Abalado pelo caso Geddel, Temer reúne líderes do Senado em busca da aprovação do teto de gastos

Sentindo a saída do amigo e agora ex-ministro Geddel Vieira Lima, presidente decidiu que ele próprio partirá para a articulação política nos próximos dias. Crise ameaça atrapalhar aprovação da proposta, considerada essencial para os planos do governo

 

O presidente Michel Temer tenta conter a crise gerada depois de ter perdido no governo o agora ex-ministro Geddel Vieira Lima, alvejado por denúncias de corrupção pelo também ex-ministro Marcelo Calero (Cultura). Preocupado com a pauta do ajuste fiscal, o peemedebista convocou reunião com líderes de bancada no Senado com o objetivo de acertar os ponteiros para a votação da proposta de emenda à Constituição (no Senado, PEC 55/2016) que limita por 20 anos os gastos públicos da União. Embora o compromisso não conste da agenda presidencial, o encontro foi marcado para esta segunda-feira (28) e deve ser realizado no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Interlocutores do presidente dizem que a saída de Geddel, seu amigo há décadas, o deixou muito abalado. Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o diálogo que sentenciou a saída de Geddel “foi bastante sentimental repassaram pontos da história em comum”. Depois do telefonema com Geddel, Temer ligou para demais aliados e ficou contaminado de vez pelo clima de perda. Ontem (sexta, 25), em almoço com caciques do PSDB no Palácio da Alvorada, o presidente estava com semblante pesado, no relato de um dos tucanos presentes. “Não era o Michel de sempre”, descreveu o parlamentar, de acordo com a coluna.

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Envolta em polêmica, a proposta do teto de gastos está pautada para deliberação na a próxima terça-feira (29), no primeiro turno de votação em plenário. Segundo reportagem veiculada no site do Estadão, Temer tem informado a aliados que, na ausência de Geddel, que comandava a articulação no Congresso, ele mesmo partiria para a coordenação política na tentativa de evitar problemas na aprovação da matéria. A PEC 55 é tida como crucial para a consecução do ajuste fiscal e, em um segundo momento, para a recuperação e o crescimento da economia.

Por volta das 10h deste sábado (26), Temer partiu de sua residência no Alto de Pinheiros, bairro da zona oeste da capital paulista, e embarcou para Brasília já na parte da tarde. A assessoria da Presidência não deu detalhes sobre a agenda presidencial nesse intervalo.

Segundo informações da assessoria de imprensa da Presidência da República, o peemedebista usará o sábado na capital federal para "realizar contatos". Embora os assessores não tenham detalhado os assuntos a serem tratados pelo presidente, certamente estarão na lista de temas, além da PEC dos gastos e as demais matérias de interesse do governo, a crise provocada por Geddel nos últimos dias, com a acusação de ter pressionado Calero para obter a liberação das obras de um prédio de luxo em Salvador (BA).

Ainda segundo o jornal paulista, Temer deve voltar a São Paulo já neste domingo (27). Está prevista em sua agenda um encontro da comunidade libanesa no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, às 16h.

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