Revistas: Delta pagou R$ 93 milhões a sete empresas de fachada

Veja mostra que firmas receberam por serviços nunca prestados. Istoé afirma que “tendência” é que voto de Ricardo Lewandowski no STF considere o mensalão apenas como caixa 2. Época conta que as fraudes no Banco do Nordeste superam os R$ 2 bilhões. Carta Capital classifica como “neogolpismo” na América do Sul a queda de Lugo no Paraguai

VEJA

 

Delta pagou R$ 93 milhões a sete empresas de fachada

Empresas fantasmas receberam R$ 93 milhões de empreiteira. Dados do Coaf publicados na edição de VEJA deste sábado mostram que as empresas receberam os valores por serviços nunca prestados. Registradas em nomes de laranjas, todas são controladas pelo empresário Adir Assad - que Cavendish afirma atender a todas as grandes empreiteiras do país

A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado traz novos dados sobre as transações clandestinas da Delta Construções, do empresário Fernando Cavendish. Um relatório recente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda que monitora transações financeiras suspeitas, mostra que sete empresas de fachada receberam, entre janeiro de 2010 e julho de 2011, 93 milhões de reais pagos pela Delta Construções.

Registradas no nome de laranjas, todas as sete empresas foram abertas nos anos eleitorais de 2008 e 2010 e são controladas por um personagem já conhecido, Adir Assad, um empresário de São Paulo que fez carreira no ramo do entretenimento. No início de junho, ao revelar a primeira parte do laranjal da Delta, VEJA mostrou que outras empresas de Assad também registradas em nome de laranjas tinham recebido 50 milhões de reais da Delta. Essa dinheirama não foi usada para abonar serviços de engenharia. Ela saiu do caixa da Delta principalmente para pagar propina a servidores públicos e abastecer caixa dois de campanhas eleitorais.

A conquista da mente

A tecnologia do Ibrain vai fazer o gênio Stephen Hawking comunicar-se usando ondas cerebrais e abrirá caminho para a prevenção de doenças mentais e cura da insônia

Mensalão

O julgamento, sete anos depois

Paraguai

A vergonhosa tentativa de Chávez de insuflar um golpe militar no país vizinho. Chanceler venezuelano incitou militares a dar um autogolpe.

Censo

Diminui o número de católicos no Brasil

 

 

ISTOÉ

Revisor deve dizer que Mensalão era só caixa eleitoral

Mesma tese defendida por Lula e pelo PT pode chegar ao STF com o relatório do ministro Ricardo Lewandowski. Assim, José Dirceu estaria livre do crime de formação de quadrilha

No dia 2 de agosto, o Brasil começa a acompanhar o julgamento no Supremo Tribunal Federal de um dos maiores casos de corrupção da história do País. Com a corte completa com seus 11 integrantes e a tendência anunciada de condenar os personagens do escândalo, poucos votos vão chamar tanto a atenção como o do ministro-revisor Ricardo Lewandowski. Conforme apurou ISTOÉ com pessoas próximas ao revisor, os argumentos do seu relatório estão afinados com a defesa de petistas acusados de participar do esquema e com o discurso do ex-presidente Lula. Por isso, a tendência é de que Lewandowski diga que não houve compra sistemática de apoio de deputados ao governo Lula, e, sim, crime de caixa 2.

O texto concluído pelo revisor na terça-feira 26 é um contraponto ao voto do relator Joaquim Barbosa. Vai trazer observações sobre falhas pontuais de procedimento que podem ter restringido o direito à defesa dos réus. Também irá tratar algumas acusações como genéricas, classificando-as de incapazes de especificar como alguns mensaleiros teriam cometido os crimes atribuídos a eles. Apesar de evitar falar sobre o assunto, Lewandowski tem dito que é um juiz coerente e que seu relatório segue a “congruência dos seus posicionamentos”. A autodefinição do ministro significa um sinal ainda mais favorável aos réus, tendo em vista a sequência de críticas que ele lançou contra o Ministério Público durante o julgamento que recebeu a denúncia, em agosto de 2007.

Saúde: você tem mais direitos do que imagina

A Justiça estabelece regras para assegurar benefícios e mais segurança ao atendimento dos doentes nos hospitais e nos convênios médicos.

O deputado tornozeleira

Vaga na Câmara pode ser ocupada por suplente que é processado por assassinato. Ele está em liberdade vigiada e precisa usar um acessório de rastreamento eletrônico

Dizer que a Justiça segue os rastros de um integrante da Câmara dos Deputados pode deixar de ser uma mera figura de linguagem. Apontada como favorita à prefeitura do município de Arapiraca, segundo maior colégio eleitoral de Alagoas, a deputada federal Célia Rocha (PTB) tem como herdeiro natural de sua vaga um personagem controverso no meio político e policial de Alagoas: Francisco Tenório, do PMN, conhecido como Chico Tenório. Delegado de carreira, ex-deputado estadual e federal, ele usa, desde fevereiro deste ano, uma tornozeleira de monitoramento eletrônico. O acessório foi uma das imposições para que o ex-parlamentar, acusado de participação nos assassinatos de um cabo da Polícia Militar em 1996 e de um fazendeiro em 2005, deixasse a prisão após um ano para responder às denúncias em liberdade vigiada. Ele havia sido preso em fevereiro de 2011. Agora, em caso de vitória da deputada, Chico Tenório deixará a condição de primeiro suplente conseguida nas urnas em 2010 para andar de tornozeleira pelos tapetes do Congresso Nacional.

Segundo o cientista político Ranulfo Paranhos, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o caso envolvendo Chico Tenório não é mais considerado incomum em Alagoas. “Casos de políticos acusados de mandarem matar adversários ou desafetos, infelizmente, não chocam mais a sociedade alagoana”, lamenta o professor. “Ele foi preso, mas não é o único. Aqui há atualmente deputados estaduais, federais e prefeitos acusados desse tipo de crime que acabam protegidos pelas prerrogativas do cargo”, analisa. O próprio Chico Tenório conseguiu protelar a prisão até 2011, pois ocupava uma cadeira na Câmara Federal. Ele já havia sido deputado federal de 2006 até 2010. Essa condição lhe garantiu foro privilegiado, só permitindo que fosse julgado por instâncias superioras.

O advogado de Francisco Tenório, Fernando Maciel, lembra que, na hipótese de um retorno do seu cliente ao Congresso, as acusações contra ele só poderiam ser julgadas pelo Supremo Tribunal Federal. “Por um lado é bom, pois seria uma decisão mais técnica sem clamor social. E em caso de condenação, porém, não teria mais para onde recorrer”, analisa o advogado, que diz acreditar na inocência do cliente. “Não existem provas contra ele. Tenório não possui nenhum envolvimento com os crimes.” Enquanto isso, de tornozeleira, Chico Tenório aguarda o seu futuro ser decidido pelo Judiciário ou pelos votos na eleição municipal de Arapiraca.

Presidiário-problema

O bicheiro Carlinhos Cachoeira tem ataque de fúria na prisão, briga com colegas de cela e já xingou e cuspiu num agente penitenciário. Até sua mulher tem enfrentado constrangimentos durante as visitas íntimas.

Quando foi preso no dia 29 de fevereiro, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estava tranquilo. Sabia com antecedência da investigação da Polícia Federal e que sua prisão era inevitável. Também estava confiante de que bastariam alguns telefonemas para recuperar a liberdade. Mas não foi isso o que aconteceu. Passados quatro meses, o contraventor continua atrás das grades e numa situação cada vez pior. Cachoeira tem crises de pânico, sofre de insônia e crescentes ataques de fúria. Discute com colegas de cela por qualquer bobagem e chegou a xingar e cuspir num agente penitenciário. Autuado por desobediência e desacato, o bicheiro corre o risco de se tornar um prisioneiro marcado por seu mau comportamento.

Na sexta-feira 22, Cachoeira recebeu a visita de um psiquiatra, que o examinou e resolveu aumentar a dose diária de antidepressivos. Não adiantou muito. Na semana passada, ao ter outro pedido de habeas corpus negado pelo STJ, o bicheiro surtou novamente. Descontrolado, aos gritos e xingamentos, queixou-se de seus próprios advogados, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e sua auxiliar Dora Cavalcanti. Quem ouviu Cachoeira avalia que a substituição da dupla é uma questão de tempo. “Ele está decepcionado, não imaginava que ficaria tanto tempo preso”, diz um funcionário da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe). Segundo o servidor, a adaptação da maioria dos presos leva em média oito meses. No caso de Cachoeira, a ansiedade é alimentada pelo constante assédio da mídia e dos desdobramentos políticos do caso na CPI que investiga o esquema do bicheiro.

A advogada Dora Cavalcanti ressalta que o estado psicológico de Cachoeira se agravou após a libertação de outros réus do processo, como o espião Idalberto Matias de Araújo, o Dadá; o ex-diretor da Delta Claudio Abreu; o ex-vereador Wladimir Garcez; além de Lenine Araújo e o empresário José Olímpio Queiroga Neto. “As outras pessoas foram sendo soltas e a angústia dele aumentou”, afirma.

Além disso, as condições carcerárias de Cachoeira pioraram ao deixar a ala federal, onde dividia com dez pessoas uma cela projetada para 24 internos. No Centro de Detenção Provisória (CPD), ele se acotovela com outros sete internos num espaço de apenas nove metros quadrados. O desconforto só é amenizado por um colchão que ele recebeu de seus advogados. Para quem estava acostumado a uma vida social intensa, boa comida e viagens, o dia a dia de privações pode ser insuportável. “Ele não está aguentando, reclama muito da comida e da falta de privacidade”, diz outro agente.

Barbeiragem diplomática

Atuação desencontrada do Itamaraty no Paraguai coloca a cúpula da diplomacia brasileira em xeque. O chanceler Antonio Patriota e o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, se desgastam no governo.

 

 

 

ÉPOCA

Investigação: Os esquemas de corrupção do Banco do Nordeste podem ter desviado R$ 2 bilhões

As revelações trazidas por ÉPOCA no início de junho sobre desvios de mais R$ 100 milhões no Banco do Nordeste provocaram uma limpeza em sua cúpula. No primeiro dia útil, o então chefe de gabinete da presidência do banco, Robério do Vale, foi exonerado. A reportagem revelara que três das empresas que lesaram o banco, com notas ficais falsas, segundo dados de auditoria interna, eram de seus cunhados. Oito dias depois, o banco confirmou um esquema na cidade de Limoeiro do Norte, envolvendo recursos do Pronaf, exposto no mesmo texto de ÉPOCA. No dia seguinte, deixaram seus postos o diretor de Gestão do Desenvolvimento, Alencar Sydrião Junior, responsável pelos recursos do programa, e Isidro de Siqueira, diretor de Controle e Risco. No mesmo dia, com sua saída dada como certa no Ministério da Fazenda, o presidente do BNB, Jurandir Santiago, entregou o cargo.

O autor das denúncias que levaram o Ministério Público, a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o próprio banco a investigar os desvios diz que ainda não havia revelado tudo o que sabe. O ex-gerente de negócios Fred Elias de Souza, transferido para o Serviço de Atendimento ao Consumidor do banco, decidiu procurar novamente o promotor Ricardo Rocha, na última terça-feira. Fez novas denúncias. No depoimento, Souza diz que, ao final das investigações, os órgãos de fiscalização chegarão a um total de R$ 2 bilhões em operações fraudulentas.

Apenas no Maranhão, Souza “acredita que o rombo passe de R$ 1bilhão”. Na Superintendência da Bahia, segundo Souza, existe um esquema de desvios envolvendo a família Meira. Ele afirmou ao promotor que o escritório Meira Projetos e Consultoria, de José Nilo Meira, irmão do superintendente Nilo Meira, fez projetos com indícios de fraudes, para empresas que buscavam financiamentos no banco, aprovados “com conhecimento do diretor de Negócios do BNB, que é da Bahia, o diretor (Paulo) Ferraro”. Paulo Ferraro, que desde a semana passada ocupa ao mesmo tempo os cargos de diretor de Negócios e presidente do banco, também é acusado em outro trecho do depoimento. “Uma empresa foi mencionada no relatório da CGU de 2010, que revelou indícios de fraude nas garantias ofertadas numa operação de quase R$ 500 milhões, cujos imóveis dados como garantia só cobriam R$ 300 milhões. Tudo foi feito com a conivência do diretor Ferraro”, afirma Fred de Souza.

O triunfo dos gordinhos

Pode esquecer as classes A, B, C, D ou E. Quem mais tem conquistado espaço no Brasil é a classe GG – na moda, no consumo, na cultura pop...

Política

“Temos provas do mensalão”, afirma o deputado que investigou o esquema petista. Osmar Serraglio, relator da CPI que investigou a compra de apoio ao governo Lula, fala a Época.

Mensalão: A pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal

Toffoli só decide se julga mensalão quando processo entrar na pauta

O ministro José Antônio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, só vai decidir se participar do julgamento do mensalão quando o processo entrar na pauta de votação da corte, o que só deve ocorrer em agosto. Há dúvidas se Toffoli julgará réus dos quais foi advogado eleitoral, como o deputado cassado e ex-ministro José Dirceu e outros dirigentes do PT, partido para o qual trabalhou. Esta relação poderá provocar pedido de suspeição do voto de Toffoli.

Caso Cachoeira: O espião do bicheiro tem amigos até na segurança da CPI

A cada semana, chegam ao Congresso Nacional documentos sigilosos sobre a organização criminosa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O material inclui gravações telefônicas, movimentação bancária de empreiteiras, Imposto de Renda dos suspeitos e relatórios da Polícia Federal (PF). Eles abastecem os integrantes da CPI encarregada de investigar os negócios do contraventor. O temido arsenal, de onde saiu munição contra o senador Demóstenes Torres e os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF), é guardado em três salas no subsolo do Senado, monitorado por câmeras 24 horas por dia. Apenas integrantes da CPI podem consultar os documentos, entre as 9 e 20 horas. Celulares e outros aparelhos eletrônicos são retidos do lado de fora. Depois que as luzes se apagam, o local segue vigiado. Entram em cena os seguranças engravatados da Polícia Legislativa do Congresso Nacional, solicitada pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para vigiar a “sala cofre” da comissão, cômodo de acesso mais restrito, e as duas pequenas salas onde estão dez computadores repletos de arquivos confidenciais digitalizados.

Na semana passada, ÉPOCA descobriu que no comando desses guardiões da noite está um amigo do principal espião de Cachoeira. O chefe do policiamento noturno, Yanko de Carvalho Paula Lima, de 43 anos, aparece nas escutas telefônicas da Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Uma série de diálogos captados em abril de 2011 revela que ele pediu ajuda ao sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, para furar a fila de emissão de passaportes da PF. O segurança precisava, o mais rápido possível, dos documentos dos filhos, um adolescente e uma bebê de poucos meses. A família, com viagem marcada para Las Vegas, nos Estados Unidos, tinha pressa. Dadá, conhecido personagem do submundo de Brasília cujo telefone era monitorado com autorização da Justiça, foi ao auxílio do amigo.

Especialista em filmar, grampear pessoas ilegalmente e obter documentos sigilosos, o sargento e araponga Dadá tinha uma função primordial no bando de Cachoeira, segundo a PF. Ele descobria com antecedência operações policiais contra jogos ilegais para ajudar Cachoeira a escapar de flagrantes. Dadá mantinha uma rede de informantes em órgãos públicos. Um deles era o funcionário administrativo da Polícia Federal Anderson Aguiar Drumond, afastado do cargo assim que a PF descobriu sua atuação no esquema de vazamento para a quadrilha de Cachoeira. Drumond conseguia acelerar a liberação de passaportes, favor que Dadá costumava oferecer a amigos, de acordo com as conversas telefônicas monitoradas pela polícia.

 

 

CARTA CAPITAL

Em cena, o neogolpismo

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