Quem é Paulo Maluf

Perfil completo do deputado que chupou picolé de jiló na TV na quarta-feira (27) à noite

Paulistano, foi deputado federal pela primeira vez entre 1983 e 1987. Voltou a se reeleger em 2006. Nas duas eleições, foi o candidato à Câmara mais votado em São Paulo e no país.

Em 2010 conseguiu renovar o mandato, apesar de ter sua candidatura barrada pela Justiça eleitoral com base na Lei Complementar 135/10, a chamada Lei da Ficha Limpa. O indeferimento da candidatura teve como base uma condenação em ato doloso de improbidade administrativa. Quando prefeito de São Paulo, Maluf determinou a compra de 1,4 tonelada de frango ao preço de R$ 1,39 milhão. O valor foi considerado superfaturado. O parlamentar recorreu da decisão. No entanto, em 26 de julho, os desembargadores da Câmara negaram o recurso e confirmaram a decisão.

Mesmo com o registro indeferido, Maluf teve 497.203 votos, a terceira maior votação entre os candidatos a deputado federal por São Paulo. Mas seus votos foram considerados nulos como manda a Lei da Ficha Limpa.

O ex-prefeito paulistano recorreu da decisão, mas sem sucesso. No dia 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou recurso do deputado. A decisão do ministro foi por razões formais: Maluf recorreu fora do prazo. Depois de toda a disputa, Maluf recorreu de novo e conseguiu ser diplomado deputado pela Câmara e renovar seu mandato.

É empresário e engenheiro civil, formado na USP, em 1954. M

antém eleitorado fiel em seu estado, sobretudo pelas obras rodoviárias que fez, e a imagem de administrador eficaz que construiu. Também é amplamente conhecido pelas acusações que acumulou durante sua trajetória política.

Começou a vida pública como presidente da Caixa Econômica Federal (1967), indicado pelo então presidente, general Costa e SIlva, durante o regime militar.

Foi prefeito nomeado na capital paulista de 1969 a 1971 e depois eleito pelo voto direto para exercer o mesmo cargo de 1993 a 1996. Foi também governador nomeado de São Paulo de 1979 a 1982. Em janeiro de 1985, disputou com Tancredo Neves, num colégio eleitoral formado pelos deputados federais e senadores e por representantes indicados por estados, a Presidência da República. A vitória de Tancredo e, posteriormente (em março de 1985), a posse do seu vice, José Sarney, marcaram o fim do regime militar estabelecido em 1964.

Maluf ocupou ainda os cargos de secretário estadual de Transportes (1971/1975) e presidente da Associação Comercial de SP.

Em março de 2007, a Promotoria Distrital de Manhattan (Nova York) pediu seu indiciamento por evasão de divisas. Ela acusou Maluf de remeter ilegalmente US$ 11,5 milhões, provenientes de recursos desviados de obras públicas em São Paulo. De lá, acusou a Promotoria, os dólares foram remetidos para o paraíso fiscal da Ilha de Jersey, no Canal da Mancha (que separa a França da Inglaterra).

Entre setembro e outubro de 2005, Maluf e o filho Flávio ficaram presos durante 40 dias, na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, acusados de formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. À época, o doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi, acusou Maluf de chantageá-lo para que não o incriminasse. O ex-governador foi solto porque a Justiça entendeu que, em razão da idade e de problemas de saúde, não tinha condições físicas de permanecer detido.

Com base em informações de autoridades estrangeiras e do Ministério Público, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que Maluf e sua família movimentaram na Suíça cerca de US$ 446 milhões e mais, pelo menos, US$ 200 milhões na Ilha de Jersey, território da Coroa Britânica localizado no Canal da Mancha, que tem independência em relação ao Reino Unido.

O ex-prefeito nega o envio ilegal de remessas para o exterior, e chegou a desafiar a Justiça a provar a existência de quantias em seu nome depositadas em paraísos fiscais. Prometeu, na ocasião, doar todo o dinheiro a quem o encontrasse.

No ano passado, o gabinete do deputado enviou ao Congresso em Foco a seguinte explicação sobre os fatos narrados acima: "Nenhuma das acusações do doleiro criminoso foi provada em juízo. Foi solto porque o STF entendeu que não havia provas contra o ex-prefeito e, por isso, o acusado tinha o direito de defender-se em liberdade. Nunca teve uma condenação penal em 40 anos de vida pública."

Em março de 2010, a Interpol incluiu Maluf no "alerta vermelho", o que significa que ele deve ser preso se pisar no território de qualquer um dos 181 países que integram a agência de polícia internacional. A decisão foi tomada em razão de denúncia feita pela Promotoria de Nova York, que considera provado que Maluf desviou recursos públicos, cometeu fraude financeira e fiscal e movimentou ilegalmente divisas.

Foi filiado à Arena e às legendas que a sucederam (PDS, PPR, PPB e PP). É presidente de honra do PP.

Perto de completar 80 anos, Maluf é conhecido também por uma frase usada quando criticou a ação de assassinos que cometiam os crimes após violentarem sua vítimas. “Estupra, mas não mata”, reclamou ele nas eleições de 1989.

 

PROCESSOS

O parlamentar responde a três processos no Supremo Tribunal Federal (STF):

— Inq 2471(16/2/2007) - Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional

— AP 477 (18/3/2008) - Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional

— AP 461 (26/9/2007) - Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional/Quadrilha ou Bando/Crimes de "Lavagem" ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores

Fonte: Congresso em Foco, com base em dados do STF. Informações atualizadas até maio de 2011

 

Paulo Maluf prova picolé de jiló com Ronnie Von

Leia mais sobre processos

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!