Religiosos serão ouvidos sobre kit anti-homofobia

Edson Sardinha

Uma comissão formada por representantes de parlamentares ligados a segmentos religiosos será ouvida no processo de definição do kit anti-homofobia a ser distribuído pelo Ministério da Educação (MEC). Segundo o coordenador da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), o compromisso foi assumido hoje pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, em encontro com a bancada. Diante da disposição do ministro, a frente parlamentar decidiu suspender a obstrução a qualquer votação na Câmara, anunciada ontem pela bancada em represália ao que alguns deputados batizaram de ?kit-gay?.

?Essa comissão vai interagir com o ministério para avaliar esse material e também opinar sobre o seu conteúdo. O material não irá à aprovação do ministério antes desse procedimento. Vamos monitorar?, afirmou João Campos ao Congresso em Foco. ?Evidentemente que não podemos impor ao governo que faça o que queremos. Mas o ministro tem formação cristã, se houver excessos, ele está disposto a dialogar conosco?, acrescentou o deputado.

João Campos disse que o colegiado será composto por representantes da Frente Parlamentar Evangélica, da Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira, também basicamente formada por evangélicos, e da bancada católica.

No encontro desta manhã, Haddad negou que o material em circulação apelidado pelos parlamentares como kit-gay ? três vídeos e quatro cartilhas- seja oficial do MEC. O ministério se prepara para distribuir um material para diminuir o preconceito contra homossexuais. Mas o conteúdo ainda não foi selecionado, explicou o ministro.

Os parlamentares apresentaram, na reunião com o ministro, uma cartilha com o símbolo do MEC que fala de masturbação e outra, atribuída ao Ministério da Saúde, que contém ilustração de sexo entre dois homens.
?O ministro disse que só ontem esse material chegou para ele. O material sequer foi aprovado pelo MEC. Só após a aprovação, é que o ministério fará a distribuição. O material que já está na internet não passou pelo ministério, o ministro sequer tinha visto. O material que está exposto na internet não foi colocado pelo governo?, contou João Campos.

Para o deputado, o fato de o ministro ter ido às pressas à Câmara para falar com os parlamentares evangélicos sobre o assunto demonstra que Haddad tem ?sensibilidade? com as preocupações da bancada. Campos, no entanto, criticou a condução do processo até aqui. ?Se é para envolver a sociedade civil, essa discussão não pode ter apenas um segmento, o movimento LGBT (Travestis, Transexuais e Transgêneros). É preciso que haja participação de associações de pais, educadores, religiosos. Do contrário, ia dar no que deu?, afirmou.

Segundo Fernando Haddad, a produção do kit está sendo feita por uma organização não-governamental, contratada pelo ministério há três anos. O material só será oficial, de acordo com o ministro, após ser aprovado pelo MEC.

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