Primeiro-secretário da Câmara nega apoio a ‘trem da alegria’ de servidores

Espécie de promoção, sem concurso, para servidores de nível médio não será permitida, diz Beto Mansur. Exigência de nível superior para policiais ainda será discutida, afirma, mas privilegiará economia

O primeiro-secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), negou ter feito, em entrevista coletiva concedida ontem (quarta, 16), defesa do projeto de resolução da Câmara que, ainda em estudo na Mesa, desencadeia uma espécie de promoção de servidores de nível médio (técnicos) à categoria remuneratória dos analistas legislativos – manobra administrativa que, em outras ocasiões, ficou conhecida como “trem da alegria”. Ao Congresso em Foco, Mansur esclareceu que, como está à frente de um trabalho de corte de gastos na Casa, não permitiria a aprovação de qualquer medida no sentido oposto, de aumento de despesas.

“Não estou defendendo isso [a equiparação de status entre técnicos e analistas]. Estou em um processo, aqui, de muita economia”, disse o primeiro-secretário, relatando a responsabilidade pelos esforços da Mesa em disciplinar horas extras para servidores da Câmara. “São ótimos funcionários, todo mundo trabalha muito. Mas o nível salarial da Câmara é alto. No caso das horas extras, o pessoal já havia incorporado no salário. E eu estou procurando fazer uma coisa muito regrada, muito dentro da legislação, procurando fazer economia. É o que estou fazendo aqui”, completou.

Mansur lembrou que, em uma das reuniões da Mesa, o assunto gerou controvérsia entre os membros do colegiado, principalmente no que diz respeito à exigência de nível superior para policiais legislativos – categoria que deu origem à demanda levada ao comando da Câmara. Por isso, explicou o deputado, a questão foi temporariamente retirada de pauta, e não prosperará em caso de dispêndio para a Casa.

“Se esse negócio aqui [projeto] for um ‘trem da alegria’, não será feito. O que defendi na entrevista? Que acho bom que os próximos concursos tenham terceiro grau [nível superior]. Até porque a polícia de São Paulo e outras estão fazendo. Mas se tiver custo [extra], eu não vou fazer, porque estamos diminuindo custo”, explicou o deputado, informando que a questão foi levada à Diretoria-Geral, que auxilia no processo de apreciação do projeto.

Mansur garantiu que nada relativo a demanda de servidores será decidido antes da devida análise na Primeira-Secretaria da Câmara. O deputado informou ainda que uma resposta à questão será dada na semana que vem, na próxima reunião da Mesa Diretora.

Funções

Agente da polícia legislativa, paramédicos e assessor legislativo foram as primeiras categorias consideradas para a exigência de nível superior. No entanto, não há definição sequer se o projeto avançará, muito menos que tipo de função será envolvida em eventuais mudanças, informou o deputado. Mansur disse ainda que foi alertado sobre a reportagem deste site pelo próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em uma das reuniões da Mesa.

“O Eduardo falou: ‘Beto, saiu uma matéria sobre isso. Verifica, não vamos por na pauta, pra gente discutir e ver o que é isso, porque pode ter gato’. Estava na minha pauta [como primeiro-secretário]. Peguei, separei e não pautei. Não se discutiu”, detalhou Mansur.

O deputado esclareceu ainda que, na coletiva de imprensa concedida ontem (quarta, 16), apenas resumiu o que foi tratado sobre o assunto em reuniões da Mesa e disse a repórteres que iria “estudar” o assunto, com o auxílio dos departamentos administrativos competentes. Foi quando, questionado por um jornalista, disse que, “particularmente”, de acordo com informações sobre outras polícias institucionais, disse considerar a ideia de nível superior positiva “para os próximos concursos”.

“Ainda ressaltei que vou fazer um estudo para poder privilegiar o dinheiro público, fundamentalmente. Respeitar o direito da Câmara etc, mas, fundamentalmente, o interesse do dinheiro público. Não com essas palavras, mas falei: ‘Vou ver o que é bom para a Câmara, e o que é de interesse do dinheiro público’. Vou te ser sincero: ainda nem sentei para ver isso. Ontem [quarta, 16], só cuidei de hora extra aqui, porque mudamos tudo”, declarou o deputado, garantindo que cobrará “isenção” de sua assessoria no exame do projeto.

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