Presidente do Bradesco vira réu na Operação Zelotes

Luiz Carlos Trabuco e outros nove são acusados por esquema de corrupção em órgão do Ministério da Fazenda. Relatório encaminhado ao MPF-DF aponta suspeita de que banco negociou contratação de escritório para corromper membros do Carf

A Justiça Federal em Brasília acatou pedido de indiciamento contra o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, feito pela Procuradoria-Geral da República na capital. Agora, Trabuco e outros nove acusados se tornam réus em ação penal na Operação Zelotes, investigação sobre um esquema de corrupção instalado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por julgar, administrativamente, multas aplicadas pela receita.

A Polícia Federal já havia indiciado o empresário em maio deste ano pelos mesmos fatos. Apesar de serem vistos como réus, o acolhimento da denúncia não significa culpa comprovada, mas que o juiz considerou que existem elementos capazes de originar um processo judicial. Neste momento, testemunhas e acusados serão ouvidos para acolhimento de novas provas.

De acordo com o relatório encaminhado ao Ministério Público Federal do DF, há a suspeita de que a instituição financeira negociou a contratação de um escritório cuja função era corromper membros do Carf no sentido de que multas fossem perdoadas ou reduzidas. Em nota, o banco disse que jamais houve a contratação dos serviços da empresa, que também é alvo da Zelotes. O Bradesco lembrou ainda que perdeu por unanimidade o julgamento de um recurso que ajuizou no colegiado. Com a nova decisão, o Bradesco voltou a dizer que "reitera sua convicção de que nenhuma ilegalidade foi praticada por seus representantes".

De acordo com as investigações da PF, ex-conselheiros do Carf e consultores na ativa procuravam empresários com grandes dívidas e lhes apresentavam a possibilidade de reduzi-las ou anulá-las por meio de pagamento de propina, que variava entre 1% e 10% do débito. No cardápio, pedidos de vista dos processos, emissão de pareceres favoráveis aos grupos empresariais e exames de admissibilidade de processos, entre outros favores.

Ainda segundo a PF, 70 grandes bancos e empresas dos setores automobilístico, de comunicação, siderúrgico, agrícola e industrial subornaram conselheiros. Desvios em nove processos no valor de R$ 6 bilhões já foram inicialmente identificados, valor que aumentaria para mais de R$ 20 bilhões com as causas suspeitas restantes. Na apresentação de resultados da Zelotes, em março, a Receita informou que um universo de 105 mil processos totalizam R$ 520 bilhões em pendências de contribuintes com a Fazenda.

Lista dos denunciados:

Eduardo Cerqueira Leite, servidor da Receita

Mário Pagnozzi Júnior, consultor e advogado

José Teruji Tamazato, consultor e advogado

Jorge Victor Rodrigues, ex-conselheiro do Carf

Lutero Fernandes do Nascimento, servidor da Receita

Jefferson Ribeiro Salazar, ex-servidor da Receita

Luiz Carlos Angelotti – diretor de Relação com Investidores do Bradesco

Domingos Figueiredo de Abreu – diretor vice-presidente do Bradesco

Luiz Carlos Trabuco – presidente do Bradesco

Mário da Silveira Teixeira Júnior – ligado ao Conselho de Administração do Bradesco

 

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