PSB engrossa grupo anti-Renan no Senado

Bancada do partido, composta por quatro senadores, decidiu não votar no provável candidato peemedebista à presidência do Senado. PSDB, com 11 parlamentares, pode tomar o mesmo caminho

A bancada do PSB no Senado decidiu nesta quarta-feira (30) engrossar o coro dos críticos à provável candidatura de Renan Calheiros (PMDB-AP) à presidência da Casa. Em reunião, os quatro senadores resolveram lançar uma nota criticando indiretamente a escolha do peemedebista para disputar o cargo. Como o PMDB tem a maior bancada do Senado, pela tradição tem direito à presidência.

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“A gente não quer fazer um debate de nomes, queremos politizar o debate. Mas não temos condições de votar em Renan”, disse o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) ao Congresso em Foco. Por enquanto, o partido ainda não tem candidato. Espera pela definição do PMDB. Caso o partido escolha um outro nome, votará com os peemedebistas. Se não, o que é mais provável, ainda vai decidir o que fazer. A indicação tem causado polêmica.

Impedidas de limpar o Senado, entidades fazem cruz

De acordo com Rollemberg, uma possibilidade é a bancada socialista votar em Pedro Taques (PDT-MT). O senador pedetista já se dispôs a lançar uma candidatura. Por enquanto, o único nome oficial é de Randolfe Rodrigues (Psol-AP). Porém, Rollemberg acrescentou que a bancada pode se abster na votação também. “Estamos a pouco mais de 24 horas da eleição e não temos nenhum candidato oficial”, reclamou.

O líder do PSDB na Casa, Alvaro Dias (PR), afirmou hoje à tarde que o partido ainda vai se reunir para decidir o que fazer. A expectativa dos tucanos é pela escolha de um outro nome além de Renan. Porém, se o PMDB manter a indicação do senador alagoano, a tendência é a bancada de 11 parlamentares migrar também para a candidatura de Taques. “O PSDB gostaria de preservar a tese da proporcionalidade, já que cabe ao maior partido a presidência do Senado, mas as circunstâncias nos levam a optar por outra alternativa, por isso o nome do senador Pedro Taques (PDT) deve ser apoiado pelo PSDB”, disse.

Na nota distribuída no início da tarde, o PSB não trata diretamente de Renan. Fala do prejuízo para a imagem do Senado caso o peemedebista seja eleito. Os socialistas apontam um quadro de “desgaste institucional” que passa o Legislativo brasileiro. “O que a sociedade espera de nós, muito além de uma necessária autocrítica, é um compromisso firme com a ética e com a continuidade do processo de transformação do Brasil em uma nação justa e próspera”, diz a nota.

Leia a nota do PSB:

Por um Brasil Melhor, por um Senado melhor

O Brasil vem passando por mudanças que enchem de alegria e esperança o povo brasileiro. Durante as últimas décadas, consolidamos a democracia, universalizamos o acesso à educação básica e derrotamos a inflação. Mais recentemente, reduzimos as desigualdades de “raça”, renda, gênero e região. A taxa de desemprego nunca foi tão baixa e os índices de mortalidade infantil também caíram drasticamente.

Temos pela frente uma agenda de investimentos que, se cumprida, constituirá a base do crescimento econômico e do bem-estar da população brasileira por um longo período. Temos também que dar conta de tarefas gigantescas no plano social. Porém, embora haja ainda um longo caminho a percorrer até a conquista de uma educação de alta qualidade, de serviços de saúde adequados e acessíveis a todos, de transporte público digno e eficaz, de cidades menos assombradas pela criminalidade violenta, o povo brasileiro está cada vez mais mobilizado para a realização desses objetivos.

No plano institucional, aprovamos importantes dispositivos como as leis da Transparência, da Ficha Limpa, do Acesso à Informação e do Combate à Lavagem de Dinheiro. Não há dúvidas de que avançou o combate à corrupção e à ineficiência nas instituições públicas. O povo brasileiro está mais vigilante e exigente e isso é essencial para o aperfeiçoamento do Estado de Direito.

Exatamente por isso, o nosso povo está insatisfeito com os políticos, como confirmam as pesquisas de opinião, de quem espera um comportamento mais condizente com os desafios que o país enfrenta. Isso se reflete, de modo contundente, nos baixos índices de aprovação da atuação e da imagem do Congresso Nacional e do Senado Federal, em particular. E é preciso reconhecer: nosso povo está com a razão! Embora tenha também contribuído para o bom momento que o Brasil vive, a atuação desta Casa tem deixado a desejar.

Os cidadãos e cidadãs, com toda a justeza, se queixam da ineficiência, do desrespeito à ética, da falta de maior sintonia com as grandes aspirações da nação. O resultado é um Senado amesquinhado, enfraquecido, submisso até, na sua relação com o Poder Executivo. Ao mesmo tempo, a omissão reiterada ou a dificuldade em decidir tem aberto espaço para que o Poder Judiciário encampe questões que cabem a esta Casa resolver. Isso acarreta grave prejuízo para a República, uma vez que esta se assenta no equilíbrio entre os poderes.

Da mesma forma, o Senado compromete seu papel como representação igualitária dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal no Congresso Nacional. Debilitada, esta Casa falha em sua missão de porta-voz e defensora dos reclamos e interesses das entidades federadas aqui representadas. Isso acarreta grave prejuízo para a Federação, que se assenta na cooperação equânime das entidades que a compõem.

É nesse quadro de desgaste de sua imagem institucional que se realiza a eleição para a Presidência e a Mesa desta Casa.

O que a sociedade espera de nós, muito além de uma necessária autocrítica, é um compromisso firme com a ética e com a continuidade do processo de transformação do Brasil em uma nação justa e próspera. Devemos, portanto, utilizar esta oportunidade para encontrar a melhor maneira de recuperar a credibilidade desta Casa.

Assim, além de uma plataforma que resgate a dignidade do Senado Federal, é preciso que o nome do novo presidente esteja associado, perante a opinião pública, a esse ideal de renovação.

São enormes os desafios que pesam sobre os membros desta Casa. Somente com o devido senso de responsabilidade histórica, seremos capazes de fazer com que o Senado Federal se ponha à altura do papel que efetivamente lhe cabe, como instituição fundamental para a promoção dos valores e a realização dos objetivos maiores da República.

Brasília, 30 de janeiro de 2013

BANCADA DO PSB NO SENADO FEDERAL

Lídice da Mata – líder da bancada
Antônio Carlos Valadares
João Capiberibe
Rodrigo Rollemberg

Denúncias esquentam as eleições no Congresso
Gurgel denuncia Renan no caso dos bois de Alagoas

Alvaro DiasAntônio Carlos ValadaresEleição da MesaJoão CapiberibeLídice da MataPedro TaquespmdbPSBRandolfe RodriguesrenanRodrigo Rollemberg