Relator: Marcos Valério era o intermediário de José Dirceu

Joaquim Barbosa disse que o empresário agia em nome do ex-ministro da Casa Civil em reuniões com empresas. Para ele, petista tinha conhecimento dos pagamentos à base aliada

O empresário Marcos Valério, sócio das agências de publicidade SMP&B e DNA Propaganda, era o intermediário do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em reuniões com empresas para arrecadar e distribuir dinheiro a integrantes da base aliada. De acordo com o relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ele tinha conhecimento de todas as negociações. E usava Marcos Valério como "broker".

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A expressão usada por Joaquim vem da lei norte-americana sobre corrupção. Ela traz a figura do "broker", um agente intermediário responsável por executar as ordens do corruptor. Para comprovar a tese, Joaquim citou as viagens de Marcos Valério a Portugal. Em uma delas, houve o encontro com o presidente da Portugal Telecom, dona da Vivo no Brasil.

De acordo com o relator, em todas as viagens a Portugal feitas por Marcos Valério ficou comprovada a ausência de relações comerciais das empresas contatadas com a SMP&B e a DNA. Por isso, os encontros com "conceituados executivos" da Portugal Telecom e do Banco Espírito Santo e até o ministro das Comunicações português não tinham interesse próprio.

"Considero impossível acolher a tese de que José Dirceu simplesmente não sabia que Marcos Valério vinha efetuando pagamentos em espécie a partidos da base", afirmou Joaquim. O relator informou que Dirceu teve encontros chave com todos os personagens do esquema. Alguns deles eram na própria Casa Civil, onde recebeu, por exemplo o presidente do Banco Espírito Santo.

O relator informou que chegou ao ponto de haver reuniões secretas entre Marcos Valério e José Dirceu na Casa Civil. Para arrecadar os R$ 55 milhões que abasteceram o "valerioduto", Dirceu tinha que negociar. Para Joaquim, tudo dependia de sua atuação no ministério.

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Interesses

Para Joaquim, também ficou comprovado, durante as investigações, que o Banco Rural tinha outro interesse além da execução do Banco Mercantil de Pernambuco. Foi descoberto que a instituição financeira era dona de uma offshore sediada nas ilhas Cayman, a Trade Link Bank. A empresa trabalhava para diversos doleiros lavando "quantias bilionárias".

A offshore teve participação, informou Joaquim, na lavagem de dinheiro de contas do banco Banestado. Por isso, estava sendo investigada na CPI instalada na Câmara para analisar o caso. O relator da comissão era o petista José Mentor (SP), um dos réus do mensalão. A situação dele será analisada no próximo item. "O Banco Rural tinha grande interesse na CPI do Banestado, que era relatada por um deputado do PT", afirmou.

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