Protestos marcam Dia da Independência em todo o país

Foram registrados atos em todos os estados. Manifestantes pedem a saída de Michel Temer e a convocação de novas eleições diretas. Organizadores contabilizaram 181 mil pessoas nas ruas

O Dia da Independência foi marcado por protestos em todo o país. Tradicionalmente marcado para a data, a manifestação do Grito dos Excluídos habitualmente sai em defesa dos direitos sociais e trabalhistas. Neste ano, o protesto ganhou conotação mais política, gritou pela saída de Michel Temer da Presidência e pela convocação de novas eleições diretas. Em todo o país, organizadores contabilizaram 181 mil pessoas nas ruas.

Além do ato no Distrito Federal, a poucos quilômetros de onde Temer participava de sua primeira cerimônia pública desde que tornou-se presidente de fato, foram identificados manifestações nos seguintes estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe.

Em Brasília, segundo os organizadores, o Grito dos Excluídos reuniu 10 mil pessoas. A Polícia Militar, por sua vez, contabilizou 2.700 manifestantes. De acordo com Adenor Loureço,do Movimento Alternativa Socialista, o público foi maior do que o esperado. "Em apenas uma semana de governo, já estamos chegando a um grande número de participantes. Com esta adesão, as eleições diretas estão cada vez mais próximas", afirma Adenor.

No geral, os atos não tiveram ocorrências graves, depredações, tampouco confronto com a polícia. Em Brasília, apenas duas ocorrências foram registradas. Uma pessoa foi detida por porte de droga e outra por ter agredido o repórter Leandro Prazeres e o cinegrafista Kleyton Amorim, do UOL, no momento em que eles entrevistavam um manifestante favorável à intervenção militar. Os jornalistas ficaram com hematomas, mas passam bem.

Em São Paulo, onde os atos durante a semana foram marcados pela violência policial, nesta quarta-feira (7) ocorreram sem demais problemas. Alguns manifestantes, porém, foram revistados nas estações de metrô antes de chegarem aos protestos. Segundo o capitão da Polícia Militar Cassio César Galhardo, um dos critérios adotados para escolher quem seria revistado era o porte de mochila. Os manifestantes não gostaram da iniciativa policial e relataram que houve excesso por parte das autoridades.

Gabriel Pontes/Congresso em Foco
No Rio de Janeiro, um homem vestido de Homem Aranha foi detido após discussão. De acordo com testemunhas, ele respondeu a provocações de estudantes de um colégio militar e agrediu um deles com um brinquedo de borracha.

Pró-impeachment

Apesar de programada, a manifestação dos grupos pró-impeachment e favoráveis ao governo Michel Temer estiveram esvaziadas neste 7 de setembro. Em Brasília, cerca vinte pessoas estiveram presentes. Uma das organizadoras, a militante Kelly Bolsonaro, minimizou o baixo quórum do protesto e afirmou que todos que foram assistir o desfile cívico da Independência estavam "do lado certo". "Não só estivemos presentes, como aplaudimos o presidente Michel Temer e a Polícia Federal - que tem feito o importante trabalho de limpar o Brasil", afirmou.

Panos quentes

Em seu primeiro compromisso público no Brasil desde sua efetivação como presidente, Temer dispensou o Rolls-Royce conversível da Presidência da República e a faixa presidencial para acompanhar o desfile. Foi recebido com vaias, gritos de “fora, Temer” e aplausos. Um grupo respondeu com ataques ao PT: “A nossa bandeira jamais será vermelha”.

A postura discreta desta quarta mostra cautela por parte de Temer, que, no último dia 3, durante visita oficial à China, reduziu a importância dos protestos contra ele. “São pequenos grupos, parece que são grupos mínimos, né? Não são movimentos populares de muito peso. Não tenho numericamente, mas são 40, 50, 100 pessoas, nada mais do que isso. Agora, no conjunto de 204 milhões de brasileiros, acho que isso é inexpressivo”, declarou.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que assistiu à cerimônia ao lado do presidente,minimizou as vaias. “A mim, [o protesto] não me surpreendeu. A dimensão é de 18 pessoas em 18 mil. Acho que está boa [a dimensão]”, declarou.

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