PSC nacional continua “não sabendo” da caixinha

Vice-presidente do partido, que assinou ata de expulsão de deputados, Everaldo Pereira afirma que não pode fazer comentários sobre os casos: “Não sei”

O vice-presidente nacional do PSC, Everaldo Pereira, e a assessoria de imprensa do partido e da Liderança da legenda na Câmara, afirmam ignorar a exigência de pagamento obrigatório de ‘caixinha’ de 5% de funcionários ligados à sigla, tanto em Brasília como em São Paulo. Em entrevista ao Congresso em Foco, eles voltaram a repassar a responsabilidade pelo caso para os diretórios estaduais da legenda, mesmo existindo, por exemplo, servidores ligados à Liderança que pagaram contribuições sem serem filiados.

Pereira, que é um dos dirigentes que assinaram a expulsão de três deputados estaduais que não quiseram obrigar seus servidores a contribuírem para o partido, chegou a dizer que desconhece o caso. “Não sei. Pergunta lá ao presidente de São Paulo”, afirmou ele ao site. “Nunca soube desse assunto”, afirmou.

Documento mostra que o diretório estadual de São Paulo exigiu, por escrito, que os deputados cobrassem 5% dos funcionários em favor do partido. “Nós sempre aplicamos o estatuto”, disse Pereira. Ele evitou dizer se a direção paulista agiu corretamente ou não. “Tudo que está no estatuto é correto. Eu não sei qual documento você está falando. Não vi documento”, avaliou Pereira.

O dirigente do partido em São Paulo, Gilberto Nascimento, não soube explicar ao site porque os deputados foram expulsos por falta de contribuições se estavam de posse dos comprovantes de pagamentos e se ele mesmo não sabia dizer quantos funcionários eram realmente filiados, condição que os obrigaria a contribuir com os 5%.

Pelo correio

A assessoria de imprensa do PSC e da Liderança do partido na Câmara disse em nota que servidores não filiados não são obrigados a contribuírem financeiramente para a agremiação política. “Servidores públicos e funcionários não filiados não são obrigados a efetuar o pagamento. Se alguns o fazem, é de maneira voluntária”, garantiu.

Confrontada com o fato de que houve até demissão por conta da falta de pagamento da ‘caixinha’, a assessoria preferiu não comentar o assunto. “A gente não pode falar sobre casos específicos”, afirmaram os auxiliares de Pereira. A assessoria chegou a dizer que desconhece os casos específicos, apesar de eles terem sido apresentados pela reportagem a Pereira e a seus auxiliares na quarta-feira passada (30) e serem publicados pelo Congresso em Foco na segunda-feira, com documentos na íntegra.

A assessoria disse que o partido só vai se pronunciar se, por exemplo, alguém remeter a documentação – à disposição de qualquer cidadão no Congresso em Foco – ao partido pelos Correios. “A gente não recebeu essa documentação. Quando essa documentação chegar ao partido, o partido se pronuncia.”

Ao contrário do que afirmou a assessoria de imprensa, o partido já está de posse de parte dos documentos publicados pelo site. De acordo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o advogado do PSC, Marcelo do Nascimento Carvalho Pereira, retirou da 6ª Vara Cível de Brasília o processo que um dos ex-assessores do partido move contra a legenda porque foi demitido porque não quis pagar os 5%.

Leia a íntegra da nota do PSC

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