Prova oral é um desafio para candidatos a concursos

A avaliação perante uma banca examinadora é fase decisiva em seleções como a de juízes do Trabalho, que oferecem salários de até R$ 21 mil

Futuros juízes, procuradores, delegados, promotores, advogados da União e outros cargos típicos a advogados precisam passar por uma das etapas que mais cria ansiedade entre os candidatos aos concursos: a prova oral. Discursar e responder a perguntas diante de uma banca altamente especializada é motivo de nervosismo, mãos suando, gagueira e, em casos mais graves, esquecimento do conteúdo em um momento tão essencial. As provas orais são eliminatórias e, em geral, uma das últimas fases para aprovação.

O professor Francisco Campos, do site Simulados de Prova Oral, explica que o receio dos candidatos passa por vários fatores. “Muitos têm medo de falar em público. Outros temem a situação de estar diante de uma banca examinadora em uma situação que envolve certa formalidade”, diz. E pontua outros aspectos: “A sensação de que a caminhada está chegando ao fim e a cobrança que o próprio candidato exerce sobre si mesmo contribuem para aumentar o temor do enfrentamento da prova oral”.

Apesar de todas as dificuldades psicológicas, o obstáculo maior é ter a resposta na hora em que os questionamento são feitos pelos examinadores. “É muito diferente de quando respondem às perguntas objetivas ou discursivas, quando têm mais tempo para pensar e escolher melhor as palavras”, argumenta o professor.

Para Antônio Carlos Malheiros, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, a prova oral é extremamente importante, pois vários pontos são observados, tais como: fluência, firmeza, desembaraço, tranquilidade e inteligência do concorrente. "Eu sei que é muito difícil ficar calmo, mas é fundamental pelo menos tentar manter a calma. Se o candidato conseguir isso, já é meio caminho andado", ressalta.

Prova de fogo

A experiência fez parte da vida de Danillo Pinho Nogueira, promotor de Justiça do Paraná aos 29 anos. “A prova oral é, a um só tempo, a mais difícil e a mais fácil do concurso. Isso depende da sua preparação nos estudos e no psicológico. Existem técnicas, comportamentos aconselháveis e proibidos. Tudo influencia”.

Desde que se formou, Danillo focou em ser promotor de Justiça. Aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, passou a estudar para concursos voltados a analistas e técnicos judiciários. “Com o tempo, fui aprendendo com os erros e mudando as técnicas de estudo. Acho que usei todas as técnicas existentes. Contudo, a principal delas eu nunca perdi: A dedicação e a disciplina!”

Legislações contrárias

Existem três propostas de legislações tramitando na Câmara dos Deputados que tratam da prova oral nos exames de seleção. Duas delas – PL 2.140/2003 e 997/2007 – proíbem a aplicação da etapa em qualquer seleção pública. O outro, PL 2.356/2011, muda as regras para a execução dela. Se o texto for aprovado como foi apresentado pela Comissão de Legislação Participativa e o Deputado Vitor Paulo, as provas orais passarã0 a ser classificatórias e não eliminatórias e não poderão valer mais de 20% do total do processo seletivo. Além disso, o projeto também prevê que todas as aplicações passem a ser gravadas em vídeo para que, documentadas, possam dar margem a recursos.

Atualmente, a Resolução 75 do Conselho Nacional de Justiça define as diretrizes para todos os concursos judiciais. As orientações também foram adotadas pelos ministérios públicos. O Executivo Federal, no Decreto 6.944/2009 se limita a determinar que “Havendo prova oral ou defesa de memorial, deverá ser realizada em sessão pública e gravada para efeito de registro e avaliação”.

Dicas para provas orais

Dicas do professor Francisco Campos, do site Simulados de Prova Oral:

O tempo em geral é curto para essa preparação - Recorra aos seus resumos e material mais conciso. Livros e certos textos podem tomar muito tempo!

Faça exercícios físicos - Por incrível que pareça, muita gente acredita que se dedicar aos exercícios físicos é perda de tempo. Engano. Seu corpo precisa estar preparado para essa fase que é tão desgastante física e emocionalmente. Não negligencie essa parte!

Confiança - Confiança é fundamental nessa hora e deve ser medida não pelo que está por vir, mas sim pelo que já ficou para trás. Pelos anos de estudo empenhados nesse objetivo, mas, principalmente, pela quantidade e qualidade do conhecimento reunido durante a caminhada.

- Seja qual for a sua, se dedique a ela. Quando a prova estiver chegando, ela te socorrerá sempre!

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