PT dá cartada final por votos contra o impeachment

Partido oferece apoio político e eleitoral a senadores indecisos ou que admitem votar contra a cassação de Dilma. Retirada de candidaturas e alianças estão entre as ofertas em troca de voto. Veja quais parlamentares estão na mira de petistas e aliados

Na reta final do julgamento pelo Senado da presidente afastada Dilma Rousseff por crime de responsabilidade, dirigentes e parlamentares do PT e de partidos aliados, como o PSB e PCdoB, estão oferecendo espaços de poder para tentar conseguir pelo menos seis votos de senadores ainda indecisos e barrar a aprovação do impeachment. As negociações envolvem as eleições municipais de outubro e a disputa geral para o Congresso, assembleias legislativas e governos estaduais – além da presidência da República – de 2018.

As possibilidades de reverter o placar são remotas e o tempo é curto até a votação final do Senado amanhã (30). Mas o PT negocia e oferece várias fórmulas para tentar barrar o impeachment., inclusive com a participação do ex-presidente Lula. A direção petista ofereceu a intervenção nos diretórios municipais da legenda em Codó, Imperatriz e Timon, no Maranhão, em troca dos votos contra o impeachment dos três senadores do estado, João Alberto e Edison Lobão, do PMDB, e Roberto Rocha, do PSB. O PT quer anular os lançamentos das pré-candidaturas à prefeitura das três cidades e facilitar a vitória de nomes ligados aos três parlamentares.

Lobão, Rocha e João Alberto se queixam ao PT que perderam o espaço político e estão com dificuldades eleitorais causadas pelas ações do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, que está destruindo as estruturas partidárias que o PMDB ainda tem no estado. Para evitar o constrangimento de votar contra o afastamento definitivo de Dilma em sessão transmitida ao vivo pelas TVs, o PT sugeriu que os parlamentares se ausentassem do plenário na sessão de amanhã.

"Vou decidir meu voto em conjunto com o senador João Alberto até amanhã de manhã", disse Lobão ao Congresso em Foco. João Alberto não compareceu à sessão desta segunda-feira.

A ausência de votos é importante nessa disputa porque o impeachment só será aprovado se, no mínimo, 54 senadores votarem pelo afastamento definitivo de Dilma. A falta de um voto, mesmo que por ausência na sessão desta terça-feira, reverte toda a situação e a presidente afastada seria conduzida de volta ao cargo. O PT e aliados estão oferecendo a alternativa da ausência a Fernando Collor (PTC-AL) e Acir Gurgaz (PDT-RO) em troca de facilitar a vida dos dois senadores nas eleições gerais de 2018.

O senador Wellington Fagundes (PR-MT) está internado desde o sábado à noite, quando passou mal no próprio Senado. Fagundes foi diagnosticado com diverticulite. O PT espera que ele não apareça amanhã para votar nem solicite licença para tratamento de saúde, o que exigiria a posse do suplente que poderia votar a favor do impeachment.

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que chegou a se posicionar contra o impeachment quando a discussão estava na Câmara, foi a favor da pronúncia da presidente Dilma e a continuidade do processo no Senado. Mas pode se ausentar do plenário amanhã com a justificativa de problemas de saúde. O PT oferece a Jader acordo para a sucessão para o governo do Pará e o apoio ao filho do parlamentar, Hélder Barbalho, que foi ministro da Pesca da gestão Dilma. Helder foi mantido no ministério de Michel Temer.

Os petistas também oferecem facilitar a reeleição, em 2018, da esposa do senador, a deputada Simone Morgado (PMDB), evitando lançar nomes que concorram com Simone na mesma região.

Outro senador abordado pelo PT para ficar fora da sessão de amanhã é Ivo Cassol (PP-RO). Condenado por crimes contra a administração pública ao fazer licitações quando era prefeito de Rolim de Moura, em Rondônia, Cassol aguarda a análise de seu último recurso para evitar o início do cumprimento da punição. Mas pretende manter o espaço político com a eleição de aliados nos pleitos deste ano e de 2018.

O senador Romário (PSB-RJ) também está na lista de abordados pelo PT. Ainda em dúvida sobre o seu voto, o parlamentar fluminense sonha ser prefeito do Rio de Janeiro. Ele não conseguiu o apoio do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), para concorrer este ano. E planeja concorrer ao governo estadual em 2018. Petistas sinalizam não lançar concorrentes e facilitar a vida do ex-jogador na disputa ao governo.

O PT também admite abrir mão de lançar nomes ao Senado e ao governo do DF em 2018 para facilitar uma possível candidatura do senador Reguffe (Sem partido) ao governo da capital. Até esta segunda-feira o parlamentar brasiliense ainda estava em dúvida sobre seu voto.

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