PTB desiste de Cristiane Brasil para comandar o Ministério do Trabalho

 

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, confirmou, na tarde desta terça-feira (20), que a legenda desistiu do nome da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para assumir o ministério do Trabalho. Em sua conta no Twitter, Jefferson, que é pai da deputada, afirmou que “a decisão do partido visa proteger a integridade de Cristiane e não deixar parada a administração do ministério”.

Cristiane havia sido nomeada ao ministério no dia 3 de janeiro, mas sua posse foi barrada na Justiça após a revelação de que a deputada havia sido processada e condenada na Justiça do Trabalho. No início deste mês, a deputada havia pedido pressa à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, para que sua posse fosse liberada. Ela afirmou ser “ficha limpa” e vítima de uma “campanha difamatória” que tinha como objetivo impedi-la de tomar posse no Ministério do Trabalho.

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Mas a argumentação não foi suficiente para a ministra decidir em favor de Cristiane, monocraticamente. Cármen Lúcia decidiu anular a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia liberado a posse da deputada e decidiu submeter a questão ao plenário do STF, mas sem marcar data para tal deliberação. Embora defenda não haver impedimento para sua posse, Cristiane Brasil enfrenta, como recentemente mostrou reportagem o jornal O Estado de S. Paulo, apuração sobre suspeita de crime de associação ao tráfico por terem pagado a traficantes para fazer campanhas em morros.

Tropeços

Além das condenações na Justiça Trabalhista e da grande polêmica criada em torno da indicação, Cristiane também tropeça nas próprias aparições em público. Em vídeo gravado em um barco, no final de janeiro, a deputada se juntou a amigos para minimizar o papel da Justiça trabalhista ao alegar que não devia nada aos funcionários que a processaram. Além do embaraço geral entre seus pares, o filmete rendeu uma reprimenda do próprio pai de Cristiane. “Uma figura pública deve se portar como uma figura pública”, reclamou Roberto Jefferson, principal delator do mensalão e ex-presidiário em decorrência da condenação na Ação Penal 470.

Em outra ocasião, um áudio divulgado pelo Fantástico (TV Globo) em 4 de fevereiro mostra a cobrança feita pela deputada em uma reunião com cerca de 50 pessoas na própria sede da secretaria. “Se eu perder a eleição de deputada federal… Eu preciso de setenta mil votos. Eu fiz quase trinta (mil votos, em 2012, quando foi eleita vereadora no Rio). Agora são setenta mil. No dia seguinte, eu perco a secretaria (se não for eleita deputada). No outro dia, vocês perdem o emprego”, disse Cristiane.

Na reunião, ela afirma que só havia um jeito de os funcionários manterem os seus empregos: ajudando-a a se eleger. “Se amanhã vocês ficarem desempregados, como é que vai ser a vida de vocês? Vai ficar um pouquinho mais complicada, não é? Eu só tenho um jeito de manter o emprego de vocês: me elegendo”, ameaçou.

Mesmo diante de tantas adversidade, Roberto Jefferson vinha acreditando ser possível ultrapassar a crise enfrentada por Cristiane. O pai da deputada reforçou o discurso de que a filha foi vítima de uma campanha para prejudicar sua imagem. No Twitter, o petebista agradeceu ao presidente Michel Temer e aos correligionários do PTB “pelo apoio e respeito com Cristiane Brasil durante esse período de caça às bruxas”.

 

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