Presidente do PT nega revolta interna contra nova equipe ministerial

“O PT é um partido plural. A liberdade de expressão não vale só para a imprensa, vale também para a militância do PT”, disse Rui Falcão

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, negou nesta terça-feira (6) que haja um clima de revolta na legenda contra as indicações da presidenta Dilma Rousseff para a nova equipe ministerial. Ao menos os titulares da Fazenda, Joaquim Levy, e da Agricultura, Kátia Abreu, tidos como nomes não alinhados às bandeiras petistas, já são alvos da reclamação de setores da sociedade e de radicais do partido. Mas, segundo o dirigente, eventuais reclamações são feitas dentro do ambiente de “liberdade de pensamento” da legenda.

“O PT é um partido plural. A liberdade de expressão, de pensamento, que nós defendemos com toda convicção, não vale só para a imprensa, vale também para a militância do PT”, completou o petista, negando que o PT tem passado por processo de divisão interna semelhante ao vivido pelo PMDB. “Não vejo nenhuma similitude entre os partidos.”

Depois de fazer uma “visita de cortesia” ao novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, e participar da posse de Patrus Ananias no Ministério do Desenvolvimento Agrário, o dirigente negou haver “desconforto” no PT quanto à nova composição ministerial. O PT tinha o comando de 15 das 39 pastas no primeiro mandato, e agora tem 13 ministros. Além disso, perdeu para o novo aliado do Planalto, o Pros, a importante pasta da Educação, que passa a ser conduzida pelo ex-governador do Ceará Cid Gomes.

Em entrevista à imprensa concedida na sede do partido em Brasília, Rui garantiu que a “conjuntura” do governo não foi discutida nos encontros – ele informou ter se reunido também com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Segundo Rui, as visitas serviram como manifestação de apoio do partido aos novos ministros. “Não há qualquer desconforto nosso com a escolha do ministro Pepe Vargas”, exemplificou. “Ao contrário. Nós não achamos que o ministério é montado de acordo com tendências políticas do PT. A presidenta escolheu os ministros porque eles têm toda a capacidade, toda a experiência política e o nosso apoio para exercerem suas tarefas. Eu vim dizer isso a ele [Pepe].”

Rui disse que não será necessário que um ministro do PT – como é o caso do deputado licenciado Pepe Vargas (RS) – peça ajuda ao próprio partido para poder trabalhar, diante das manifestações de insatisfação interna com certas escolhas de Dilma. “Não há necessidade de fazer esse pedido, porque não há esse quadro”, ponderou.

Cicatrizes

Ele lembrou que a distribuição das pastas entre dez partidos da base aliada é resultado do presidencialismo de coalizão, levando a um ministério como todos os outros do período democrático. “É um ministério com a cara do PT e como todos os anteriores, embora seja um ministério de coalizão. Vocês sabem: nosso governo é um governo de coalizão. Não há essa oposição Dilma-Lula, Dilma-PT, Lula-PT. E as pessoas não foram retiradas do governo”, acrescentou, referindo-se ao agora ex-secretário-geral da Presidência da República Gilberto Carvalho, que estava há 12 anos o governo. Nos últimos meses, Carvalho tem feito críticas a questões como a política econômica de Dilma.

Na cerimônia de transmissão de cargo para o novo secretário-geral, Miguel Rossetto, em 2 de janeiro, Carvalho disse a jornalistas que presidirá, a partir de fevereiro, o Conselho de Administração do Sesi (Serviço Social da Indústria), e que será fiel a Dilma “onde estiver”. Na ocasião, ele respondeu indiretamente o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que dias atrás disse que o país é governado por uma “quadrilha”. “Ele vai me ajudar bastante, nas horas vagas, na direção do PT”, declarou Rui Falcão.

O dirigente petista minimizou o mal estar causado depois do recuo no anúncio, por parte do novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, de que haverá mudança na fórmula de cálculo do salário mínimo já a partir de 2016. “Todos os ministros estão vinculados a um programa de governo que foi vitorioso nas urnas. Não houve nenhuma discrepância entre o que ele disse e o que o governo definiu como matriz da política econômica, que é manter a valorização salarial, geração de emprego, crescimento econômico, sem cancelamento de direitos”, finalizou.

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