PT, PSDB e PMDB votaram fechados contra Collor

Sem nenhuma dissidência, petistas, tucanos e peemedebistas garantiram 178 dos 441 votos favoráveis à saída do ex-presidente. PFL (hoje DEM) foi o partido que mais votos deu a Collor

A votação da abertura do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 29 de setembro de 1992, provocou um fato inimaginável hoje: reuniu todos os votos possíveis do PT, do PMDB e do PSDB à época. Juntas, as três bancadas deram 178 dos 441 votos favoráveis ao afastamento de Collor. Nenhum peemedebista, petista ou tucano faltou naquele dia. Nas galerias, o então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e Orestes Quércia, comandante do PMDB, acompanharam a votação ao lado do hoje senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e do governador do Ceará à época, Ciro Gomes (então no PSDB).

No plenário, a votação reuniu do mesmo lado personagens que hoje estão em campos opostos, como os petistas José Dirceu, Aloizio Mercadante e Jaques Wagner e o tucano Aécio Neves. Entre os peemedebistas, o único que não registrou voto foi o presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (RS), que conduziu o processo na Casa. Já o atual líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), um dos principais líderes do movimento pró-impeachment de Dilma, votou contra a saída de Collor. Os dados fazem parte de levantamento da nova edição da Revista Congresso em Foco com base nos registros oficiais da Câmara.

O partido que mais apoiou o ex-presidente foi o PFL (atual DEM), responsável por 16 dos 38 votos contrários ao impeachment. Outros nove deputados também o favoreceram, faltando à sessão. Collor ainda teve oito votos do PDS, cinco do PRN, legenda pela qual se elegeu, outros cinco do PTB, além de dois do PPR, um do PTR e de um deputado sem partido. Já entre as bancadas estaduais, a baiana foi a que mais apoiou o ex-presidente, garantindo oito votos e seis ausências. Em seguida, ficou a bancada de Pernambuco, quatro.

Não por acaso, PFL, Bahia e Pernambuco tiveram as bancadas mais fieis a Collor. Ele teve apoio, até o último momento, do então governador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Entre os dois pefelistas que votaram contra o impeachment estavam o filho, Luís Eduardo, e o irmão de ACM, Ângelo Magalhães (PFL-BA). Um dos líderes da tropa de choque do então presidente era o pernambucano Ricardo Fiúza (PFL), que deixou a Secretaria de Governo para voltar à Câmara e tentar barrar o afastamento do chefe.

Veja a distribuição dos votos no impeachment de Collor, por partido:

Partido Sim Não Abstenção Ausente
PMDB 102
PFL 50 16 9
PSDB 41
PDT 40 3
PT 35
PDS 34 8 3
PTB 32 5 1
PDC 17 2
PL 17 2
PTR 15 1 1
PPR 12 2
PSB 12
PST 8
PCdoB 5
PSC 4 2
PSD 4
S/ partido 3 1 1
PCB (PPS) 3
PRS 3
PRN 1 5
PMN 1
Prona 1
PV 1
Total 441 38 1 23

 

Veja a distribuição dos votos no impeachment de Collor, por estado:

UF Sim Não Abstenção Ausente
BA 25 8 6
PE 22 4
SP 57 3 1
AC 5 2 1
AM 6 2
CE 19 2 1
GO 15 2 1
MA 15 2 1
PA 15 2
PR 27 2 1
AL 6 1 2
DF 7 1
MG 52 1
MS 6 1 1
PB 6 1 5
RJ 44 1 1
RO 5 1 1
RS 29 1
SC 15 1
AP 8 0
ES 9 0
MT 7 0 1
PI 9 0 1
RN 8 0
RR 8 0
SE 8 0
TO 8 0
Total 441 38 23

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UF Sim Não Abstenção Ausente
BA 25 8 6
PE 22 4
SP 57 3 1
AC 5 2 1
AM 6 2
CE 19 2 1
GO 15 2 1
MA 15 2 1
PA 15 2
PR 27 2 1
AL 6 1 2
DF 7 1
MG 52 1
MS 6 1 1
PB 6 1 5
RJ 44 1 1
RO 5 1 1
RS 29 1
SC 15 1
AP 8 0
ES 9 0
MT 7 0 1
PI 9 0 1
RN 8 0
RR 8 0
SE 8 0
TO 8 0
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