PT diz que operação da PF pretende criminalizar partido

Em nota curta, legenda não cita quais as providências que a direção vai tomar para tentar soltar os ex-ministros presos ou detidos para depoimento coercitivo

A comissão Executiva Nacional do PT considerou a operação de busca e apreensão feita na sede da legenda em São Paulo, na manhã desta quinta-feira (23), uma manobra "diversionista na tentativa renovada de criminalizar" o partido. A manifestação não cita o nome do ex-ministro Paulo Bernardo nem o do ex-tesoureiro da legenda Paulo Ferreira, presos e acuados de receber propina paga por empresários a autoridades e funcionários do ministério do Planejamento, na ocasião dirigido por Benardo, entre 2010 e 2015. As prisões são consequência da Operação Custo Brasil, um desdobramento da 18ª fase da Operação Lava Jato denominada "Pixuleco".

O PT considerou as prisões de Bernardo e Ferreira "desnecessárias e midiática", e também condenou a busca e apreensão feita na sede nacional do partido em São Paulo. "O Partido dos Trabalhadores condena a desnecessária, midiática, busca e apreensão realizada na sede nacional de São Paulo. Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT", diz a nota (leia íntegra abaixo).

Sobre as acusações de que filiados da sigla receberam propina, o PT pede o amplo direito de defesa e o princípio da presunção de inocência. O PT alega que "nada tem a esconder, sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos".  A curta manifestação do partido se limita a negar a participação de filiados e dirigentes da sigla sem dizer o que fará para reverter as prisões.

Paulo Bernardo, ex-ministro das Comunicações e do Planejamento dos governos Lula e Dilma Rousseff, é marido da senadora Gleisi Hoffmann (PR) e foi acusado de receber R$ 5,6 milhões de propina. Também foi preso na operação batizada de Custo Brasil o secretário municipal de Gestão de São Paulo, Valter Correia. A operação da PF também levou para a cadeia o ex-tesoureiro do partido Paulo Ferreira e obrigou o jornalista Leonardo Attuch, dono do site Brasil 247, a prestar depoimento sobre as mesmas acusações. O ex-ministro da Previdência Carlos Gabas também foi detido e o brigado a prestar depoimento.

A Operação Custo Brasil resultou no cumprimento de 65 mandados judiciais e diligências em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e no Distrito Federal. A sede do PT em Brasília não foi vasculhada pela PF. O juiz Sérgio Moro também determinou a manutenção de prisão do ex-tesoureiro do PT João Vaccari, que está preso pela Lava Jato em Curitiba.

Leia a íntegra da nota:

“Nota Oficial do PT

O Partido dos Trabalhadores condena a desnecessária, midiática, busca e apreensão realizada na sede nacional de São Paulo.

Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT.

A respeito das acusações assacadas contra filiados do partido, é preciso que lhes sejam assegurados o amplo direito de defesa e o princípio da presunção de inocência.

O PT, que nada tem a esconder, sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.

São Paulo, 23 de junho de 2016.

Comissão Executiva Nacional do PT”

 

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