PSDB declara apoio a Temer independentemente de ministério

Após reunião com vice, presidente do PSDB confirma que Temer poderá contar com o apoio dos tucanos. Partido apresenta 15 reivindicações e diz que não vai indicar nomes para compor eventual novo governo. Serra deve integrar ministério

Em um almoço no Palácio do Jaburu na tarde desta terça-feira (3), líderes do PSDB entregaram um documento com 15 propostas a serem consideradas pelo vice-presidente em um eventual governo do PMDB. Participaram do encontro o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), e os líderes da bancada no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) e na Câmara, Antonio Imbassahy (BA). Após a reunião, Aécio confirmou que Temer poderá contar com o apoio dos tucanos, mas o partido prefere não indicar nomes para compor o novo governo. Ainda assim, ao menos o senador José Serra (PSDB) deve integrar o ministério. Ele é o mais cotado para assumir o Ministério das Relações Exteriores.

 

"O PSDB não tem interesse e disposição em indicar cargos para o governo. Nos sentimos mais confortáveis em dar essa contribuição dessa forma para que ele possa ter a absoluta liberdade para montar um governo no nível das expectativas da sociedade brasileira", disse o senador mineiro. "Não está escrito em lugar nenhum que para se apoiar um governo tem que ocupar ministérios. O que o PSDB pretende é contribuir para uma melhoria na prática política do Brasil", reforçou Cássio Cunha Lima.

Segundo Aécio, o documento sintetiza aspectos de uma agenda que o PSDB valoriza para "um governo de emergência nacional", como tem sido chamado a possível gestão de Michel Temer pelos tucanos. Os 15 pontos abrangem reforma política, economia e manutenção de programas sociais (veja a íntegra). "Eu disse ao presidente Michel Temer que no caso dele e do seu governo a primeira impressão é a unica que existe", relatou Aécio. Ou seja, para o presidente do PSDB, o peemedebista não tem tempo para errar. "É preciso que ele mostre ao Brasil logo na largada que as práticas políticas mudaram", avalia Aécio.

Não foi fixado prazo para que Michel Temer se posicione em relação às propostas apresentadas pelos representantes do PSDB, e diga o que será acolhido ou não. Por enquanto, o vice-presidente apenas ouviu o que os tucanos tinham a dizer. "Não foi fixado prazo porque ele fica no fio da navalha como alguém que tem que esperar uma decisão do Senado, mas que também não pode ficar de braços cruzados vendo os fatos acontecerem. Haverá um tempo próprio para a construção dessas propostas", disse Cássio Cunha Lima.

Após a reunião, foi decidido que o governo Temer poderá contar com o apoio integral dos parlamentares tucanos. Ao todo, são 51 deputados e 11 senadores, respectivamente, a terceira maior bancada na Câmara e a segunda no Senado (onde empata com o PT).

"Seria impensável e injustificável que nós simplesmente virássemos as costas para um governo eventual, circunstancial, num momento de crise como esse. Não vamos", concluiu o presidente do PSDB.

Também participaram do encontro o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e o seu irmão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Geddel deve ser o ministro da Articulação Política de Temer caso Dilma seja afastada da Presidência.

Reunião com parlamentares

Dando continuidade às reuniões para estruturar um provável governo, depois do almoço com a cúpula do PSDB no Palácio do Jaburu, Temer se reunirá ainda hoje com políticos do PSB e do PSD na vice-presidência da República. Às 16h são esperados Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, os senadores Fernando Bezerra Coelho (PE), Carlos Valadares (SE), e o líder da bancada do partido na Câmara, Fernando Coelho Filho (PE).

Em seguida, às 18h, será a vez do PSD. Temer receberá o presidente do partido, Gilberto Kassab, os governadores  Raimundo Colombo (Santa Catarina) e Robinson Faria (Rio Grande do Norte), o senador Omar Aziz (PSD-AM), e os deputados Guilherme Campos (SP) e Rogério Rosso (DF). Também são esperados Alda Marco Antônio, coordenadora do PSD Mulher, e o sindicalista Ricardo Patah,  da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Leia a íntegra do documento apresentado pelo PSDB a Michel Temer

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