Relator da CPI reclama de blindagem a Marconi e Cavendish

Com parecer rejeitado, Odair Cunha classifica resultado como uma "pizza geral". Parlamentares afirmam que acordo pode ter sido feito para viabilizar sucessão presidencial no Senado

Parlamentares que defendiam a aprovação do relatório apresentado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmaram nesta terça-feira (18), após o fim da CPI do Cachoeira, que houve um acordo entre o PMDB e o PSDB para impedir que o documento fosse aprovado na sessão de hoje. O objetivo seria resguardar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e retirar a empreiteira Delta do foco de qualquer investigação. 

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Relator da comissão, Odair Cunha diz que houve uma blindagem de Marconi e de Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta. Ambos eram alvo das investigações da CPI. Segundo o deputado, esse foi o motivo para que seu parecer fosse rejeitado por 18 votos a 16. O documento pedia o indiciamento de 29 pessoas e a responsabilização de outras 12 que têm foro privilegiado, como o governador de Goiás, o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), e o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Todos são acusados de terem ligação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira no esquema de exploração de jogos ilegais que envolveu agentes públicos e privados.

“O que derrubou o nosso relatório foi a blindagem do governador Marconi Perillo [de Goiás] e da empresa Delta. Queriam que a gente retirasse questões do nosso relatório. Sem fazer alterações, nós fomos derrotados. Apesar do nosso esforço, uma pizza geral”, disse o deputado, acrescentando que os pedidos para retirar as acusações contrárias ao empresário foram feitas nas entrelinhas das negociações.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), o resultado da CPI envergonha o país e desmoraliza o Congresso. “Mais do que pizza. Foi dança com guardanapo na cabeça e champanhe francês. O Parlamento saiu desmoralizado hoje. Triunfaram as articulações do último momento”, disse.

A ação de Renan

Segundo parlamentares ouvidos pelo Congresso em Foco, as negociações entre PMDB e PSDB foram capitaneadas pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que busca apoio para sua eleição à presidência do Senado no ano que vem. De acordo com tais congressistas, ele conversou com diversos parlamentares durante a sessão deliberativa de ontem. Um dos efeitos dessa articulação foi a operação desencadeada para suprir a ausência do senador peemedebista Ricardo Ferraço (ES). Foi assim que se incorporaram à comissão os senadores Ivo Cassol (PP-RO) e Sérgio Petecão (PSD-AC), que votaram contra o relatório de Odair e a favor do voto em separado de Pitiman, aproveitando a vaga de Ferraço e de outra vaga que se encontrava em aberto.

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