Questões políticas têm mais destaque que pandemia nas redes sociais

Um levantamento da Sala de Democracia Digital, iniciativa da FGV DAPP para o monitoramento e análise do debate público na internet, demonstrou que mesmo com alguma preocupação sobre o registro oficial de mais de 30 mil mortes pelo novo coronavírus, o assunto nas redes sociais segue concentrado em questões políticas.

De acordo com o levantamento, a repercussão das manifestações ocorridas ao longo do domingo (31) gerou um pico de mais de 4 milhões de menções, com postagens mirando desde a “Marcha dos 300”, que rumou ao Supremo Federal Tribunal para manifestar seu posicionamento contrário à Corte, até os conflitos que marcaram o encontro entre atos pró-governo e protestos antifascistas na Avenida Paulista.

Na tarde do dia 31, o Twitter registrou pouco mais de 1 milhão de menções sobre a pandemia, diante de mais de 4 milhões de menções sobre o governo.

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Outro dado levantado pela Sala de Democracia foi que, após atingir mais de 70% dos perfis engajados no debate político, a base de oposição do governo retornou à faixa dos 20%. Essa queda, no entanto, foi acompanhada de uma maior politização da base não alinhada, que, com 54% dos perfis, repercutiu o vazamento de dados de membros e apoiadores do governo federal e criticou declarações de Jair Bolsonaro sobre o número de mortes pela covid-19.

Ao contrário do que se verifica em outras redes, políticos pró-governo federal não foram destaque no Instagram. No período em que as operações da PF no âmbito do inquérito das fake news foi o principal assunto, políticos aliados ao presidente não apresentaram publicações relevantes sobre o tema. Posts da deputada Carla Zambelli (PSC-SP),Vicentinho Junior (PL-TO) e Alvaro Dias (Podemos-PR) enfatizaram as investigações da PF sobre o superfaturamento de equipamentos para enfrentamento da pandemia.

Um agrupamento mais amplo no aspecto ideológico, no entanto, direcionou críticas ao governo federal e defendeu o inquérito das fake news. Dentre esses, destacaram-se Joice Hasselmann (PSL-SP)-, Gleisi Hoffmann (PT-PR) e David Miranda (Psol-RJ).

 

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