Renan é citado em depoimento de ex-diretor da Petrobras

Presidente do Senado teve o nome associado por Paulo Roberto Costa a negócio envolvendo o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Negociação foi frustrada por causa da prisão do doleiro e do ex-executivo da estatal, diz o Estadão

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é um dos políticos mencionados do depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça, em uma tentativa de reduzir eventual condenação com a chamada delação premiada. Segundo Paulo Roberto, o esquema de propina no âmbito da petrolífera, por meio de contratos bilionários, beneficiava também a empresa UTC Engenharia – uma das contratadas mediante pagamento de propina de 3% para políticos delatados por Costa. As informações são do site do jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o ex-diretor da Petrobras, políticos diversos recebiam esse percentual em comissão sobre o valor de cada contrato da estatal no período em que ele comandava a diretoria de Abastecimento da empresa, entre 2004 e 2012. O esquema foi descoberto nas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Uma das negociações envolvendo Renan, informa o site do Estadão, é um acerto com o doleiro Alberto Youssef que consistiu na compra, por parte do fundo de pensão dos Correios (Postalis), de R$ 50 milhões emitidos pela Marsans Viagens e Turismo – empresa que tinha Youssef como um dos investidores. Ainda segundo o site, Youssef se reuniu com Renan em março, dias antes de ser preso, para acertar a comissão que caberia ao PMDB no esquema. PMDB e PT controlam o Postalis.

O negócio estava em curso, mas foi frustrado em razão da prisão do doleiro e de Costa. A Marsans foi fechada em seguida. Renan não foi localizado pela reportagem para falar sobre o caso.

"As denúncias do envolvimento do presidente do Congresso e de senadores em esquemas de saque da Petrobras são graves", comentou no Twitter o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP).

O assunto também é matéria de capa da revista Veja. “Os depoimentos são registrados em vídeo – na metade da semana passada, já havia pelo menos 42 horas de gravação. Paulo Roberto acusa uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção. Aos investigadores, ele disse que três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal”, diz trecho da revista, que adiantou hoje (5) em seu site parte do material da edição impressa, que promete divulgar amanhã o nome de todos os políticos delatados.

Segundo o Estadão, Paulo Roberto Costa envolveu pelo menos 32 deputados e senadores, cinco partidos políticos e um governador no esquema. De acordo com a Folha de S. Paulo, ele citou o nome de 61 parlamentares.

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