PT do Rio contraria direção nacional e defende plano B a Lula

O presidente estadual do PT no Rio de Janeiro, Washington Quaquá, defendeu que o partido discuta um plano B para a hipótese de o ex-presidente Lula não poder disputar a eleição de outubro. Quaquá sugeriu que a legenda escolha um petista para vice de Lula que possa ser indicado pelo ex-presidente como uma espécie de alter ego. "Lula tem que dizer para o Brasil e para o povo: ‘eu sou fulano e fulano sou eu’", recomenda o dirigente petista.

A posição do presidente do PT fluminense vai de encontro à da direção nacional do partido, que descarta discutir uma candidatura alternativa à de Lula, condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Ele comandará essa eleição queira ou não o estado policial! Mas nós não podemos fazer burrada e nos isolar ao ponto de tornar a nossa maior arma, a nossa bomba nuclear, em um artefato inativo eleitoralmente”, escreveu Quaquá. “Lula tem que ser inscrito nosso candidato mesmo com a condenação e mesmo preso, se eles chegarem a esse cúmulo do arbítrio”, acrescentou em texto publicado na página do diretório estadual no Facebook.

O dirigente estadual também critica setores do partido que pregam uma aliança somente com outras forças da esquerda, que não apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma. A exemplo do presidente do diretório paulista do PT, Luiz Marinho, Quaquá quer que os candidatos petistas se aliem também a siglas que apoiaram a cassação de Dilma.

“Identificado o inimigo principal do período, é necessário para se buscar a vitória na batalha política que rachemos o bloco adversário, buscando ampliar as alianças até mesmo entre os que estavam no bloco de poder adversário a nós”, prega o ex-prefeito de Maricá (RJ).

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Quaquá chamou de “blefe” o discurso de radicalização do PT, após a condenação de Lula, insuflado pela presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4). “O discurso esteticamente radical nosso não vai nos levar a nada. Esse discurso estreito de incitar um movimento de massas sem massa terá efeito desmoralizante! Uma revolução sem exército popular não é revolução, é blefe!”

Gleisi e outras lideranças petistas no Congresso rechaçam a discussão de um nome alternativo ao de Lula e têm elevado o tom de ataques ao Judiciário por causa da condenação que torna Lula inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. O ex-presidente terá de lutar na Justiça não só para se candidatar como, em caso de vitória, poder assumir a Presidência. Hoje ele lidera as pesquisas de intenção de voto em todos os cenários.

Leia a íntegra do artigo do presidente do PT no estado do Rio de Janeiro:

"Permita-me discordar

 

Depois da condenação do presidente Lula no TRF 4 eu fiquei angustiado.

Diria que juntando com os problemas pessoais, podia dizer que quase deprimido.

Mas não foi o resultado de 3 x 0 dos impolutos e engomados filhotes da pequena burguesia vassala e vagabunda, que dominam as “togas” e votaram no TRF de Porto Alegre, que me deixaram assim.

Era previsível que esses americanoides aculturados fossem fazer esse serviço sujo para seus patrões da matriz.

Sempre o fizeram!

O que me deixa assim é nossa reação, nosso rumo errático que se intensifica dramaticamente.

Estamos caminhando para o matadouro como gado.

Estamos usando a inteligência menos que bovina pra atuar na conjuntura.

Não há dúvidas que só a mobilização popular crescente terá potência e força para nos tirar da enrascada da conjuntura.

Então organizar o povo, esclarecê-lo sobre tudo que está havendo e oferecer uma saída viável é o nosso papel.

Ir para as periferias e para os locais de grande concentração popular todos os dias; panfletar com materiais bem didáticos; organizar em cada casa do povo um comitê em defesa de Lula e das conquistas do povo; organizar reuniões nos bairros populares; com as facilidades atuais das redes sociais, criar um canal ágil de comunicação e mobilização envolvendo muitos milhares de comitês residenciais lulistas; isso é uma tarefa urgente e deve mobilizar todas as nossas energias nos próximos 5 meses!

Ao invés de fazer bravatas e propalar uma revolução popular sem exército organizado, o que temos que fazer é ir para o povo, para a periferia, organizar nossa tropa popular Lulista!

Vamos parar de radicalismo de palavrórios e vamos à luta para organizar uma imensa rede popular de solidariedade ao Lula em todas as casas, bairros, comunidades e favelas desse país!

Só isso pode criar a força material e militante que nós hoje não temos, mas precisamos ter, para vencer o complexo de poder golpista.

Depois, e paralelo, é necessário ampliar as alianças!

Estamos retrocedendo à infância política com essa posição estreita de só fazer alianças na esquerda e na centro esquerda.

O princípio básico, pré-primário das alianças, é que “o inimigo do meu inimigo principal é meu aliado”.

Identificado o inimigo principal do período, é necessário para se buscar a vitória na batalha política que rachemos o bloco adversário, buscando ampliar as alianças até mesmo entre os que estavam no bloco de poder adversário a nós.

Não falo de alianças eleitorais! Falo de alianças políticas e sociais que podem ou não se expressar na disputa eleitoral, mas são mais amplas que as disputas eleitorais!

Já mapeamos nossos aliados no judiciário? Em cada TRF? No STJ? No STF?

Vamos ou não disputar com a ditadura implantada os setores ainda reticentes do judiciário e organizar os que são contra o estado policial para montar um campo de disputa no judiciário, no MP, na PF?

Ou alguém acha que eles são um bloco monolítico que está 100% de acordo com o Estado de exceção?

Já procuramos as lideranças políticas de cada Estado?

Aquelas que mesmo tendo feito o bloco de sustentação do Golpe contra a Dilma hoje se põe em oposição?

Estamos criando uma frente democrática pelo estado de direito na Câmara e no Senado?

Enfim, muita, mas muita gente no meio político é contra o Estado Policial. Não me pergunte a razão! Mas se são contra a ditadura são ou podem ser nossos aliados!

E por fim, sinceramente, precisamos discutir muito bem o que é esse negocio de não ter “plano B”.

Não temos nenhuma dúvida de que Lula é nosso líder e, muito mais que isso, o líder do povo brasileiro!

Ele comandará essa eleição queira ou não o estado policial!

Mas nós não podemos fazer burrada e nos isolar ao ponto de tornar a nossa maior arma, a nossa bomba nuclear, em um artefato inativo eleitoralmente.

Lula tem que ser inscrito nosso candidato mesmo com a condenação e mesmo preso, se eles chegarem a esse cúmulo do arbítrio!

Mas temos sim que ter um petista na chapa, como vice, desde já, que sinalize pro Brasil e pro meio político qual o caminho vamos seguir caso façam uma violência maior e desmedida!

Lula tem que dizer para o Brasil e para o povo! Eu sou “fulano” e fulano sou “eu”.

Querem me fazer uma violência para acabar com os direitos do povo!

Se fizerem, eu estarei representado por “Fulano” e vocês vão ser meus guardiões votando nele e nos nossos deputados, senadores e governadores!

Essa é inclusive a melhor forma de resguardar o Lula!

Escolhendo um petista amplo e com experiência de governo, sem sectarismo, que seja seu companheiro de chapa e substituto em caso de violência institucional do TSE!

Esta é inclusive uma forma de dissuasão de uma violência maior, porque tornará esta inócua, pois o resultado eleitoral será definido pelo próprio Lula.

Os juízes e todo esse complexo golpista saberão que vão violentar o vitorioso das eleições presidenciais.

Precisamos decidir se queremos apenas reconstruir o PT com 30% da sociedade.

Organizar o povo com uma nova organização, “mais à esquerda”, nem que para isso tenhamos que ser derrotados e levar Lula para o martírio, que aliás potencializará a organização mais nítida e de esquerda de nosso partido ou de nosso campo.

Um processo de reorganização de médio prazo, mas que pressupõe a derrota nesta conjuntura. Ou se vamos buscar barrar o estado policial já!

Neste processo eleitoral de 2018, combinado com ampla mobilização popular, centrada na organização dos comitês nas periferias e junto ao povo.

Alianças e frente ampla democrática com setores fora da esquerda.

E levar a candidatura Lula até o fim, mas já apontando um vice/parceiro/candidato alternativo em caso de violência.

Só uma tática ampla, viável e eleitoralmente concreta pode nos levar a vitória. E a vitória é possível!

O discurso esteticamente radical nosso não vai nos levar a nada.

Esse discurso estreito de incitar um movimento de massas sem massa terá efeito desmoralizante!

Uma revolução sem exército popular não é revolução, é blefe!

Uma disputa eleitoral estreita e sem alianças, despotencializa o maior trunfo político e eleitoral da história do Brasil, que é o presidente Lula!

Só nós temos o Lula para liderar o Brasil rumo à paz, à volta da democracia, ao respeito aos direitos e garantias individuais liberais, à prosperidade, ao respeito internacional, ao desenvolvimento econômico, à distribuição de renda e à Felicidade do povo!

Tratemos de fazer isso com firmeza, coragem, determinação, mas também com sabedoria!

  • Washington Quaquá é presidente do PT RJ e foi prefeito de Maricá por 8 anos e dois mandatos, tendo ajudado a eleger seu sucessor também do PT”

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