Rebelião em presídio de Roraima deixa mais de 30 mortos

Sem detalhar, Secretaria de Segurança do estado afirma que situação está sob controle. Rebelião ocorre quatro dias após briga de facções em cadeia de Manaus, onde 60 presos foram mortos

Pelo menos 33 presos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR), foram mortos na madrugada desta sexta-feira (6), conforme informações da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania. O caso ocorre quatro dias após o fim do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim e na Unidade Prisional do Puraquequara, em Manaus, que deixou 60 presos mortos nos presídios.

As autoridades locais ainda não detalharam o que aconteceu. Apesar dos indícios de ligação com o massacre ocorrido nos presídios de Manaus, o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, negou que o caso tivesse alguma ligação e afirmou que as mortes seriam um acerto de contas entre facções dentro do presídio. As declarações foram feitas em coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (6), em Brasília, onde o ministro detalhou o Plano Nacional de Segurança do governo.

Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar entraram no presídio no começo da manhã e a Secretaria de Segurança do estado afirmou, por meio de nota, que a situação já está sob controle. O secretário de Justiça e Cidadania, Uziel Castro, atribuiu a responsabilidade do massacre aos presos do Primeiro Comando da Capital (PCC) que estavam concentrados no centro de detenção. O Pamc é o maior presídio de Roraima e abrigava, até outubro de 2016, pouco mais de 1,4 mil presos. Ao contrário dos presídios de Manaus, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo é administrada pelo próprio estado.

Nesta quinta-feira (5), o presidente Michel Temer quebrou o silêncio sobre o massacre em Manaus, se solidarizou com as famílias, anunciou Plano Nacional de Segurança e prometeu urgência na construção de presídios. Ainda sem detalhamento, as propostas do plano estão sendo anunciadas nesta sexta-feira (6) pelo ministro Alexandre Moraes.

Plano Nacional de Segurança

Conforme plano do governo anunciado ontem (5) e detalhado nesta sexta-feira (6), as propostas estão sendo centradas em três pontos centrais:  combate aos homicídios dolosos e feminicídios; combate integrado ao tráfico de drogas e armas, juntamente com países vizinhos, e a racionalização, modernização e construção do sistema penitenciário.

Entre as propostas, está a liberação de R$ 150 milhões anuais para que os presídios contratem bloqueadores de celular; R$ 200 milhões para que os governos estaduais construam, imediatamente, mais de cinco presídios de segurança máxima, e outros R$ 80 milhões para a compra de equipamentos e armamento de modernização dos presídios.

Medidas como separação de presos por periculosidade e concessão de liberdade provisória em crimes de menor periculosidade em troca de penas alternativas, como curso de capacitação e tornozeleira eletrônica, estão entre as propostas anunciadas. A concessão de liberdade provisória para desafogar os presídios brasileiros ainda vai ser negociada com o Judiciário, conforme afirmou o ministro na manhã desta sexta-feira (6).

“Eu defendo que preso sem violência ou grave ameaça não tem nexo nem lógica de estar preso. A questão não é soltar por soltar, a questão é retirar ele da possibilidade de o crime organizado absolver. Temos que parar de ficar entregando soldados ao crime organizado. Vamos apostar que elas não vão reincidir”, afirmou o ministro durante coletiva de detalhamento do Plano Nacional de Segurança.

Íntegra da nota do governo de Roraima:

“A Secretaria de Justiça e Cidadania informa que nesta madrugada (dia 6) foram registradas 33 mortes na Pamc (Penitenciária Agrícola de Monte Cristo).

Esclarece que a situação está sob controle e que o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PMRR (Polícia Militar) está nas alas do referido presídio”.

Com informações da Agência Brasil

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