Jornais: repasse de verbas beneficia reduto eleitoral de ministro

O ministro das Cidades, Mário Negromonte, é a bola da vez acerca das denúncias em ministérios: reportagem mostra que ministério já liberou neste ano R$ 16 milhões, beneficiando 102 prefeituras' - partido de Negromonte, o PP, administra 43 desses municípios

FOLHA DE S.PAULO

Repasse de verbas beneficia reduto eleitoral de ministro
Dinheiro reservado pelo Ministério das Cidades para projetos que reduzam acidentes de trânsito foi usado para financiar obras em cidades sem histórico de problemas sérios nessa área, mas que são redutos eleitorais do ministro Mário Negromonte.  O ministério já liberou neste ano R$ 16 milhões para essa finalidade, beneficiando 102 prefeituras. O partido de Negromonte, o PP, administra 43 desses municípios. O PMDB, que aparece em segundo lugar na lista de beneficiários, conseguiu recursos para apenas 23 prefeituras.

O orçamento do ministério prevê que os recursos reservados para "fomento a projetos destinados à redução de acidentes no trânsito" sejam repassados para que as prefeituras promovam campanhas educativas e melhorias das "condições viárias". Mas o ministério vem usando o dinheiro para firmar convênios com prefeituras e financiar obras exclusivamente, incluindo pavimentação de ruas, construção e reforma de ciclovias e calçadões. Das 102 prefeituras beneficiadas pelo ministério, apenas seis aparecem entre os 150 municípios apontados num estudo recente da Confederação Nacional dos Municípios como os que apresentam índices de mortos no trânsito mais preocupantes.

Ministério diz que partido não teve privilégio
O Ministério das Cidades diz que as 102 prefeituras que receberam recursos para projetos de redução de acidentes de trânsito integram um grupo de 1.088 prefeituras cujos projetos foram selecionados em 2009 e 2010, na gestão do ex-ministro Márcio Fortes. O ministério, contudo, não comentou o fato de que os municípios que tiveram suas verbas liberadas este ano são, em sua maioria, administrados pelo PP, além de serem redutos do ministro Mário Negromonte e de seus aliados.

Sobre o fato de nenhuma parcela das verbas pagas neste ano contemplar ações educativas como prevê o Orçamento, o ministério afirma que as obras viárias também estão previstas no programa. O ministério também não comentou por que a maioria das cidades beneficiadas não possui um histórico significativo de acidentes de trânsito.

Emenda de Negromonte beneficia correligionários
Emendas ao Orçamento apresentadas pelo ministro das Cidades, Mário Negromonte, quando exercia o mandato de deputado pelo PP-BA, beneficiaram empresas de pessoas ligadas a ele. As emendas foram destinadas a obras e evento no município de Glória (BA), administrado por Ena Vilma Negromonte, sua mulher. Com recursos do Turismo, a prefeitura contratou, por R$ 98,5 mil, cinco bandas para a festa de São Pedro, em julho.

As bandas foram agenciadas por Clécio Vieira, filiado ao PP e responsável pela área de marketing da campanha de Negromonte nas últimas eleições. Os sites usados durante a campanha pelo hoje ministro e pelo deputado estadual Mário Negromonte Júnior, filho do ministro, estão em nome de Vieira.

Prefeitura diz que festa contou com recursos próprios
A Prefeitura de Glória negou, em nota, que a verba para a contratação de Clécio Vieira tenha sido proveniente de emenda parlamentar. Segundo a prefeitura, foram usados recursos próprios. Vieira afirma que, sabendo que a prefeitura faria um festival na cidade, se associou a grupos de forró da Bahia e de outros Estados e os ofereceu à prefeitura. "Cabe a eles escolherem quais bandas querem."

Ele afirma manter contato com Negromonte quando o ministro vai à cidade, mas negou ter sido beneficiado e disse que bandas agenciadas por outras pessoas também foram contratadas. "Queria eu que fosse a festa toda, mas não tive esse privilégio." Sobre a TC Loc, o município diz que a empresa venceu uma concorrência pública. Joad Teixeira Filho negou que sua empresa tenha sido beneficiada pelas relações políticas de seu pai.

Custo da Copa corre o risco de explodir
O custo da Copa-14 pode repetir os problemas do Pan-Americano do Rio em 2007, quando o valor final do evento superou em 10 vezes o orçamento original. A menos de três anos para o Mundial, o país ainda não tem as contas fechadas para o torneio. O Portal da Transparência do governo, montado pela Controladoria-Geral da União, diz que a Copa custará R$ 23,4 bilhões.

A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que tem acordo de cooperação técnica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Ministério do Esporte, trabalha com outros números. Estima em R$ 112 bilhões o custo total do Mundial e em R$ 84,9 bilhões, se considerado o recorte feito pelo Portal da Transparência, com o cálculo incluindo só aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana.

O MPF (Ministério Público Federal) acha que essa situação conduz o país ao risco de uma explosão de custos. O alerta é do procurador-chefe do Ministério Público Federal do Amazonas, Athayde Ribeiro Costa, atual coordenador do Grupo de Trabalho Copa do Mundo 2014.

Dilma dá espaço para Temer no núcleo central do governo
Um Michel Temer mais sorridente do que de costume sentou-se ao lado da presidente Dilma na posse do ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), no fim de agosto. Chegou a trocar comentários ao pé do ouvido de Dilma. Na cerimônia, se despedia de um aliado, Wagner Rossi, e empossava outro. Apesar da turbulência no Ministério da Agricultura, galgava mais um passo rumo ao difícil núcleo de decisão do governo Dilma.

De lá para cá, Temer só conquistou pontos com a presidente. Presente nas principais reuniões do Planalto, conseguiu ser ouvido por uma chefe com fama de ser refratária às contrariedades. Segundo assessores da presidente, coube a Temer insistir para que o governo cedesse na votação da emenda 29 (que eleva gastos com saúde) e segurar, no Congresso, propostas difíceis para os cofres do governo, como a PEC 300, que cria um piso salarial nacional para policiais.

Desde antes da campanha presidencial, em 2010, Dilma tinha dificuldades em confiar em Temer, que, na eleição de 2002, junto com o PMDB, apoiou o adversário José Serra (PSDB) contra Lula. Da montagem da chapa aos primeiros seis meses de governo, Dilma já havia aceitado incluir Temer na coordenação, primeiro da campanha e depois da transição. Nas duas vezes, o fez para atender à queixa dos peemedebistas. Mas, na prática, o vice continuou alijado das principais decisões.

Tarso recorre para garantir cargos comissionados
Determinado a não abrir mão de 155 cargos comissionados que criou, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), recorreu à Justiça e à Assembleia do Estado para reverter a decisão que suspendeu as novas vagas, no mês passado. O governo enviou projetos ao Legislativo reeditando as leis que haviam sido derrubadas pelo Tribunal de Justiça gaúcho e entrou com um pedido de esclarecimento no TJ sobre pontos da decisão, o que adia os efeitos dela por um prazo de até 180 dias. Duas semanas depois da medida do tribunal, ninguém foi demitido dos quadros do governo.

Desde o começo do mandato, Tarso criou mais de 300 vagas comissionadas. Segundo a decisão do TJ, a maioria dessas funções deveria ser eliminada por não ser de chefia ou de assessoramento. De acordo com os desembargadores, elas teriam que ser preenchidas com concurso público. O governo petista diz que as funções são de direção e são vitais para o funcionamento de projetos criados pela atual gestão, como a Agência Gaúcha de Desenvolvimento.

Estado usa 'situação de emergência' para dispensar licitação
O governo do Tocantins declarou situação de emergência para contratar sem licitação empresas que doaram ou prestaram serviços à coligação do governador Siqueira Campos (PSDB). Os contratos somam mais de R$ 70 milhões. Legalmente, portarias que declaram emergência dispensam o governo de fazer licitação.

O Ministério Público do Estado entende que não havia urgência e entrou com ações civis para cancelar os contratos. Em junho, o governo declarou situação de emergência em 1.210 km de estradas, quase um terço das rodovias estaduais. Alega que os trechos precisavam de reparos imediatos. Foram contratadas seis empreiteiras por R$ 67 milhões. Quatro doaram mais de R$ 1,5 milhão para candidatos da coligação do governador.

O dia que marcou uma década
O evento que definiu o início do século 21 chega hoje ao seu décimo aniversário cercado de contradições. Das ruínas do World Trade Center e do Pentágono, atingidos por aviões comerciais e com quase 3.000 mortos, ergueram-se os anos de unilateralismo e militarismo que reafirmaram a condição dos EUA como superpotência -mas que lançaram as bases para a crise econômica e para a divisão política que ameaçam esse status.

Dez anos depois do 11/9, o mundo vê a China assumir maior protagonismo, embora sua interdependência com os EUA dificulte previsões definitivas sobre a decadência do Ocidente. Osama bin Laden acabou morto, e sua rede Al Qaeda, bastante afetada, mas o terrorismo segue no horizonte e liberdades individuais foram enfraquecidas em nome do combate a ele. Com estimados 225 mil mortos, as guerras no Afeganistão e no Iraque foram politicamente dadas como encerradas, mas, na prática, os conflitos seguem inconclusos.

O ESTADO DE S. PAULO

Emendas apoiam turismo que não existe
Porta de entrada do Rio Amazonas e palco do maior festival de boi-bumbá do País, Parintins está entre os 65 municípios brasileiros indutores do turismo e é a cidade mais visitada por estrangeiros no Estado. Mas em recursos federais ficou na quarta posição, com R$ 5,9 milhões recebidos da União nos últimos 15 anos, atrás de Manaus (R$ 85 milhões), Borba (R$ 7 milhões) e Rio Preto da Eva (R$ 6,5 milhões), onde a maior atração é a Feira da Laranja.

Esses são alguns dos exemplos emblemáticos de distorção e falta de critério na destinação de recursos para fomentar o desenvolvimento do turismo no País. Pesquisa realizada pelo Estado em duas fontes de recursos - o orçamento do Ministério do Turismo e as emendas parlamentares - mostra que, mesmo quando chega, o dinheiro não vai necessariamente para atividades turísticas e acaba servindo para tapar buracos de investimentos não feitos por outras pastas, como Cidades, Transportes e Integração Nacional. O Portal da Transparência do governo federal mostra que, num período de 15 anos, a União investiu R$ 10,6 bilhões nas 27 unidades da Federação, mediante convênios do Ministério do Turismo. Aí estão incluídas as emendas de parlamentares, que engordam em quatro vezes o orçamento da pasta.

Em Alagoas, as maiores verbas do turismo foram para Barra de São Miguel (R$ 46 milhões), no litoral sul. Mas o dinheiro, em vez de fomentar empreendimentos turísticos, foi investido em saneamento básico e construção de um sistema de abastecimento de água. Como ainda faltaram recursos, o ex-deputado Augusto Farias (PSC-AL) descarregou suas últimas emendas para completar as obras. O segundo lugar no recebimento de recursos no Estado foi Porto de Pedras (R$ 39 milhões), no litoral norte. O dinheiro foi todo investido na construção de uma rodovia e em pavimentação urbana. Quase nada foi destinado para atividades turísticas.

PSD nasce para exercitar vocação governista em 18 dos 27 Estados
Além de partido “colaborador, mas independente” em relação à presidente Dilma Rousseff, o PSD nasce aliado de 18 dos 27 governadores e, na maior parte dos casos, ainda tende a segui-los nas eleições das capitais. O arco de alianças não tem preconceitos: vai do PT ao DEM, passando por PSB, PSDB e PMDB. A legenda criada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab será “independente” em cinco Estados, inclusive São Paulo, e no Distrito Federal. Estará na oposição em apenas três.

Com dois governadores - Raimundo Colombo, de Santa Catarina, e Omar Aziz, do Amazonas -, cinco vice-governadores, 49 deputados federais e dois senadores, o novo partido não vê motivos para vetos na escolha dos parceiros. “Não tivemos dificuldades de nos aliar às pessoas que facilitaram nossa formação. E não saímos por aí arrumando inimigos”, diz o futuro secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, ex-tesoureiro do DEM. Entre os 18 governadores aliados, há um grupo de parceiros - patronos, até - que tiveram participação direta na estruturação do PSD nos Estados. Cederam aliados e, em contrapartida, fortaleceram suas bases.

Estão nesse grupo a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); o tucano Simão Jatene, do Pará; os petistas Jaques Wagner, da Bahia, e Marcelo Déda, de Sergipe; e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Outro socialista, o cearense Cid Gomes, também apoiou a formação do PSD, coordenado no Estado por um de seus principais auxiliares, o gestor de gabinete do governo, Almircy Pinto.

Em livro, o PT dos militantes dá lugar ao partido dos funcionários
Um partido que em sua fase heroica avançava impelido pelos sonhos da militância e agora se move pela rotina dos funcionários. Que convive com a presença “opressiva” de um grande líder e é controlado por “uma geração política que envelhece sem novas lideranças”. Cuja força eleitoral, “como a estrela que a simboliza”, é apenas “o brilho de uma realidade que já desapareceu”.

É do PT que se fala - e a voz é de um antigo militante, o hoje historiador da USP Lincoln Secco. Sincero, dando nome às coisas, ele acaba de lançar um livro sobre os 31 anos de existência do partido. História do PT (Ateliê Editora) chega num momento conturbado da sigla - o início do terceiro mandato na Presidência entremeado de escândalos, queda de ministros e desentendimentos entre legenda, aliados e a presidente Dilma Rousseff. De quebra, um congresso nacional que se empenhou em trazer de volta o debate sobre marco regulatório e controle da mídia.

A confusão é pedagógica. “Não faria sentido escrever essa história antes de o PT passar pelo teste do poder”, diz o autor. “Só recentemente ficou possível contar como surgiu e evoluiu a militância, depois o período de refluxo do sindicalismo e, por fim, o modo como ele se sai no exercício do poder.” Não chega a ser uma catilinária indignada contra os malfeitos petistas, mas é um relato bem diferente do que os dirigentes do partido gostariam que a militância lesse. Embora não personalize os episódios - o que enfraquece o poder da narrativa -, Secco expõe conflitos, decepções, o abandono da bandeira da ética.

11 de Setembro: dez anos depois
Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram o mundo em questão de horas. A primeira reação foi questionar: por quê? O que levou 19 muçulmanos a sequestrar jatos comerciais com 40 mil litros de combustível e transformá-los em bombas contra civis? A escassez de explicações para o 11 de Setembro fez do cientista político Samuel Huntington o profeta do momento. Ele passou os anos 90 defendendo que o mundo pós-Guerra Fria seria marcado por conflitos entre identidades culturais, entre as quais a islâmica era a mais encrenqueira. As democracias ocidentais, pluralistas e liberais, seriam sua nêmesis. O choque de civilizações foi a primeira sequela do 11 de Setembro: um surto de islamofobia.

Tragédia consumada, o presidente George W. Bush não tinha outra opção senão um revide proporcional ao golpe. Mas dessa vez o adversário não era um Estado. Na falta de alvos convencionais, ele declarou "guerra ao terror", anunciando sanções contra países que protegessem terroristas e prenunciando as primeiras ações no Afeganistão. Bush encontrou sua doutrina e, os EUA, o unilateralismo após o 11 de Setembro.

Dez anos depois, o esforço consumiu US$ 5 trilhões e contribuiu para o buraco nas contas públicas do país. Pior do que o déficit econômico, porém, foi o desgaste moral. Para trancafiar terroristas capturados, os EUA criaram um centro de detenção em Guantánamo, Cuba, até hoje um espinho na garganta da nação que era arauto dos direitos humanos.

A vida dos americanos também nunca mais foi a mesma depois do 11 de Setembro. A Lei Patriótica deu ao presidente o direito de prender sem acusação prévia suspeitos de terrorismo. Pouco depois, Bush mandou grampear telefonemas e e-mails de cidadãos sem permissão judicial. Viajar de avião virou uma via-crúcis. A segurança nos aeroportos foi reforçada e a inspeção de passageiros aumentou as filas, os atrasos e o desconforto.

CORREIO BRAZILIENSE

Bate-boca entre parlamentares no plenário vai ao Supremo
Os nobres parlamentares brasileiros terão que pensar duas vezes antes de partir para o ataque verbal a seus desafetos. Pelo menos aqueles que não quiserem correr o risco de perder dinheiro. É que bate-bocas durante a discussão de projetos ou debates políticos podem obrigá-los a indenizar aquele que se sentir ofendido. A justificativa da imunidade no exercício da função — prevista nos artigos 29 e 53 da Constituição Federal — já não é garantia de liberdade de dizer tudo o que quiser. A palavra final sobre o assunto será dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que julgará um recurso envolvendo dois vereadores de Tremembé (SP).

A briga entre os vereadores começou no plenário da Câmara da cidade em maio de 2001 e, ao longo dos últimos 10 anos, percorreu o fórum de Tremembé, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, desde 25 de março, está no STF nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello. Ao julgar o recurso, os ministros decidirão que tipo de manifestação está protegida pela imunidade parlamentar. A regra será aplicada a todas as ações semelhantes no órgão e servirá como orientação para os juízes e desembargadores do país.

A discussão tem como pano de fundo uma representação feita pelo então vereador Sebastião Carlos Ribeiro das Neves contra o prefeito da cidade. Por isso, Sebastião teve a honestidade questionada durante uma reunião plenária. “Podia ser de qualquer um, qualquer outra pessoa que tem o direito, mas não dessa pessoa que apoiou a ladroagem, que apoiou a sem-vergonhice, que apoiou a corrupção até o último minuto. Que moral essa pessoa tem? Nenhuma”, teria dito o colega de plenário José Benedito Couto Filho, segundo o texto da ação.

Levantamento do Correio revela que, no Senado, maioria rejeita nova CPMF
Sem tempo hábil para criar, durante a tramitação na Câmara, uma nova fonte de recursos para a Saúde dentro da Emenda 29 — que regulamenta os percentuais mínimos a serem investidos no setor —, o governo escolheu o Senado como o campo de batalha onde se desenrolará a discussão sobre um possível novo imposto. Nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o tributo seria a solução dos sonhos, acalentada pelo Palácio do Planalto para suprir a carência por verbas no setor, que será consideravelmente aumentada com a provável aprovação da regulamentação do texto.

Na dura realidade do plenário, contudo, a tarefa será árdua. Levantamento feito pelo Correio com 59 dos 81 senadores mostra que, nesse momento, 45 parlamentares — maioria absoluta dos integrantes da Casa — são contrários à criação de mais um imposto. Apenas oito senadores defendem a ideia do novo tributo e seis declaram que vão esperar o resultado da votação na Câmara ou a orientação do governo antes de definir por qualquer posição.

“Está em jogo uma necessidade de financiamento de R$ 60 bilhões ao ano”, diz o presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Antônio Carlos Figueiredo Nardi, defensor da criação de uma fonte de recursos específica para o setor. Os números mostram que o maior desafio para o governo será encontrar uma “barriga de aluguel” para sua proposta. As declarações dos senadores deixam transparecer que o principal empecilho para a criação de um tributo, no momento, é a imagem negativa da medida no bolso do eleitorado, a pouco mais de um ano das eleições municipais.

José Pimentel deve ser anunciado como o líder do Planalto no Congresso
A presidente Dilma Rousseff deve confirmar amanhã o nome do senador José Pimentel (PT-CE) como novo líder do governo no Congresso Nacional. Pela manhã, ele participa da reunião de coordenação política do Palácio do Planalto, ao lado de ministros e de outros líderes da base. A assessoria de imprensa da Secretaria de Relações Institucionais confirma o convite ao senador para a reunião com a equipe do governo e informa que o anúncio deve ser feito logo após a reunião.

Pimentel prefere não comentar sua indicação antes que ela seja oficializada pela presidente Dilma. A liderança do governo vinha sendo disputada desde que Mendes Ribeiro (PMDB-RS) foi indicado para assumir o Ministério da Agricultura, no mês passado. O PMDB se mobilizou para permanecer com o cargo, mas prevaleceu um acordo interno do PT, da época em que Pimentel foi preterido na escolha da Vice-Presidência do Senado e do líder na Casa. Os senadores Marta Suplicy (PT-SP) e Humberto Costa (PT-PE) acabaram ficando com os cargos. Para compensá-lo, ficou acertada a sua nomeação para a liderança do governo no Congresso em caso de vacância.

Desta vez, o preterido foi o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Seu nome foi levado pelo vice-presidente Michel Temer a Dilma Rousseff. Naquela ocasião, líderes petistas chegaram a afirmar que a vaga aberta ficaria com o PMDB e que não haveria disputas sobre a questão. Com o clima um pouco mais ameno, desenhou-se a consolidação de Pimentel, ex-ministro da Previdência no governo do ex-presidente Lula. A afinidade de Dilma com Pimentel também pesou na escolha,  já que, com Castro, há pouco contato.

Ana Arraes chama a atenção com a possibilidade geral de ocupar vaga no TCU
Nunca antes na história  recente deste país a disputa de uma vaga para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) foi acompanhada tão de perto pelos analistas políticos e pelos próprios parlamentares. E todo esse alvoroço ocorre graças à candidatura da líder do PSB, a pernambucana Ana Arraes. Aos 63 anos, em seu segundo mandato na Câmara, fechou a semana com uma boa margem de votos no PT de Lula, no PSDB de Aécio Neves e no PSD de Gilberto Kassab, e chama a atenção com a possibilidade geral de ser a primeira mulher a ocupar uma vaga no TCU, desde a redemocratização do país. A última que obteve esse mérito foi Élvia Castelo Branco, ainda no período da ditadura militar (1964-1985).

Advogada e técnica judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, ela junta em sua campanha o sobrenome do pai, Miguel Arraes, e conta ainda com o trabalho do filho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Mas não é só isso. O PCdoB de Aldo Rebelo fez de tudo para que ela desistisse da disputa e apoiasse o candidato comunista. Ela não topou: “No meu dicionário, não existe a palavra desistir. A minha candidatura não é minha. Foi apresentada pelo meu partido e estou trabalhando para ganhar”, afirma.

Quem conhece dona Ana, como os colegas de Congresso a chamam, sabe que ela fala sério. Afinal, desde muito jovem ela enfrentou as dificuldades impostas pela ditadura militar. Em julho de 1964, aos 17 anos, foi incisiva com o comandante-geral do IV Exército, general Olímpio Mourão Filho, ao pedir que ele liberasse a presença de seu pai, àquela altura preso político em Fernando de Noronha, para que ele pudesse comparecer ao casamento da filha. Ela tanto fez que o general assentiu. E, em agosto, ela se casou na capela da Base Aérea, cercada por soldados.

Do casamento, Miguel Arraes voltou para a cadeia. Ana, já casada, não seguiu com ele para o exílio mais tarde. Só foi revê-lo mesmo em 1970, quando levou seus filhos para conhecer o avô em Argel, capital da Argélia, entre eles, o pequeno Eduardo. A família só se reuniu para valer em 1979, quando Arraes voltou do exílio e ela passou a acompanhar de perto a carreira do pai. E, mais tarde, a carreira política do filho. “Eu nem pensava em ser candidata, mas fui. Agora, também não pensava em concorrer ao TCU, mas tomei gosto”, diz.

Estilo de roupa de Dilma se reflete nos ministérios comandados por mulheres
Nenhuma mulher com trânsito no poder é obrigada a ser uma Michelle Obama, primeira-dama dos Estados Unidos, com seu corpo e braços sarados, ou uma Carla Bruni, primeira-dama francesa, com a languidez própria das ex-modelos, capazes de estar sempre bem vestidas ou até serem disputadas por estilistas para aparecer em público com as últimas criações. Obviamente, o figurino é só um detalhe quando a eficiência é o que conta na mulher que assume posição de destaque nos altos escalões da política. Caso da presidente Dilma Rousseff, primeira mulher a assumir o comando do país.

Em seus compromissos, seja no gabinete presidencial ou em eventos públicos, porém, Dilma tem aparecido frequentemente — mais até, diariamente — com indefectíveis tailleurs, terninhos e blazers, com mangas três-quartos, quase sempre debruados em cores contrastantes à predominante no traje. Essas peças do vestuário feminino são práticas, discretas e dificilmente fazem feio, a recordar o traje da posse, criado pela gaúcha Luisa Stadtlander. Embora não tenha sido unanimidade, era alinhadíssimo e de muito bom gosto, do tom off-white, da textura ao corte.

Em lugar algum ou, melhor, em quase todos os gabinetes comandados por mulheres na Esplanada dos Ministérios. Se as ministras foram escolhidas por se espelharem no estilo Dilma de governar, muitas delas, parece, decidiram também que o estilo Dilma de se vestir é o mais apropriado. São raras as que escapam. Integram a lista que seguem a opção tailleur/blazer as titulares de ministérios com maior visibilidade, como as de Relações Institucionais, Ideli Salvatti; do Planejamento, Miriam Belchior, e da Casa Civil, Glesi Hoffmann; e as titulares de Direitos Humanos, Maria do Rosário; e a de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes. Eventualmente, elas até mudam o figurino, mas a base é a mesma, especialmente nos eventos oficiais.

Por sua vez, as ministras da Cultura, Ana de Hollanda; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello; do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e a de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, eventualmente usam o “uniforme” oficial em solenidades mais formais. Mas nem nas próprias posses elas fugiram ao seu estilo. Ana e Luiza até usam seus blazers, porém, uma de forma mais despojada e a outra com sobreposições de lenços. Tereza varia muito: vestidos, camisas, listras, enquanto Izabella surge invariavelmente com seus camisões.

O GLOBO

Ideli: reforma ministerial deverá ocorrer no máximo até fevereiro
Perto de completar três meses no cargo de ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti afirma, sem falsa modéstia, que as mudanças promovidas pela presidente Dilma Rousseff na estrutura palaciana deram novo ritmo ao governo. E não se acanha de incluir aí não só sua própria nomeação, como também a de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil, substituindo Antonio Palocci.

O trio feminino está afinado e entrosado. Ideli diz que a mexida promovida pela presidente garantiu um maior entrosamento à equipe do Planalto, o que vem permitindo um melhor encaminhamento das demandas de diferentes áreas administrativas, como também da base governista. E a ministra prevê novas mudanças pela frente.

Ideli confirmou a intenção de Dilma de fazer uma reforma ministerial no início do próximo ano, a despeito das quatro trocas de ministro que foi obrigada a fazer nos primeiros oito meses de seu governo. As primeiras mudanças foram precipitadas por denúncias e suspeitas de irregularidades, mas garantiram à presidente nomear uma equipe mais identificada com seu próprio perfil. E ela deverá se valer do calendário eleitoral para promover as próximas substituições, formando uma equipe cada vez mais afinada com seu jeito de governar.

Voto consciente – trecho de artigo de Merval Pereira
"Não é a primeira vez que um fato isolado expõe com crueza a separação entre o que quer a sociedade e o que fazem os políticos. A absolvição da deputada federal Jacqueline Roriz, flagrada em filme recebendo uma propina do esquema do então governador Arruda em Brasília, foi um tapa na face da opinião pública e explicitou a necessidade de uma mudança na representação congressual, para aproximá-la do sentimento da sociedade.

A proposta de reforma política apresentada pelo relator da comissão especial, o petista Henrique Fontana, dá, com a lista fechada, uma força às direções partidárias que elas não estão a merecer. A proposta de voto distrital, em contrapartida, dá ao eleitor a chance de fiscalizar de perto a atuação de seu escolhido, e por isso a adesão ao manifesto se amplia.

A legitimidade do Congresso Nacional como instituição estaria ameaçada por práticas fisiológicas que já são nossas velhas conhecidas: clientelismo, malversação, promiscuidade."

Com pré-sal e Olimpíadas, Rio de Janeiro atrai US$ 18 bi e lidera investimentos no país
O Rio de Janeiro se converteu em um polo de atração de investimentos e passou a ser a unidade da Federação que mais receberá recursos nacionais e estrangeiros nos próximos anos. De um total de US$ 268,8 bilhões anunciados para o Brasil em 2010, o Rio recebeu US$ 18,45 bilhões, saindo da 3 posição em 2009 e indo para a 1 no ano seguinte, segundo o Relatório de Anúncios de Projetos de Investimentos (Renai) de 2010, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ao qual O GLOBO teve acesso. O estado passou à frente de Minas Gerais e São Paulo, que receberam, respectivamente, US$ 10,6 bilhões e US$ 10,4 bilhões.

A locomotiva desses investimentos bilionários é o petróleo na camada do pré-sal e o que a descoberta representa em termos de formação de cadeias de fornecedores dos mais variados segmentos da economia, como construção naval e siderurgia. Os americanos são os maiores investidores estrangeiros, com projetos específicos e em parceria com empresas brasileiras.

Atualmente, há projetos espalhados por todo o estado. Em São João da Barra, no Norte Fluminense, destacam-se a construção de uma usina para a produção de placas de aço pela Ternium, no valor de US$ 6 bilhões, além da construção do Superporto do Açu, que vai consumir outros R$ 3,4 bilhões. Em Itatiaia, no Sul do estado, a Michelin destina R$ 1,1 bilhão a uma fábrica de pneus e a Procter & Gamble vai ampliar seu centro de distribuição. A MAN Latin America, fabricante de caminhões e ônibus Volkswagen, investe R$ 150 milhões na ampliação de sua unidade fabril de Resende.

MP denuncia bispo Macedo por lavar dinheiro de fiéis
O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o bispo Edir Macedo e mais três dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro arrecadado dos fiéis. De acordo com a investigação, o grupo teria utilizado os serviços de uma casa de câmbio de São Paulo para mandar recursos de forma ilegal para os Estados Unidos, entre 1999 e 2005. Os frequentadores da Universal seriam, segundo a denúncia, vítimas de estelionato. Os denunciados são acusados de só declarar à Receita parte dos recursos arrecadados com doações.

Em 2009, o Ministério Público Estadual de São Paulo chegou a apresentar denúncia contra Macedo e oito dirigentes da Igreja por lavagem de dinheiro, mas o Tribunal de Justiça do estado anulou o processo, em outubro de 2010, porque entendeu que a investigação deveria ser remetida para a Justiça Federal.

A nova denúncia foi apresentada no dia 1 de setembro pelo procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira e utiliza fatos que foram levantados pela investigação do Ministério Público Estadual. Para o procurador, os "pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a Igreja e que a contrapartida de propriedade espiritual ou econômica que buscam depende exclusivamente da quantidade de bens materiais que entregam".

Avião Hércules da FAB ajuda a combater incêndios florestais no DF
A Força Aérea Brasileira (FAB) está ajudando os bombeiros do Distrito Federal a combater diversas frentes de incêndio que atingem as florestas da capital. Um avião Hércules C-130 está despejando 12,8 mil litros de água a cada decolagem, nas áreas indicadas pelo Corpo de Bombeiros. No início deste sábado, as equipes atuaram nos arredores do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek.

- A área foi escolhida devido ao risco de o incêndio próximo às pistas prejudicar o tráfego aéreo. Em seguida, partiremos para as demais regiões afetadas, seguindo as orientações dos bombeiros - explicou o porta-voz da operação, capitão Paulo Costa, da FAB. Após atuar na região do aeroporto, o Hércules ajudará no combate ao incêndio na Floresta Nacional, localizada nas proximidades da cidade-satélite de Brazlândia.

Dívidas de combate: atentados deixaram legado de crise econômica aos EUA
Sangrar a América até o ponto de falência. Essa era a expressão usada por Osama bin Laden em um vídeo de 2004 para descrever a estratégia dos atentados de 11 de Setembro, ataques não somente contra a soberania dos EUA, mas contra as finanças da superpotência. Dez anos e duas guerras depois do choque de aviões nas torres do World Trade Center, os EUA carregam um legado de endividamento, escalada de gastos militares e alto desemprego, sintomas de uma economia em crise.

Bin Laden teria aprendido no conflito entre o Afeganistão e a antiga União Soviética na década de 1980 que não se ganha uma guerra contra um império somente no campo de batalha, mas no gradual desgaste econômico causado pelos custos de um conflito, argumenta Daveed Gartenstein-Ross, especialista em contraterrorismo, em artigo publicado na "Foreign Policy" logo após a morte do terrorista.

A tese é alvo de debate, mas a resposta americana aos atentados - com as guerras do Afeganistão e do Iraque - representou um aumento constante de gastos militares custeados com base em empréstimos, o que contribuiu para acentuar ainda mais o endividamento do país. Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, em preços constantes, os gastos militares saltaram de US$ 378,9 bilhões em 2001 para US$ 687,1 bilhões no ano passado.

Guantánamo, de limbo jurídico a mancha para os EUA
Além de destruição e mortes, os ataques de 11 de Setembro produziram em seu rastro um dos maiores absurdos jurídicos e de abuso de liberdades civis e dos direitos humanos: a prisão de Guantánamo. A isolada e vigiada fortaleza não é obra do fundamentalismo islâmico nem de algum regime ditatorial, mas de uma das maiores democracias do mundo, os Estados Unidos. Ao abrir as celas da polêmica penitenciária em 11 de janeiro de 2002 para enclausurar suspeitos de terrorismo, o governo George W. Bush cavou um buraco negro para os detentos, jogados em um limbo jurídico e sujeitos a práticas de tortura e a tratamentos desumanos.

As imagens de presos ajoelhados e acorrentados em seus uniformes, cercados por arame farpado e canos de metralhadoras, expunham apenas a superfície da sombria realidade da prisão instalada na base militar americana na ilha cubana, protegida sob o manto da classificação "top secret".

Em nome da Guerra ao Terror, o governo americano não mediu esforços para capturar suspeitos no exterior, cometer abusos em interrogatórios nas prisões secretas da CIA fora dos Estados Unidos e enviá-los para Guantánamo por tempo indeterminado, em regime jurídico de exceção. O tempo, auxiliado por protestos da sociedade civil e de documentos confidenciais vazados pelo grupo WikiLeaks, revelou as aberrações da prisão. Os arquivos secretos mostram casos kafkianos de detenção de pessoas diagnosticadas com problemas mentais.

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