Presidente da CCJ quer votar Previdência hoje e tenta reduzir quantidade de discursos

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), mudou de estratégia, decidiu romper o acordo selado com a oposição, e disse estar disposto a entrar pela madrugada e quiçá a manhã de quarta-feira (17) para aprovar a constitucionalidade da proposta de emenda à Constituição da reforma da Previdência. "Levo até 5h da manhã, 7h, se preciso", disse.

"Estou fazendo contagem de votos e tentando baixar número de inscritos. Devem ser umas 8h de discussão. Vamos enfrentar um por um os requerimentos da oposição. Não cheguei a conversar com o Rodrigo. É uma estratégia que eu já tomaria", afirmou há pouco, enquanto tentava convencer deputados da base a desistir de suas falas.

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Até a noite de segunda (15), 120 deputados estavam inscritos pra falar. Considerando-se os tempos médios de falas acordados entre titulares, suplentes, não-titulares e líderes partidários, além daqueles que falam mais e menos, e também alguns que podem abrir mão de seus discursos, a estimativa é de que os debates se estendam por 30 horas. Esse tempo deverá ser dividido em três sessões, o que empurra a votação para a próxima semana.

A sessão de ontem foi marcada por quase 4h de debate torno da inversão da pauta da CCJ. O Centrão - bloco formado por PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade -, apoiado pela oposição, insistiu em votar primeiro a PEC do orçamento impositivo. A tese acabou vencendo e a proposta foi avalizada em votação simbólica pouco antes das 22h, após mais de 6h de reunião. Em seguida, governistas e oposicionistas acordaram que o relatório do deputado Marcelo Freitas (PSL-MG) só seria votado após a Páscoa.

Houve, antes do início da sessão, uma tentativa de acordo com as lideranças da base de Jair Bolsonaro. O líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), contudo, afirmou que, apesar de já saber que sairia derrotado, não poderia se entregar, já no início da semana "sem um embate".

Na reunião, ficou clara a desarticulação da base. Enquanto a oposição tomava conta da sessão e o governo não conseguia reunir seus partidos aliados, o próprio PSL se atacava entre si, como mostrou o Congresso em Foco.

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