Projeto aprovado obriga UTI móvel em competição esportiva

Texto aprovado hoje pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado altera o Estatuto do Torcedor para tornar obrigatória a presença de unidade de terapia intensiva em ambulância em eventos com mais de 10 mil pessoas

Em agosto do ano passado, o então técnico do Vasco da Gama, Ricardo Gomes, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) à beira do gramado do Engenhão, no Rio de Janeiro. Transportado às pressas em uma ambulância para uma unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital particular, Ricardo sobreviveu. Um ano depois, tenta se livrar das últimas sequelas e retornar ao futebol.

Mas, segundo especialistas, o treinador poderia não ter sobrevivido por falta de uma UTI móvel, cuja presença hoje não é obrigatória. Essa situação, porém, deve mudar. A Comissão de Assuntos Sociais aprovou hoje (31) projeto de lei que altera o Estatuto do Torcedor para obrigar os clubes de futebol a garantir a presença de UTIs móveis durante as competições esportivas.

Confira a íntegra do projeto 640/2011

A proposta, de autoria do senador Humberto Costa (PT-PE), recebeu parecer favorável do senador Wellington Dias (PT-PI). O texto, que tramita em caráter conclusivo (ou seja, dispensa a análise em plenário), será analisado agora pela Câmara. O projeto já havia sido aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte em maio.

Pela proposição, os clubes de futebol terão de reservar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida. Pelo menos um desses veículos deve ser do tipo UTI móvel. Médico, Humberto Costa diz que ambulâncias simples não são suficientes para as emergências verificadas em partidas de futebol.

Na justificativa do projeto, o petista lembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica as UTIs móveis como “veículos devidamente projetados e equipados, destinados a garantir suporte avançado de vida durante o transporte de pacientes graves ou de risco, no atendimento de emergência pré-hospitalar e no transporte inter-hospitalar”.

“A norma atual já estabelece a obrigatoriedade de as entidades responsáveis pela organização das competições esportivas proverem a presença de profissionais de saúde – médicos e enfermeiros – para o  atendimento a emergências, bem como disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores  presentes ao evento. No entanto, uma simples ambulância não está adequadamente equipada para prestar o atendimento pré-hospitalar necessário em muitos desses casos, o que pode resultar em danos irreversíveis ao torcedor acometido ou até mesmo a morte”, defende o senador.

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