Promotora que apoia Bolsonaro deixa caso Marielle após ter imparcialidade questionada

A promotora Carmem Carvalho pediu nesta sexta-feira (1º) para se afastar das investigações do assassinato de Marielle Franco. A decisão foi tomada depois que a promotora passou a ser criticada pela sociedade civil por ter feito campanha para o presidente Jair Bolsonaro e mesmo assim ter sido uma das responsáveis pela perícia que desqualificou o depoimento do porteiro que associava o presidente ao caso Marielle.

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Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Carmen Carvalho optou voluntariamente por sair do caso por avaliar que essas críticas já haviam alcançado seu ambiente familiar e de trabalho. O afastamento da promotora, porém, já estava sendo analisado, pois pedidos para que ela saísse dessa investigação já vinham sendo apresentados. O deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), por exemplo, solicitou o afastamento alegando que a imparcialidade da promotora estava comprometida.

"Carmen posou com camisa de Bolsonaro e publicou foto ao lado de um parlamentar que quebrou a placa em homenagem a Marielle. Sua imparcialidade está comprometida", informou Marcelo Freixo na tarde desta sexta-feira (1º). O deputado ainda pediu a realização de nova perícia nos áudios apreendidos na portaria do condomínio onde moram Bolsonaro e Ronnie Lessa, um dos suspeitos do assassinato de Marielle. "A análise que foi feita às pressas no dia seguinte à publicação da reportagem do JN deixou lacunas que precisam ser esclarecidas", argumentou.

Em nota publicada nas redes sociais, o Ministério Público do Rio de Janeiro, por sua vez, reconheceu o "zeloso trabalho exercido pela Promotora de Justiça Carmen Eliza Bastos de Carvalho, que nos últimos dias vem tendo sua imparcialidade questionada no que afeta sua atuação funcional, por exercer sua liberdade de expressão como cidadã". O órgão disse que tem o dever de defender "o Estado Democrático de Direito e a livre manifestação de pensamento, inclusive de seus membros" e afirmou que "os pais de Marielle Franco, Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva, e a viúva de Anderson Gomes, Agatha Arnaus Reis, defenderam a permanência de Carmen Eliza à frente do processo penal, em andamento no Tribunal de Justiça".

O Ministério Público esclareceu ainda "as investigações que apontaram os executores de Marielle Franco e Anderson Gomes foram conduzidas pelas Promotoras de Justiça Simone Sibilio e Letícia Emile Petriz". Só depois dessa investigação é que Carmen Carvalho teria passado a atuar na "ação penal em que Ronnie Lessa e Élcio Queiroz são réus, a partir do recebimento da denúncia pelo 4ª Tribunal do Júri da Capital". "Sua designação foi definida por critérios técnicos, pela sua incontestável experiência e pela eficácia comprovada de sua atuação em julgamentos no Tribunal do Júri, motivos pelos quais Carmen Eliza vem sendo designada, recorrentemente, pela coordenação do GAECO/MPRJ para atuar em casos complexos", destacou o MP-RJ.

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Nesta semana, contudo, Carmen passou a ser criticada porque foi uma das promotoras responsáveis pela coletiva de imprensa que desqualificar o depoimento do porteiro que associava o presidente Jair Bolsonaro ao caso Marielle. A coletiva foi convocada no dia seguinte à TV Globo revelar a existência desse depoimento, com base em uma perícia que levou pouco mais de duas horas para chegar a uma conclusão sobre o depoimento do porteiro.

As críticas começaram no dia seguinte ao coletiva, começaram a circular na internet posts em que a promotora faz campanha e comemora a eleição de Jair Bolsonaro nas redes sociais. Carmen chegou a postar uma foto posando com a camisa de Bolsonaro, além de uma foto com o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), que quebrou uma placa em homenagem a ex-vereadora. A situação foi classificada como grave pelo jurista Antonio Rodrigo Machado, para quem o Ministério Público ficou em uma situação delicada depois dessas revelações.

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