Propina da merenda foi paga na Assembleia Legislativa de São Paulo, diz delator

Delator da Operação Alba Branca, que investiga esquema de corrupção na merenda escolar, propina era destinada ao presidente da Casa, o tucano Fernando Capez. Deputado estadual afirma que seu nome foi usado indevidamente

 

 

 

Um dos delatores da Operação Alba Branca, que investiga um esquema de fraudes e desvios na contratação da merenda escolar em São Paulo, contou à Justiça que parte da propina foi entregue nas dependências da Assembleia Legislativa paulista. A informação é da Folha de S.Paulo.

Marcel Ferreira Julio, apontado como lobista da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), disse que o dinheiro foi entregue a dois ex-assessores do presidente a Casa, Fernando Capez (PSDB), em 2015, à medida que o Estado pagava pelo suco fornecido às escolas. De acordo com a operação, os desvios envolviam a Coaf, prefeituras e a Secretaria de Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

"Era feito em dinheiro, eles [membros da Coaf, sediada em Bebedouro] sacavam, vinham para São Paulo, a gente se encontrava em algum lugar e toda vez era pagamento em dinheiro, em alguns lugares na Assembleia, para os dois [ex-assessores]; fora, na entrada, no restaurante, sempre por ali", disse Marcel.

Em depoimento ao desembargador Sergio Rui, Marcel afirmou que os ex-assessores lhe disseram que parte da propina ia para a campanha eleitoral de Capez de 2014. Segundo a Folha, o delator declarou que o valor combinado para os ex-assessores era de R$ 200 mil; outros "400 e poucos mil" seriam para a campanha, conforme lhe contaram os ex-assessores de Capez.

De acordo com as investigações, a cooperativa dizia vender suco orgânico de pequenos produtores, que é mais caro, quando, na verdade, comprava suco da indústria comum e o revendia por um preço superior. Os ganhos nessa transação permitiam à Coaf lucrar o suficiente para pagar propinas.

Em nota, o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, afirmou que repudia com indignação a tentativa de envolver seu nome com a Operação Alba Branca. O tucano ressaltou ainda que todas as testemunhas têm esclarecido que seu nome "foi usado" por terceiros.

O deputado estadual citou um trecho do depoimento de Marcel Julio ao Tribunal de Justiça, em que o lobista disse que nunca tratou de dinheiro diretamente com o tucano: "Não tenho intimidade com o deputado Fernando Capez, até porque [ele] nunca me pediu dinheiro e nunca tive intimidade sobre isso".

Leia a íntegra da reportagem na Folha de S.Paulo

Mais sobre corrupção

Mais sobre São Paulo

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!