PSC indica pastor para presidir Direitos Humanos

Bancada do partido na Câmara oficializou nesta terça-feira a escolha de Marco Feliciano para comandar a comissão. Deputado disse que vai provar não ser homofóbico nem racista com "ações"

O deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi escolhido nesta terça-feira (5) pela bancada do seu partido para comandar a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara. Sua indicação, confirmada pelos deputados do PSC, enfrenta resistência de entidades ligadas a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT). A eleição para confirmar o nome deve ocorrer amanhã (6).

 

De acordo com o líder do partido na Câmara, André Moura (SE), a indicação ocorreu após todos os integrantes da bancada terem sido ouvidos. Ele disse, em coletiva após reunião dos parlamentares, que era necessário encontrar alguém com o perfil para presidir a CDH. "Um parlamentar que vai trabalhar e agir como um magistrado na comissão e vai estar representando o PSC", disse Moura.

No Twitter, em 2011, ele chamou negros de “descendentes amaldiçoados de Noé”. Contra homossexuais, chegou a dizer que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas”. Em discurso na Câmara, ele defendeu a limitação de divórcios a um por pessoa.

Desde a semana passada, houve repercussão, em especial nas redes sociais, contra a indicação de Feliciano. Três abaixo-assinados virtuais foram criados; dois pedem a confirmação do deputado na CDH, outro a destituição - somados têm 97 mil apoios. "A maioria das informações que eles têm não são verdadeiras. Nunca fui homofóbico até  porque isso é crime", disse Feliciano.

Em entrevista ao Congresso em Foco, ele disse ser vítima de preconceito religioso e "cristofobia". "As provas que não sou uma coisa nem outra [homofóbico e racista] vou dar com as minhas ações a frente da comissão", afirmou. Ele disse que nos últimos anos a comissão era palco para apenas um tema e vai abrir a comissão para todas as minorias, como índios e brasileiros que estão presos fora do país.

Parlamentares ligados à comissão temem uma debandada de servidores com a indicação de Feliciano. Acreditam que haverá uma mudança no perfil do colegiado. Petistas até especulam existir uma articulação junto com a bancada ruralista para esvaziar discussões relativas à questão agrária. "Vamos dar oportunidade a todos, proporcionando um amplo debate", comentou o líder do PSC, André Moura.

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