Relatório da PF compromete mulher de governador mineiro

Relatório da Polícia Federal revela que a jornalista Carolina de Oliveira Pereira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, mantém em seu nome empresa usada no esquema do empresário Benedito de Oliveira, um dos presos ontem (sexta, 30) no âmbito da Operação Acrônimo. As investigações descobriram que a Oli Comunicação e Imagens, de Carolina, é uma firma de fachada utilizada por Benedito para movimentação financeira irregular.

O jornal O Globo teve acesso ao relatório da PF. Em reportagem publicada neste sábado (30), o veículo informa que os investigadores chegaram à conclusão de que se trata de uma empresa fantasma porque, no papel, a Oli funciona no mesmo endereço da PP & I Participações Patrimoniais – empresa que, segundo a investigação, também é empregada em negociatas de Benedito. Uma visita dos agentes ao local bastou para despertar a suspeita.

“Conforme item 3.1.1. da Informação 009/2015, embora a recepcionista do local tenha referido o funcionamento da empresa Oli, nos salas 1810 e 1881 (onde deveria funcionar a empresa) não foi encontrada qualquer indicação da existência da mesma”, assinala o procurador Ivan Marx, no termo em que solicita à Justiça Federal autorização para busca e apreensão de documentos em endereços da jornalista.

“[...] pode se concluir que, tanto a empresa PP & I Participações Patrimoniais e Imobiliárias, a empresa Oli Comunição e Imagens também seria uma empresa fantasma possivelmente utilizada para os fins Orcrim (organização criminosa) com a conivência de sua proprietária Caroline de Oliveira Pereira”, arremata o procurador.

A revista Veja também teve acesso ao relatório. Além de mencionar a jornalista, a publicação diz que a relação entre Benedito e Pimentel “vai muito além da amizade”. “[...] os documentos levantam a suspeita de que Bené operava uma espécie de caixa paralelo na campanha de Pimentel ao governo. [...] A PF investiga se dinheiro proveniente de contratos públicos foi desviado, como no escândalo do petrolão, para campanhas políticas. Há a suspeita de que as empresas de Bené, que receberam cerca de meio bilhão de reais do governo federal desde 2005, tenham bancado gastos de campanhas eleitorais petistas”, informa Veja.

A operação

Ontem (sexta, 29), nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal, tendo como investigados doadores privados de campanhas eleitorais em 2014. As diligências ocorreram no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e envolvem 400 policiais.

Ao todo, 30 endereços de pessoas físicas e de 60 empresas estão na mira da investigação. A operação se debruça sobre uma organização criminosa suspeita de praticar crimes como lavagem de dinheiro e tem como principal alvo o próprio Benedito, proprietário de uma gráfica em Brasília. Ele é dono de um avião com o prefixo PEG – o acrônimo a que se refere o nome da operação, por ser as iniciais dos filhos de Benedito.

A aeronave foi apreendida no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, durante o pleito de 2014, transportando R$ 116 mil em espécie. Na ocasião, foram detidos Benedito e o ex-assessor do Ministério das Cidades Marcier Trombiere, ambos colaboradores de campanhas do PT, entre elas a do atual governador de Minas Gerais.

Leia mais sobre o assunto nas reportagens do jornal O Globo e da revista Veja

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