria de Transportes Metropolitanos. Na reunião, os agentes públicos incentivaram as duas companhias a se associarem para vencer a licitação do sistema de sinalização dos trens das linhas 1, 2 e 3 do Metrô. Os executivos ainda sugeriram que a estatal licitasse a sinalização linha por linha, triplicando a concorrência. Mas integrantes do governo Serra sinalizaram que queriam a vitória de um consórcio formado pelas duas empresas para as três linhas. A Alstom acabou ganhando sozinha o contrato para o fornecimento do CBTC. O sistema até agora não foi plenamente instalado, gerando inúmeros problemas aos usuários e levando ao bloqueio de pagamentos pelo Metrô, na gestão do governador Geraldo Alckmin. A companhia francesa alega que foi decidido fazer a “implementação operacional em fases”.

Como restaurar o STF

Provável saída de Joaquim Barbosa do tribunal abrirá espaço para consolidação de uma nova maioria. Expectativa é pela distensão do ambiente, hoje marcado por troca de acusações políticas.

A menos que Joaquim Barbosa mude subitamente de ideia e volte atrás nos seguidos comunicados de que pretende antecipar a aposentadoria e deixar o Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos meses, o principal debate jurídico do País consiste em discutir como ficará a mais alta corte em sua ausência. Ministros e estudiosos do Supremo estão convencidos de que as mudanças serão muitas e de qualidade variada, até porque o novo presidente do tribunal será justamente Ricardo Lewandowski, o ministro que, por temperamento, por formação e também por visão nos fundamentos do direito, pode ser classificado como antípoda de Joaquim Barbosa.

A primeira mudança deve ser justamente na forma de condução dos debates da Corte. “Haverá um ambiente de descontração e coleguismo, que já se nota quando Joaquim Barbosa se ausenta e Lewandowski assume a presidência”, prevê um doutor em direito que atua como assistente de um dos principais ministros da casa. Embora tenha construído uma popularidade capaz de fazer dele um nome presidenciável em 2014, Joaquim Barbosa passou as últimas semanas em posição de fraqueza, com a autoridade corroí­da pelo comportamento agressivo, num processo de desgaste interno reforçado pela suspeita, partilhada por alguns colegas, de que seria capaz de usar o tribunal como trampolim para seus projetos políticos. Mas, em meio ao clima beligerante que tomou conta do tribunal desde a concessão aos mensaleiros dos embargos infringentes, o presidente do STF não foi o único a ser acusado de agir politicamente. Ao votar contra a formação de quadrilha pelos réus do mensalão, o ministro Luiz Roberto Barroso foi criticado por Barbosa. Para ele, Barroso chegou ao STF em junho do ano passado com “voto pronto” e propósitos políticos. Essa tese encontra eco em outra ala do Supremo, da qual faria parte o ministro Gilmar Mendes.

E que venha o PMDB

Em meio a mais uma crise de relacionamento com o partido aliado, governo tenta demonstrar força, avisa ter chegado ao limite e diz que não pretende curvar-se a novas pressões. Resta saber se os rebeldes do PMDB querem e podem inviabilizar a aliança.

A primeira reação do governo às ameaças de rompimento feitas pelo PMDB se deu por meio de uma imagem. Na foto que ilustra esta página, a presidenta Dilma Rousseff e seu antecessor Lula entrelaçam as mãos numa demonstração total de simbiose entre os interesses do governo e a estratégia de campanha. Assim, duas mensagens foram enviadas. A primeira destina-se a setores do PT que ainda insistem na tese do “Volta, Lula”. O ex-presidente deixou claro na reunião, convocada às pressas na quarta-feira de cinzas, que apoiará a reeleição de Dilma e todas as suas decisões. O segundo recado se dirige aos aliados do PMDB, que entraram em 2014 em situação de rebelião: seja na Esplanada, seja na negociação dos palanques estaduais que emperram a organização da campanha nacional. O governo acha que chegou ao seu limite e não pretende curvar-se a novas pressões em troca de apoio. Na cúpula do PMDB, a interpretação é a de que o governo petista sente que pode ganhar a eleição de outubro sem a ajuda de seu principal aliado.

Como o PMDB evitou citar o PT ou Dilma na propaganda eleitoral veiculada na tevê nas últimas semanas, faz sentido a ausência de peemedebistas no encontro da quarta-feira 5. À imensa mesa de granito e carvalho da biblioteca do Palácio da Alvorada sentaram-se apenas o marqueteiro João Santana, o ex-ministro Franklin Martins e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, ladeados pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o chefe de gabinete da Presidência, Giles Azevedo, e o deputado Edinho Silva, responsável pela legenda em São Paulo.

Um calote diplomático

Funcionários do Itamaraty paralisam as atividades devido à crise financeira. Atraso de salários em sete consulados e falta de pagamentos dos aluguéis estão entre os principais problemas.

 

ÉPOCA

Os segredos das mulheres que chegaram lá

As pioneiras em áreas dominadas pelos homens. O sucesso de algumas mulheres mostra que elas podem chegar lá – e revela como isso ainda é difícil

O passeio preferido da brasiliense Neiriane Marcelli da Silva Costa, quando criança, era acompanhar seu pai, suboficial da Força Aérea Brasileira (FAB), nos desfiles militares. Ela gostava de observar os aviões no céu e sonhava em estar um dia no lugar dos pilotos. “Eu me desiludia ao pensar que nunca poderia realizar meu sonho, porque apenas homens pilotavam aviões militares”, diz Marcelli, hoje com 28 anos. Até o dia em que oficiais da FAB foram ao colégio dela para contar uma novidade: a partir daquele ano, 2002, as meninas também poderiam se inscrever no curso de oficiais aviadores. Marcelli se formou cinco anos depois na Academia da Força Aérea (AFA), integrou um esquadrão em Belém, no Pará, e hoje ensina os cadetes da AFA, em Pirassununga, interior de São Paulo. O ambiente, dominado por homens, nunca a intimidou. “Não pensei se faria alguma diferença ser mulher. Era o que queria fazer.”

A tenente Marcelli faz parte de uma geração de mulheres criadas para pensar que o limite para elas é o mesmo que para os homens: o céu. Algumas alcançaram essa fronteira literalmente, como Marcelli. Outras, no sentido figurado. Nunca as mulheres chegaram tão longe: à Presidência da República ou da Petrobras, a maior empresa do país. As conquistas, como sempre, dão origem a novas e ainda mais ambiciosas aspirações. As mulheres querem permanecer na liderança e avançar em muitas outras áreas. Elas conquistaram um território dominado pelos homens. Contaram com mudanças na sociedade (que permitiu mulheres oficiais aviadoras) e com alta dose de determinação pessoal. Suas histórias contêm lições para outras desbravadoras – e para os homens também.

Joaquim Barbosa: “Não serei candidato a presidente”

O ministro do Supremo descarta entrar para a política no curto prazo. O que esperar do futuro dele e do STF?

Trezentos metros separam o Palácio do Planalto da presidência do Supremo Tribunal Federal, ocupado hoje por Joaquim Benedito Barbosa Gomes, o herói do mensalão – o homem que muitos brasileiros gostariam de ver no outro lado da Praça dos Três Poderes. Seria uma travessia inédita na democracia brasileira. Do amplo gabinete espelhado da presidência do Supremo, no alto do Tribunal, os 300 metros se encolhem. É a ilusão que o poder em Brasília confere. Parece bastar um pulinho. Mas requer um salto suicida. Joaquim sabe disso. Por isso, resolveu: não será candidato a presidente da República em 2014. Numa tarde recente e chuvosa em Brasília, Joaquim recebeu, naquele mesmo gabinete, mais um curioso em saber, afinal, quais são seus planos para 2014. Joaquim não olhava a vista. Não tinha interesse. Olhava para os livros – como sempre fez. O interlocutor observou que Joaquim não teria aptidão para entrar na política, ainda mais depois de conhecer, no processo do mensalão, as sujas entranhas dos partidos brasileiros. Mesmo que entrasse depois. Mesmo que num cargo menor – se a Presidência está a 300 metros, o Congresso está a apenas 100.

“Acho difícil”, afirmou Joaquim. “Não me vejo fazendo isso (entrando na política algum dia). O jogo da política é muito pesado, muito sujo. Estou só assistindo a essa movimentação.” E deu um sorriso malicioso, como quem quer fazer os adversários sofrer – leia-se, a turma do PT que o esculhamba diuturnamente – com a perspectiva de ter de enfrentá-lo nas eleições. “Deixem falar… Deixa falar… Não serei candidato a presidente. Realmente eu não quero”, disse. “É lançar-se, expor-se, a um apedrejamento.”

O apedrejamento a que ele se refere é diferente das pauladas que tomou à frente do mensalão. Joaquim sabe disso. “Em 11 anos aqui, você aprende. Adquire uma casca dura. Eu não tinha essa casca dura até há uns seis anos. Isso vem com o tempo.” Embora Joaquim discorde que suas dores crônicas nas costas e nos quadris tenham relação com os rigores do mensalão, é unanimidade entre seus amigos que o processo lhe custou muito. As dores incomodam. E devem ser o principal fator que definirá a provável aposentadoria precoce do Supremo, em novembro deste ano. Joaquim pretende se aposentar quando deixar a presidência da Corte.

Eduardo Cunha: "O PMDB não quer mais cargos"

O líder do PMDB na Câmara diz que sua bancada não indicará mais ninguém para o governo – e acusa o PT de ter um projeto de “dominação completa do poder político”

O deputado Eduardo Cunha, do PMDB do Rio, é o mestre da articulação política no Congresso. Ninguém conhece as minúcias do regimento da Câmara como ele. Cunha sabe como encontrar as brechas certas para acelerar – ou empacar – qualquer pedaço de legislação. E, o mais importante, sabe como convencer seus colegas a apoiá-lo em seus ardis políticos, quase sempre destinados a retaliar o governo de Dilma Rousseff. Não é à toa que Cunha, embora esteja ainda em seu terceiro mandato, já é líder do PMDB – e principal artífice da aliança de nove partidos e 260 deputados conhecida como “Blocão”. Criticado por líderes do PT, entre eles o presidente do partido, Rui Falcão, Cunha afirma, nesta entrevista a ÉPOCA, que o PMDB não quer mais cargos no governo.

ÉPOCA – O que querem os deputados do Blocão?

Eduardo Cunha – Vou deixar claro primeiro o que não queremos: cargos no governo. Zero, nenhum ministério, nada. Abrimos mão dos cargos. A bancada do PMDB não indicará mais cargos no governo Dilma.

ÉPOCA – É difícil acreditar que o PMDB abdique do que mais gosta...Cunha – Essa visão do PMDB como um partido meramente fisiológico, que vive mendigando cargos, tem muito de fantasia. É uma fantasia maniqueísta, que dá ao governo o falso argumento de que está, ao não respeitar a base aliada, apenas agindo eticamente, como arauto da moral, resistindo aos maus da política. Balela. Serve para justificar a incompetência do Planalto no diálogo com os parlamentares que deveriam, afinal, integrar um governo de coalizão. E para dizer: “O PMDB é assim mesmo, chantageia o governo até obter mais um ministério”. A gente não quer isso.

 

VEJA

As ameaças à Copa

Black Blocs, greves, tumultos, terrorismo, crime organizado. O plano do governo para garantir a segurança total durante a competição. Relatório da Abin alerta para as ameaças à Copa do Mundo.  Os focos de distúrbios

Faltando menos de 100 dias para a Copa, documentos oficiais mostram que o investimento governamental de quase 2 bilhões de reais no esquema de segurança dos jogos não é excesso de cuidado. “Há registro no país de fontes de ameaça dispostas a causar danos, obstaculizar ou mesmo impedir a ocorrência do evento esportivo”, diz um relatório da Abin enviado à Presidência. VEJA teve acesso aos papéis – e revela o seu conteúdo na reportagem de capa desta semana

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O Ministério Público quer acabar com a discriminação aos médicos cubanos

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O PT reafrma a candidatura de Dilma

Partidos

Na crise com o governo, o teatro do PMDB esconde um drama real

 

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O retorno ao passado é impossível, mas estamos diante de uma redefinição do poder mundial. A Ucrânia em meio aos interesses da Rússia e do restante da Europa

A Corte da casa-grande

De como a politização da Justiça comece nas nossas cabeças. Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki devolvem o equilíbrio ao STF

A juventude perdida

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Na segunda parte de Ninfomaníaca, a objeção que a personagem de Charlotte Gainsbourg faz ao interlocutor se torna a reflexão central do filme.

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Durante o Oscar, com Matthew McConaughey recebendo o prêmio de melhor ator, deu ímpeto de mudar para a Globo, que esnobou a premiação para ficar com o Sambódromo

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