Presidenciáveis usam Dia do Trabalho como palanque

Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) centram fogo no governo Dilma: inflação e necessidade de "fazer mais" são a tônica das críticas

Em palanques montados Brasil afora neste feriado do Dia do Trabalho, nomes tidos como prováveis candidatos à corrida presidencial de 2014 aproveitaram os holofotes para disparar críticas ao governo federal. Dois dos mais notórios presidenciáveis, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), foram os mais inflamados nos discursos em eventos promovidos por organizações sindicais e outras entidades.

Em discurso na festa de 1º de Maio promovida na zona norte de São Paulo pela Força Sindical, liderada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), Aécio disse que o Brasil tem que almejar voos mais altos no cenário mundial, sem se satisfazer “com pouco”. O senador disse ainda que o governo do PT não pode desperdiçar o trabalho feito por um “grupo de homens públicos” que controlou a inflação “um tempo atrás” – referência que inclui, entre outros, a equipe econômica do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

“Não podemos permitir que o fantasma da inflação volte a roubar a mesa do trabalhador brasileiro. É por isso que estaremos permanentemente vigilantes, para que o Brasil não seja mais uma vez lanterna em crescimento na América do Sul”, discursou o tucano, ciceroneado por Paulinho da Força – que, embora integrante de partido da base aliada, atua como opositor e, nessa  linha, busca adesões à criação do partido Solidariedade. O evento da Força foi realizado com o apoio das centrais sindicais CTB, UGT e Nova Central.

Paulinho da Força ironizou o fato de a presidenta Dilma evitar participar de eventos neste feriado. Para o deputado, ela teme as vaias que, se lhe foram endereçadas em Mato Grosso, em evento de governo nesta semana, certamente se repetiriam em maior escala em São Paulo.  Representando a presidenta, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) rebateu a insinuação e, lembrando que o governo trabalha pautas específicas das centrais, disse que Dilma não poderia escolher entre dois eventos diferentes – a Central Única dos Trabalhadores, em outro horário, realizou seu evento na capital paulista.

Gilberto ainda contraditou declarações de Aécio sobre a ameaça de alta da inflação. “Não é verdade que a inflação vai subir; ela teve, sim, um pico nos últimos meses. E vocês sabem o porquê. Agora, ela vai começar a cair”, contestou o ministro. Também participaram do evento o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ministro do Trabalho, Manoel Dias. Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin não compareceu aos festejos.

“Fazer mais”

Já Eduardo Campos escolheu o interior de Pernambuco para discursar e posar para fotos em eventos do Dia Trabalho – acompanhado de secretários, Campos aproveitou o bom tempo para distribuir sementes e determinar ações de combate à seca em regiões que registraram chuvas incomuns no mês de abril. O governador, que recusou convites diversos para a festa de 1º de Maio, entre eles o evento da Força, continua a expedição por municípios interioranos e só retorna a Recife na próxima sexta-feira (3).

A 130 quilômetros da capital pernambucana, no município de Caruaru, Campos usou o ensejo das comemorações para lançar a expressão “Quem viver, verá”, que poderia ser usada, em eventual campanha eleitoral, com complemento à ideia-slogan de que “é preciso fazer mais”. A frase tem sido usada nos últimos, com outras palavras, pela presidenta Dilma Rousseff no programa de rádio e TV do PT.

“Quem viver, verá que é possível fazer muito mais pelo povo brasileiro. Ruim é quando a gente acha que já fez tudo, e começa a contar o que já foi [feito]. Importante na vida de um país, na vida da gente, da família, da empresa, é que nos sintamos desafiados a fazer mais e melhor”, discursou o governador, que visitou um dos mais simbólicos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), a comunidade de Normandia.

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